29.11.11

Negação e desafios das famílias no cuidado do portador Alzheimer - por Silvia Masc



"Se ele pudesse, ele faria." - (a esposa de um cuidador)
Alguns dias atrás recebi um e-mail com um comentário de um de vocês leitores, que guardei comigo. Era de uma senhora (vou chamá-la de Izabel), cuja mãe tem Alzheimer leve. Aqui está um pouco do que ela disse:

Meu irmão insiste... não devemos preparar as refeições para minha mãe e que ela, só tem uma perda leve de memória... Eu sinto que a minha família está em negação sobre a condição da mamãe e procurando razões para ficar indiferente. " 


Observo que a negação é tão comum, o que é prejudicial é ficar preso em negação. No entanto, colocando a noção de negação de lado por um momento, para a maioria de nós cuidar de alguém nos estágios iniciais de uma demência passam por esse tipo de dança onde vamos vacilar entre a promoção da independência e ficar oferecendo ajuda.

Vemos as coisas mudando e observando a pessoa perder a capacidade de fazer o que eles faziam antes. Muitas vezes estamos relutantes em intervir e tomar posse, com a preocupação de não esmagar a sua dignidade. É doloroso, vê-los lutar. Queremos desesperadamente que as coisas permaneçam estáticas para a pessoa e para nós, querendo que ela mantenha a sua autonomia.

E fica a dúvida, quando intervir? Quando ajudar? Não é simplesmente um problema de memória ou esquecimento. Às vezes é um declínio que pode causar situações de dano para a pessoa e para os que estão próximos e no caso específico do preparo das refeições, por exemplo, colocar sal e demasia, queimar a comida, esquecer o gás aberto etc...

Por exemplo, pode parecer lógico que o irmão de Izabel ache que sua mãe deve ser capaz de lembrar-se de como fazer as suas próprias refeições. Afinal, ela vem fazendo isso há 50 anos. E a memória daquilo que foi aprendida ao longo do tempo, é geralmente melhor preservada.

Aqui está o problema - a maioria das pessoas diagnosticadas com Alzheimer perdem cedo alguma capacidade e a sequência de alguma atividade, de organizar, iniciar e monitorar as ações. Isso é chamado de funcionamento executivo.
Pense sobre as etapas envolvidas na fixação de uma refeição: decidir o que fazer, identificando os ingredientes, colocando os itens ou receita juntos em uma ordem específica, concentrando-se e muitas vezes multitarefa. Preparar uma refeição ou seguir uma receita que inclui várias etapas é difícil e às vezes inatingíveis mesmo em demência precoce devido a mudanças no cérebro que são responsáveis ​​por esse processamento. 

Eu acho que todos nós concordamos que as pessoas com Alzheimer não estão em condições de optar por desistir de habilidades da vida diária, tais como o preparo das refeições, o gerenciamento das finanças, ou locomoção. Elas não iriam optar por renunciar a sua independência, e elas não são preguiçosos ou desmotivadas. A verdade é que as pessoas com Alzheimer não podem "simplesmente se esforçar mais" e não é real esperar que eles façam tudo o que costumavam fazer.
Eu percebo, no entanto, que alguns membros da família não vão ajudá-las. Muito possivelmente, eles estão em negação. De tempos em tempos, todos nós estamos em negação sobre vários aspectos da nossa vida. É assim que lidamos – com as nossas emoções, negação máscaras de dor, perda, medo e incerteza.

Devemos ser gentis, suaves e calmos para falar sobre isso com um membro da família que esteja nesse processo de negação. A raiva só vai levá-lo a criar abismos mais profundos. E quando nós insistimos, ou rejeitamos esse familiar, ficamos presos em nossa própria raiva.

Não quero dizer que você não possa trabalhar ativamente para tornar as coisas melhores com os membros da família - eu simplesmente sugiro que você entenda a maneira de agir desse familiar. Agindo de forma que essa pessoa primeiramente aceite o fato, vencendo a negação, tudo ficará mais fácil.

Leia também : O impacto da doença crônica na família

Para você será uma forma de auto-cuidado.

13.11.11

O que é artrose?


- O que é artrose?
- Artrose é o mesmo que artrite?
- Como prevenir a artrose?

"Os anos não chegam sós. E a artrose, uma doença reumática, é uma dessas companheiras que tornam-se inseparáveis a medida que aumentam o número de velinhas a serem apagadas. Entretanto, a prevenção pode contribuir retardando sua aparição."
O que é artrose?

"A artrose é um processo degenerativo de desgaste da cartilagem, que afeta sobre tudo as articulações que suportam peso ou as que fazem movimentos em excesso, como por exemplo as cadeiras, os joelhos ou os pés", destaca a Dra. Diana Dubinsky, médica reumatologista do Centro Antirreumático do Hospital de Clínicas, de Buenos Aires.

Esta doença vincula-se ao envelhecimento das articulações, ligado ao passar do tempo. Inicia-se, em geral, a partir dos 40 ou 45 anos. Porém, também pode aparecer de forma precoce como conseqüência de traumatismos ou problemas congênitos que afetem a articulação. Por exemplo, a displasia da cadeira é uma malformação congênita da articulação, este é um fato que predispõe a uma artrose precoce.

Em geral, o envelhecimento e a sobrecarga da articulação fazem com que a cartilagem se desgaste e perca agilidade e elasticidade. Os sintomas da artrose são a dor e a limitação da função articular. A limitação do movimento deve-se ao fator mecânico: as superfícies articulares, em vez de estarem acolchoadas pela cartilagem, tornam-se rugosas e atritam-se.

Artrose é o mesmo que artrite?
"A artrite é uma doença inflamatória que pode afetar várias articulações ao mesmo tempo, por isso denomina-se poliartrite. Não está vinculada com a idade, pois pode aparecer na juventude", explica a especialista.

Existem distintos tipos de artrite, uma delas é a artrite reumatóide. Esta enfermidade compromete o estado geral da pessoa, produzindo abatimento, cansaço e perda de peso. Ademais produz inflamação, tumefação e avermelhamento da articulação. A dor é contínua em repouso e a pessoa levanta-se com muita dor e rigidez.

A artrose, ao contrário, apresenta uma dor mecânica que sente-se depois de utilizar a articulação. Geralmente é uma dor vespertina e alivia-se com o repouso. A pessoa pode levantar-se dolorida e sentir um pouco de rigidez, o que dificulta-lhe o início do movimento. Porém, em alguns minutos a rigidez desaparece e a pessoa pode movimentar-se normalmente.

A artrose diferencia-se da artrite reumatóide pelo comprometimento do estado geral. E também existem pessoas assíntomas, mas o médico pode detectar a artrose em uma radiografia. Isto mostra, entre outras coisas, que o espaço ocupado pela cartilagem é menor que o habitual porque esta está deteriorada. Dado que a cartilagem cumpre a função de amortecer a pressão e o atrito entre os ossos, ao deteriorar-se, os ossos se tocam e se desgastam.

"A medida que o o osso se destrói, produz-se um processo reparador que consiste em formar um novo osso, porém com características diferentes do osso normal. É o que se conhece comumente nas vértebras como bico de papagaio, e que tecnicamente denominam-se osteofitos", explica Dubinsky.

Como prevenir a artrose?

Além da idade, existem fatores que favorecem o aparecimento da artrose. Um dos mais importantes é o sobrepeso, porque produz uma sobrecarga nas articulações. Neste sentido é importante que a alimentação consista em uma dieta balanceada e sem excesso de gorduras, para evitar o sobrepeso. A obesidade sempre é acompanhada pela artrose.

Outro fator importante, assinala a Dra. Dubinsky, é a atividade física, como por exemplo caminhar, andar de bicicleta ou nadar. A respeito das caminhadas que realizamos quando fazemos compras e olhamos vitrines, estas não surtem nenhum efeito benéfico. Uma caminhada efetiva tem de ser contínua e com passo firme, com duração de 20 ou 30 minutos.

O exercício para ser benéfico, tem que ser sistemático e fazer com que a articulação mova-se em toda a sua amplitude. O exercício é um método de prevenção e de tratamento. Neste sentido a dor é um bom indicador de limite, se há dor é sinal de que se está fazendo exercício em excesso ou que se está fazendo da forma errada.

Com respeito a administração de medicamentos, os especialistas preferem utilizar a menor quantidade possível de drogas, e ver quanto os pacientes podem melhorar com tratamentos locais, orientados a desinflamar e acalmar a dor. Por exemplo, a aplicação de ondas curtas através de tratamentos de Quinesiologia.

O problema é que os antiinflamatórios possuem efeitos secundários, em especial os problemas gástricos que estes podem causar. Por esta razão, se o paciente tem dor mas não tem inflamação, o médico receita-lhe somente um analgésico que não irá afetar tanto a mucosa gástrica.

De qualquer forma, já existe uma nova geração de antiinflamatórios que inibem a inflamação de forma específica, sem afetar o estômago. Mas também existem outros tipos de drogas que apontam para melhorar a cartilagem. "Estas drogas aplicam-se em artroses não muito avançadas, naquelas em que a cartilagem ainda não se encontra muito deteriorada", esclarece a especialista.

Estes medicamentos aparentemente nutrem a cartilagem, ainda que seja difícil quantificar a melhora. A especialista destaca que um paciente com artrose não deve ser resistente ao uso de uma bengala, porque ela evita que a articulação carregue peso, desinflame-se e possa funcionar um pouco melhor. Também ajuda o uso de um "andador" ou colete.

O passar dos anos é irremediável. Porém, existem maneiras de retardar um pouco a aparição dos incômodos sinais do tempo.

27.10.11

Sociedade Brasileira de Gerontologia elabora cartilha.

As dicas foram elaboradas pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
A Sociedade Brasileira de Geriatria e Grontologia (SBGG), elaborou uma cartilha. Nela, estão contidas dicas que apontam os problemas mais comuns com os passar dos anos e o que é possível fazer para amenizá-los.
Para ter a cartilha , basta solicitar pelo nosso e-mail: longevidadeblog@gmail.com é grátis

Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

26.10.11

Cartilhas e Manuais

BIBLIOTECA
SOLICITAR: via E-mail longevidadeblog@gmail.com ou através dos comentários do Longevidade caso solicite via comentários, indicar o e-mail para envio do arquivo. Para efeito de estatística do blog, solicitamos a gentileza de indicar qual a finalidade, o seu curso ou formação, nome da escola, cidade e estado.

* Idosos:quedas, causas, Prevenção (em breve)
* Adaptação da Casa do Idoso (em breve)
Cartilha do idoso e os direitos do consumo - IDEC
Cartilha: Idosos e manuseio de medicamentos -Ministério da Saúde

Estatuto do Idoso
Manuais
Do Cuidador -Ministério da SaúdeManual - Teorias do Envelhecimento - Laboratório MerckManual da boa prática urológica - Soc. Brasileira de Urologia
* Manual do doente de Alzheimer (novo)
* Manual Do Cuidador leigo
Sociedade Brasileira de Geriatria e Grontologia (SBGG), elaborou uma cartilha. Nela, estão contidas dicas que apontam os problemas mais comuns com os passar dos anos e o que é possível fazer para amenizá-los.
Para ter a cartilha , basta solicitar pelo nosso e-mail: longevidadeblog@gmail.com é grátis
* Material desenvolvido pelo blog.
BIBLIOTECA

21.10.11

A saúde dos olhos



Por Karla Precioso
Nesta quinta-feira (14), comemora-se o Dia Mundial da Visão, data instituída em 2000, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira, como parte das ações do Programa 20/20: O Direito à Visão.
Tome alguns cuidados para garantir a saúde da sua visão:
Por ser também um órgão, o olho se beneficia das propriedades dos alimentos que ingerimos. Dessa forma, uma dieta equilibrada e bem escolhida será de grande proveito à saúde visual. Segundo a Universidade de Melbourne, na Austrália, para que as lágrimas (protetoras dos olhos contra os agentes externos) fiquem sempre saudáveis, o ideal é consumir frutas, verduras e legumes que contenham vitaminas A e E, assim como nozes e semente de linhaça (porque contêm ômega 3).

Beber bastante líquido hidrata o organismo e também é fundamental para aumentar a quantidade de lágrimas. Proteger seus olhos do sol com óculos escuros é outra dica fundamental.  Desde que os óculos tenham fator de proteção solar, para eivtar danos à sua visão.
Outra dica é para quando estiver assistindo à televisão. Nunca fique muito próxima ao aparelho. Procure manter uma istância de pelo menos dois metros da tela. Evitar passar horas em frente ao televisor garante a saúde dos seus olhos.
Regular a luz no monitor do computador também faz diferença. As telas muito brilhantes, que emitem grande quantidade de luz, acabam cansando os olhos e prejudicando a visão.
Quando for se maquiar, evite usar o lápis na parte de dentro dos olhos. Dependendo do produto, ele poderá provocar coceira e irritação.
E o mais importante: procure pelo menos uma vez ao ano um oftalmologista. Nunca é demais ficar atenta à saúde de seus olhos, não é mesmo?
Fonte: Sociedade Brasileira de Oftalmologia

20.10.11

Dia 20 de outubro: Dia Mundial e Nacional da Osteoporose




Conscientizar a população sobre as formas de combate à doença. Esse é o principal objetivo do Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, comemorado dia 20 de outubro. Instituído em 1996, pela Sociedade Britânica de Osteoporose e adotado pela International Osteoporosis Foundation em 1997, o dia é focado na conscientização da população sobre a prevenção à doença. Todos os anos, instituições ligadas à IOF e organismos nacionais, como o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Cardiologia, realizam eventos para comemorar o Dia Mundial da Osteoporose e instruir as pessoas no combate à doença. 

A osteoporose é uma doença caracterizada pela diminuição da massa óssea, com conseqüente enfraquecimento e fragilidade do osso e maior possibilidade de fraturas, mesmo após pequenas quedas e traumas. As estatísticas comprovam o quão sério é o problema: uma em cada quatro mulheres, após a menopausa, têm osteoporose e uma a cada cinco mulheres que já tiveram fratura sofrerão outra fatura, em menos de um ano. No Brasil, mais de 10 milhões de pessoas têm a doença e, no mundo, esse número chega a 200 milhões. 

A boa notícia é que a osteoporose pode ser prevenida e tratada com excelentes resultados. “A osteoporose pode ser diagnosticada, com precisão e precocemente, através de um exame de fácil realização, indolor e de alta precisão chamado densitrometria óssea. Enquanto com o raio-x somente podemos detectar a osteoporose quando já há perda de 30% da massa óssea, com esse exame podemos detectá-la quando há perda de menos de 1%. E detectada precocemente, podemos tratá-la com êxito”, explica o reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo– Dr. Eduardo Sadigurschi. 


Muitas vezes, a osteoporose se manifesta clinicamente através de fraturas. Dores e diminuição de altura, entretanto, também podem estar associadas à doença. Segundo o reumatologista do CREB, os principais fatores de risco da doença são: ser mulher; ter pele e/ou olhos claros; ser baixa e/ou magra; quem não toma leite ou ingira pouco alimento com cálcio; quem não faz exercício físico; quem toma pouco sol; quem tem parente com a doença; quem sofre de asma (bronquite), artrite ou alergia; fumantes; quem bebe muito café e bebida alcoólica; quem tem menopausa precoce por cirurgia ou não; quem usa antiácidos, anticonvulsivantes, certos diuréticos, heparina e/ou corticóides; e quem tem problema de tiróide. 

O tratamento, explica o Dr. Eduardo, deve ser orientado com um programa completo. “Os hormônios podem ter um papel muito importante na reconstrução e na prevenção da perda da massa óssea. Assim, a reposição hormonal pode ser realizada com hormônios similares aos naturais ou por fitoterapia”, afirma o médico. O Dr. Eduardo recomenda que mulheres adultas pratiquem uma dieta de 1000 mg de cálcio por dia. “Quando há risco de osteoporose, sugerimos uma dieta com 1500 mg de cálcio diários. Entre os alimentos ricos em cálcio estão o leite, iogurte natural com pouca gordura, queijo ricota, queijo suíço, queijo provolone e até sorvete cremoso de baunilha. Outras fontes secundárias de cálcio são sardinha, ostras, ervilhas, couve e brócolis”, diz ele, que ensina uma importante dica: “a casca do ovo é composta em quase 100% de carbonato de cálcio. Sugerimos aos nossos pacientes lavar a casca do ovo, colocar no forno em alta temperatura, com a finalidade de buscar uma melhor higienização. Depois, pegue essa casca e a triture muito bem até ficar muito fina. Coloque uma colher de chá ao dia desse material na comida misturada e você terá aí os 1.500 mg ao dia de cálcio necessários em sua dieta”, explica.

13.10.11

Labirintite



Labirintopatias - são as doenças que acometem o labirinto (orelha interna),são aquelas doenças que tem como sintoma principal a tontura e que são popularmente chamadas de Labirintites, e estão entre as principais causas de quedas em idosos

Vertigens relacionadas às labirintopatias na terceira idade têm como principal complicação a queda. E as mulheres são as principais vítimas .
Cerca de 30% dos idosos caem ao menos uma vez ao ano e 5% a 10% dessas quedas resultam em ferimentos graves. O estudo Circunstâncias e consequências de quedas em idosos com vestibulopatia crônica1, desenvolvido na Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), aponta que os principais motivos de quedas em idosos são as vertigens relacionadas a algum tipo de labirintopatia e os tropeços. A pesquisa revela ainda que as mulheres caem mais que os homens da mesma faixa etária. 

“A tontura ligada às labirintopatias pode desencadear quedas, pois as disfunções vestibulares limitam o controle postural, predispondo à instabilidade e ao desalinhamento corporal”, explica um dos médicos responsáveis pela pesquisa e professor da Unifesp, Fernando Ganança.

“Os tombos são um grande limitador da vida dos idosos, que, por medo de cair, acabam deixando de andar e tornando-se completamente sedentários e dependentes. Por isso é importante ir ao médico quando sentir alguma vertigem, para detectar logo a causa e iniciar o tratamento”, acrescenta Ganança. 

Os acidentes com idosos geralmente estão associados ao desequilíbrio, à dificuldade de visão, à deficiência auditiva, ao uso de alguns medicamentos e à perda progressiva de força nos membros inferiores, além de outras situações clínicas, de acordo com a pesquisa. “O medo e a tendência a quedas são relatados pela maioria dos idosos com labirintopatia crônica”, continua a otorrinolaringologista do Hospital das Clínicas de São Paulo Roseli Bittar. A queda costuma ser mais frequente pela manhã, fora de casa e durante algum passeio.

“Toda queda deve receber a atenção de familiares e médicos. É recomendável levar a pessoa ao hospital, mesmo que, aparentemente, tudo esteja bem porque podem ocorrer hematomas e coágulos que, inicialmente, não são percebidos”, alerta Roseli. Quando um idoso cai, o risco de sofrer outro acidente nos seis meses seguintes chega a 67%. No Brasil, as quedas são a sexta causa de morte entre a população com mais de 60 anos de idade.

O que é vertigem? A vertigem – um tipo de tontura rotatória – é o principal sintoma das labirintopatias, doenças que podem ser agudas ou crônicas e têm como característica o distúrbio do labirinto (ouvido interno) ––– órgão que, junto com outros receptores sensoriais, processa informações da posição do corpo humano no espaço que ocupa, mantendo o equilíbrio corporal.

A vertigem é um sintoma ligado a uma perturbação do equilíbrio corporal e comumente afeta mulheres e idosos, embora homens adultos, jovens e crianças também possam apresentar o problema. Estima-se que 20% dos pacientes que se consultam com neurologistas e otorrinolaringologistas e 10% que procuram um clínico, são levados à consulta pelo sintoma.

Raramente levada a sério, a tontura pode ser uma sensação aguda momentânea, mas também é um indício de doenças crônicas que, em estágios avançados, comprometem a qualidade de vida do paciente, levando-o ao isolamento social por medo e por insegurança de realizar atividades simples, como praticar esportes ou passear com a família.

Como prevenir -O diagnóstico das labirintopatias é fundamental para o sucesso do tratamento e para a prevenção de vertigens crônicas. O diagnóstico levará em conta o histórico clínico do paciente e uma investigação criteriosa quanto à duração, frequência, intensidade e fatores desencadeantes da tontura, além de exames físicos observacionais e avaliação otoneurológica. 

O médico utilizará técnicas que avaliam as interações entre o vestíbulo e os movimentos oculares, principalmente a vídeonistagmografia, que é um sistema de análise computadorizada do nistagmo por meio de vídeo. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética são exames que podem ser utilizados no diagnóstico dessas enfermidades. 
 

1.10.11

Síndrome demencial

O que é?

A chamada síndrome demencial vascular caracteriza-se por deterioração de várias áreas do funcionamento mental – por exemplo, memória, cálculo, orientação, raciocínio abstrato –, o que resulta em prejuízo para a capacidade do indivíduo em suas atividades profissionais, aprendizado, contato social etc. Uma das principais causas de deterioração mental em adultos são as doenças cerebrovasculares, principalmente em países como o Brasil, onde o controle dos chamados fatores de risco vascular – como fumo, sedentarismo, excesso de peso e hipertensão – é precário para boa parte da população.

Quando aparece?

A probabilidade de ocorrer deterioração cognitiva aumenta com a idade. O envelhecimento, porém, não é necessariamente associado ao aparecimento de demência.

O que causa a doença?

A demência vascular é conseqüência de um ataque vascular cerebral (AVC), que leva ao surgimento de alterações cognitivas, ou seja, alterações relacionadas ao raciocínio, à memória, à percepção etc. Algumas lesões vasculares, geralmente pequenos infartos cerebrais por obstrução de uma artéria de pequeno calibre, são aparentemente silenciosas. Entretanto, esses infartos silenciosos podem justificar alterações cognitivas importantes em pacientes idosos, seja por si só ou em combinação com outros problemas – por exemplo, doença de Alzheimer.
Distribuição na população

As doenças vasculares do cérebro ocorrem mais em homens e aumentam em freqüência com a idade ou na presença dos chamados fatores de risco vascular. Os principais fatores de risco são: hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, doenças cardíacas como fibrilação atrial e doença coronariana.
O que muda no sistema nervoso?

Os danos às artérias – vasos sangüíneos que levam o sangue às diversas partes do cérebro – comprometem a circulação sangüínea cerebral. As lesões resultantes podem afetar tanto a substância cinzenta (onde se concentram os neurônios) quanto a substância branca (rica em prolongamentos destes neurônios e necessária para a comunicação entre as células). As lesões podem ser grandes, visíveis a olho nu em exames como a tomografia computadorizada, ou mais discretas e difusas, provocando principalmente perda da camada de gordura das células – a chamada desmielinização ou leucoaraiose. Geralmente, os vários tipos de lesão são visíveis na ressonância magnética do cérebro.
Sintomas

Os sintomas principais são a deterioração intelectual, déficit de memória recente e desorientação no tempo e no espaço, sem que haja um comprometimento do nível de consciência (ou seja, o indivíduo permanece alerta). Pode haver alterações do comportamento e do humor, perda de vários aspectos da linguagem, do juízo crítico e da capacidade de abstração, além de desinteresse pelo ambiente e por si próprio (higiene, vestuário etc.).

Várias alterações adicionais podem existir, conforme as regiões do cérebro afetadas pelas lesões. Estas alterações – por exemplo, paralisia ou alterações do campo visual – podem contribuir para limitar o que o indivíduo pode realizar sem auxílio.

A evolução é geralmente lenta. Quando lesões vasculares novas se associam, porém, a piora mental é perceptível.
O que parece mas não é demência vascular?

O envelhecimento se associa a muitas outras causas de deterioração cognitiva, como a doença de Alzheimer e doença de Parkinson (em fases avançadas). A associação entre problemas vasculares e doença de Alzheimer é bastante comum, ambas contribuindo, muitas vezes, para a deterioração cognitiva progressiva. Em pacientes mais jovens, principalmente, deve-se excluir uma série de outras condições de demência, como AIDS e as chamadas demências com atrofia frontotemporal predominante.
O que muda na vida da pessoa doente?

Como as alterações são progressivas e freqüentemente irreversíveis, ocorre uma desorganização da vida psíquica do doente, acompanhada de perda da capacidade de trabalho e disfunção sócio-familiar. A doença costuma ter elevado custo social e familiar, pela dependência funcional do paciente.
Tratamento

O tratamento dos fatores de risco presentes em cada caso é considerado prioritário, podendo contribuir ao menos para a estabilização do problema, já que reduz as chances de surgirem novas lesões. Em particular, o controle adequado da hipertensão arterial e a suspensão imediata do tabagismo são considerados essenciais.

Além disso, a associação freqüente da demência vascular com a doença de Alzheimer e as alterações de memória (análogas àquelas presentes na própria doença de Alzheimer) levaram à realização de estudos com drogas capazes de aumentar o teor do neurotransmissor acetilcolina em certas áreas do cérebro em pacientes com demência vascular. Drogas como a rivastigmina, o donepezil e a galantamina vêm se mostrando potencialmente úteis para minimizar o déficit cognitivo nestes pacientes. 


As informações contidas neste texto têm caráter informativo, não devendo ser usadas para incentivar a automedicação ou substituir as orientações médicas. O médico deve sempre ser consultado a fim de prescrever o tratamento adequado.


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29.9.11

Em grupo, idosos reduzem riscos de depressão e outras doenças, diz estudo


Vínculos afetivos

Por Maria Fernanda Schardong

Um apoio nas horas difíceis, uma companhia para dar boas risadas, uma companhia para uma viagem, um ouvido atento para partilhar segredos, disposição para dividir experiências. O que diz o senso comum sobre o bem que uma amizade faz tem também respaldo científico. Uma pesquisa realizada em Chicago, nos Estados Unidos, diz que idosos solitários têm o dobro de chances de desenvolver demências em relação aos que mantêm um bom círculo de amizades. O estudo americano também serve de alerta para uma doença que vem crescendo entre a população idosa: a depressão.
A pesquisa foi realizada pela Rush University Alzheimer´s Disease Center, em Chicago, e acompanhou cerca de 800 pessoas com idade média de 80 anos durante quatros anos de pesquisa. No início do estudo, nenhum dos participantes apresentava sinais de demência, entretanto, alguns se descreveram como pessoas solitárias e obtiveram resultado positivo em um teste feito para medir o nível de solidão. 

Durante o estudo, 76 participantes desenvolveram o mal de Alzheimer e aqueles com maiores pontuações na escala de solidão tinham mais que o dobro de chances de desenvolver demências do que os integrantes com mais ligações sociais e que marcaram menos pontos na escala.

A pesquisa americana pode ser mais um alerta para uma das doenças que vem tomando proporções cada vez maiores entre os idosos, a depressão. De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS), 20% das pessoas com mais de 60 anos sofrem de alguns sintomas de depressão.

Segundo a neurologista e membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) Sônia Brucki, a depressão é um importante fator de risco para o comprometimento das funções cognitivas e até mesmo a demência. “O sentimento de solidão pode estar diretamente relacionado à depressão. Além disso, pode estar relacionada a um isolamento voluntário da pessoa, podendo ser outro sinal de comprometimento cognitivo. Sem contar que, na solidão, o indivíduo tem pouca socialização, o que diminui a estimulação cerebral”, explica ela.


A interação social tem papel fundamental na preservação das funções cognitivas, principalmente para os idosos. Uma simples ida ao cinema com os amigos permite a estimulação cerebral. “No convívio social temos espaço para o aumento dos estímulos externos, como a discussão de ideias, o que possibilita a comunicação e a interação entre as pessoas. Essa troca de informações e conhecimento permite uma grande estimulação cerebral e, consequentemente, preserva as funções cognitivas”, afirma a neurologista.

Equilibrar os aspectos emocional e físico pode garantir mais qualidade de vida. Manter boas relações sociais, praticar atividades físicas e mentais são atirudes que podem permitir ao idoso um envelhecimento saudável, livre de demências. “A discussão de pontos de vista, seja sobre artigos em revistas, jornais ou sobre novelas, por exemplo, afasta o indivíduo do isolamento, além de minimizar quadros depressivos. De fato, as pessoas necessitam de equilíbrio, seja emocional, seja físico. Todos os esforços devem ser feitos para a manutenção de uma vida saudável e equilibrada, mantendo uma atividade física e mental regular”, aconselha Brucki.


27.9.11

Por que cuidamos dos idosos e dos doentes?



Gente frágil e com dificuldade para sobreviver sozinha poderia ser vista como inútil. Mas nossa mente foi projetada para sentir compaixão pelos outros
por Texto Giovana Girardi
Sabe a máxima “Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você”? Pois esse é um dos possíveis motivos. Cuidar de idosos e de doentes é um comportamento movido pelo nosso instinto de moral e por uma capacidade conhecida como “teoria da mente”, por muito tempo vista como unicamente humana. Ela equivale a se colocar no lugar de outra pessoa, e até de outros seres vivos, para imaginar sua dor, seus sentimentos.

Intuir o que se passa com o outro é o que acaba levando à compaixão e, por fim, ao altruísmo sem segundas intenções. Como explica o psicólogo americano Steven Pinker em seu livro Tábula Rasa, “nossa teoria da mente está ligada à nossa habilidade para ter empatia e à nossa concepção de vida e morte (...). É a fonte do conceito de alma. Uma crença na alma, por sua vez, entrelaça-se às nossas convicções morais”. E o cerne da moralidade, continua ele, “é o reconhecimento de que os outros têm interesses tanto quanto nós temos”.

A observação desse tipo de comportamento em nossos primos mais próximos, os bonobos e os chimpanzés, sugere que a atenção com o próximo foi uma característica perpetuada pela evolução, como propõe o primatólogo holandês Frans de Waal em seu livro Eu, Primata.

Coração frágil
Um dos casos que ilustram sua hipótese é o do bonobo Kidogo, que sofria de um problema no coração e foi colocado em um novo zoológico para ser tratado. Confuso pela doença e sem entender os comandos dos tratadores, ele não conseguia nem sequer ir para onde era chamado. Depois de algumas tentativas frustradas, outros bonobos se aproximaram dele e o levaram até onde os veterinários queriam – uma demonstração de que entendiam não só as intenções dos médicos como também a situação do colega. De Waal ainda enumera mais alguns exemplos de bichos e humanos que agem em assistência a outros seres sem pensar em si próprios para concluir que essa é uma tendência que deve ter se originado em ações de reciprocidade e de cuidado com a família, expandindo-se depois para os demais indivíduos.
Estudos do neurocientista brasileiro Jorge Moll Neto sobre altruísmo de certo modo confirmam essa idéia. Em um trabalho publicado na revista científica PNAS, ele sugeriu que o comportamento altruísta ativa o sistema de recompensas do cérebro – área ligada ao prazer. Ele observou que uma doação para uma entidade filantrópica ativava essa região e também o córtex subgenual (envolvido com a formação de laços afetivos, como o que ocorre entre mãe e filho, entre casais e amigos).

Extrapolando um pouco as conclusões do estudo, Moll Neto propôs uma explicação evolutiva para o altruísmo. Ele usa como exemplo as primeiras sociedades tribais, em que as pessoas tinham even-tualmente de se juntar para construir algo para a comunidade nascente. “Podemos deduzir que o sistema de apego foi remodelado de modo a nos envolvermos com causas abstratas. Acredito que isso foi fundamental para a estabilização da espécie. Nossa sobrevivência individual dependeu de a gente cooperar com o grupo.”
US$ 300 milhões é o valor aproximado anual de doações para caridade feitas nos EUA, o país do mundo que mais faz esse tipo de contribuição aos necessitados.

20.9.11

21 de setembro Dia Mundial de Alzheimer


Alzheimer afeta 40% dos idosos acima dos 80 anos
Os números são alarmantes, pois apontam que quase 40% da população idosa, acima dos 80 anos, é acometida pelo Mal de Alzheimer, segundo a Dra. Cybelle Diniz, geriatra da Unifesp e colaboradora da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). No entanto, de acordo com a especialista, a estatística não reflete a quantidade de pessoas em tratamento, uma vez que o diagnóstico é ignorado ou mesmo confundido com outras patologias. Assim, com a finalidade de discutir o tema e alertar a população é lembrado amanhã, 21 de setembro, o Dia Mundial de Alzheimer.

Embora seja conhecido que a doença é de característica neurológica degenerativa, em que proteínas anormais se acumulam levando à perda de neurônios, a medicina ainda não encontrou meios de parar ou reverter o processo de Alzheimer. Sem cura, especialistas utilizam medicamentos – que repõem algumas substâncias que os neurônios mortos deveriam construir – para aliviar os sintomas e contribuir, assim, para melhorar o bem-estar daqueles que sofrem com a doença. Para a geriatra “até o momento, contudo, nenhum medicamento impede que a doença progrida”.

A partir dos 60 anos, o indivíduo se torna suscetível à doença, mas o pico de incidência ocorre aos 80 anos, de acordo com a Dra. Cybelle, que aponta o esquecimento como o principal sintoma da doença. “E não se trata daquele esquecimento pontual, mas o frequente, em que o indivíduo apresenta dificuldade de memória, apagando com facilidade um fato de sua mente”, alerta.

De acordo com informações da ABRAz, a doença de Alzheimer apresenta-se em quatro fases, sendo:

1° fase – Perda de memória de curto prazo, com dificuldade em lembrar fatos ocorridos recentemente. O paciente apresenta alteração na capacidade de se concentrar e agilidade do pensamento, sobretudo o abstrato; e da memória autobiográfica, pois ele esquece o que fez no domingo, por exemplo; além de certa desorientação de tempo e espaço. A pessoa também não sabe onde está e tampouco em que ano, mês ou dia. A apatia é outro sintoma bastante comum nesta fase.

2° fase – Com o passar dos anos, conforme os neurônios morrem e a quantidade de neurotransmissores diminui devido a evolução da doença, aumentam a dificuldade em reconhecer e identificar objetos e a execução de movimentos. A memória é afetada de modo diferente, pois as mais antigas, a memória semântica (de fatos acontecidos no mundo e história geral, significado das palavras e coisas) e a memória implícita (memória de como fazer as coisas) não são tão afetadas como a memória de curto prazo (recente) e a memória autobiográfica. Surgem problemas de linguagem, como a diminuição do vocabulário e a dificuldade para falar; e o paciente passa a ter dificuldade para fazer tarefas simples do dia a dia, como escrever, vestir-se e lembrar de tomar a medicação.

3° fase – A dificuldade na fala torna-se evidente devido à impossibilidade de se lembrar de vocabulário. O paciente vai perdendo a capacidade de ler e de escrever e deixa de fazer as mais simples tarefas diárias. Os problemas de memória pioram e o indivíduo pode deixar de reconhecer os seus parentes e conhecidos, o que representa uma progressiva incapacidade para o trabalho e convívio social. A memória de longo prazo vai se perdendo e alterações de comportamento podem se agravar. As manifestações mais comuns são a apatia, irritabilidade e instabilidade emocional, chegando ao choro, ataques inesperados de agressividade ou resistência ao cuidado. Incontinência urinária pode aparecer. O paciente pergunta a mesma coisa centenas de vezes, mostrando sua incapacidade de fixar algo novo. Palavras são esquecidas e frases são truncadas, permanecendo sem finalização, muitas vezes.

4° fase – O paciente está completamente dependente das pessoas que tomam conta dele. A linguagem está reduzida a frases simples ou até palavras isoladas, levando, eventualmente, a perda da fala. Apesar do prejuízo da linguagem verbal, os pacientes podem compreender e responder com sinais emocionais. No entanto, a agressividade ainda pode estar presente e a apatia extrema e o cansaço são resultados bastante comuns. Há dificuldade para desempenhar as tarefas mais simples sem ajuda, tal como levar o copo à boca.
Apoio familiar
Mediante este cenário, a família tem papel preponderante na vida do portador da doença, que se torna cada dia mais dependente das pessoas que o cercam. “A família precisa entender que o ambiente deve ser tranquilo, harmonioso ao paciente. A falta de rotina e um ambiente estressado e com brigas é complicado”, reforça a Dra. Cybelle Diniz. Ainda de acordo com a geriatra, o cuidador familiar, nome dado à pessoa responsável pelo paciente, precisa cuidar da própria saúde, pois tem grande chance de adquirir depressão e demais doenças por conta do desgaste a que estão sujeitos. Além disso, devem buscar informação de qualidade e procurar a boa convivência com os portadores da doença, incentivada por grupos de apoio em que a troca de experiências entre os cuidadores facilitam compreender melhor o Alzheimer e lidar com os portadores de maneira saudável.

A especialista também reforça o fato de que a medicação para o tratamento inicial está disponível na rede pública, assim como as fraldas geriátricas são vendidas nas farmácias populares a um preço acessível, e que, buscar apoio e informação, e recorrer a uma assistência social para ajuda domiciliar são ações que podem facilitar a vida dos pacientes e daqueles que também vivem a doença.
Cenário atual

75% dos portadores da doença de Alzheimer (DA) não foram diagnosticados, segundo relatório divulgado este mês de setembro pelo ADI (Alzheimers Disease International), ligado à Organização Mundial da Saúde. O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria do Kings College, em Londres.

Para o ADI, que reúne 76 associações dedicadas à doença, 36 milhões de indivíduos no mundo convivem com o Alzheimer, sendo que três quartos desconhecem a doença, de acordo com o relatório, que mostra ainda que nos países mais ricos, 20% a 50% dos casos são reconhecidos e documentados, enquanto que nos mais pobres, a proporção pode chegar a apenas 10%. Os cientistas responsáveis pelo estudo acreditam que cada país precisa de uma estratégia nacional que promova o diagnóstico antecipado e um cuidado contínuo posterior, com o lema “gastar agora para economizar mais tarde”.

A pesquisa também demonstra que as intervenções podem fazer diferença até mesmo nas etapas iniciais da doença, melhorando a cognição, independência e qualidade de vida.

Fonte: Saúde em Pauta Online.

8.8.11

A tarefa do cuidar


A tarefa do cuidar e as expectativas sociais diante de um envelhecimento demográfico: a importância de ressignificar o papel da família 

Simone Caldas Tavares Mafra 

Universidade Federal de Viçosa, Centro de Ciências Humanas Letras e Artes, Departamento de Economia Doméstica. Viçosa, MG, Brasil 

RESUMO 

No Brasil, como nos demais países, o processo de envelhecimento da população é crescente, trazendo consequências na (re)organização familiar e do indivíduo, interferindo no estilo de vida – comprometendo a qualidade de vida familiar e individual – quanto no bem-estar social dos envolvidos. Estudos como o SABE sinalizam a realidade vivenciada por famílias do município de São Paulo quanto à necessidade de se organizarem para suprir as demandas assistenciais de seus idosos, considerando aqueles que apresentam comprometimento funcional. Esta pode ser a realidade do Brasil, que pode ter maior número de famílias em situações de maior constrangimento se comparadas à realidade estudada. Para tanto, buscou-se discutir o envelhecimento populacional e as relações de cuidado no âmbito da família, considerando os conflitos vivenciados pelas famílias nesse processo. Os estudos evidenciaram a necessidade de garantir o processo de empoderamento das famílias que vivenciam tal realidade para que estas possam administrar melhor os processos decisórios, na atividade de cuidar e ser cuidado, de maneira a garantir melhor qualidade de vida para os envolvidos. 

Palavras-chave: Cuidadores. Envelhecimento da população. Envelhecimento Demográfico. Serviços de Saúde. Saúde do idoso. Idoso fragilizado. 

INTRODUÇÃO 

No Brasil, como na maioria dos demais países, o processo de envelhecimento da população é crescente, trazendo consequências para a (re)organização familiar no cuidado com aqueles que demandam maior assistência e para o indivíduo idoso, para exercitar diuturnamente seu direito de ter uma vida com autonomia e independência. Esses fatos podem interferir tanto no estilo de vida – comprometendo a qualidade de vida familiar e individual – quanto no bem-estar social dos envolvidos. 

Estudo desenvolvido no município de São Paulo buscou mostrar a realidade vivenciada pelas famílias e indivíduos no que se refere à necessidade de se organizarem para suprir as demandas assistenciais a seus idosos, e estes vivenciarem sua independência cotidiana, considerando aqueles que apresentam comprometimento de seu desempenho funcional.1 

O referido estudo, embora centrado no município de São Paulo, pode evidenciar uma realidade do Estado brasileiro. Acredita-se que há maior número de famílias em situações de constrangimento, no que se refere ao processo de cuidar e ser cuidado, se comparadas à realidade estudada.1 

Sabe-se, no entanto, que a crise do cuidar e ser cuidado pode estar apenas começando, quando a reflexão recai sobre o Estado brasileiro, pois este se encontra em um processo de transição demográfica muito acelerado. Isto tem sido evidenciado em diferentes estudos que mostram que, no Brasil, mulheres em idade fértil têm menos de dois filhos, projeção só esperada para 2045, como evidenciam estudos da Divisão de População das Nações Unidas. Segundo essas análises, em breve sobrarão vagas em escolas de ensino básico e faltarão pessoas para implementar a relação de cuidado/cuidador, com a esperança de vida da mulher brasileira atingindo 80 anos.2 

Essa preocupação se justifica pelo fato de que, em geral, a mulher idosa é amparada pela família para efetivação do cuidado, e esta relação não é observada com frequência para o homem idoso. Este se casa novamente, numa situação de viuvez, para estruturar outra perspectiva social de manutenção da independência cotidiana, ou então é encaminhado a ILPIs. Se as famílias brasileiras estão reduzindo o número de filhos e são estes normalmente que se envolverão com o cuidado na família, poderemos inferir que num futuro próximo essa atividade vivenciará momentos de crise no espaço social da família.2 

O Brasil caminha para ser um país maduro,2 mas sem maturidade suficiente para conseguir as relaçöes de cuidar e ser cuidado, como é possível concluir. Os estudos chegam a essa constatação, mas fica a pergunta: como ficará o cotidiano desse país maduro? Na saúde, o modelo centrado no atendimento hospitalar não atende às novas demandas do envelhecimento, pois dados revelam que foi reduzido em 10% o relato de doenças crônicas. Ou seja, esse novo Brasil precisa aceitar o desafio de cuidar da saúde e não da doença, amparando a família para esse desafio. Alguns estudiosos colocam a necessidade de tratar de programas assistenciais, como o Bolsa-Família, no âmbito do apoio ao cuidador do idoso, o qual em muitos casos está na própria família.3 

Considerando os estudos mencionados, deve-se entender a variável “desempenho funcional”, como sendo: “[...] a capacidade dos idosos de executar atividades básicas da vida diária (ABDV – atravessar um cômodo da casa, comer, deitar-se e levantar da cama, usar o vaso sanitário, vestir-se e despir-se e tomar banho) e atividades instrumentais da vida diária (AIVD – comprar e preparar alimentos, realizar tarefas domésticas leves e pesadas, ir a outros lugares sozinho, usar o telefone, tomar os próprios medicamentos e manejar dinheiro), sendo a limitação funcional (demanda assistencial) definida como sendo a necessidade de ajuda para executar pelo menos uma dessas atividades.1“ 

Os dados apresentados neste estudo indicam a necessidade de uma ação imediata para instrumentalizar as famílias para a assistência aos idosos, visto que a apresentada pelas famílias se revelou como ineficaz. Entretanto, os autores alertam que “não há no Brasil uma política para suprir tais deficiências” e, com o envelhecimento em processo acelerado, “corre-se o risco de passar, em breve, de insuficiente a caótico”.1 

Segundo esta perspectiva, o que fazer? Os dados dos estudos existentes, dentre os quais o SABE (Estudo Longitudinal das Condições de Vida e Saúde das Pessoas Idosas do Município de São Paulo) revelam uma piora da realidade, se forem comparados os dados obtidos em 2000 com os de 2006, * tanto no aspecto da saúde, quanto aqueles referentes à capacidade funcional. Nesta, observa-se piora geral dos índices de desempenho de atividades básicas da vida diária, com aumento dos problemas de saúde, perda da autonomia e, consequentemente, maior demanda de supervisão por parte da família, de instituições e/ou de cuidadores, para a execução das atividades básicas e instrumentais dos idosos. 

Os dados apresentados são de grande importância para a implantação de projetos que implementem políticas públicas em prol da população idosa, com as famílias passando a ter mais acompanhamento e informação, enquanto as pessoas idosas adquirem mais acesso à informação para adoção de atitudes preventivas.1 Esses dados são evidenciados também em outros estudos4 da América Latina e Caribe. 

Considerando que o estudo SABE foi restrito a um único município brasileiro, são necessárias mais pesquisas para se compreender como as famílias que possuem pelo menos um membro idoso se organizam para garantir o poder de decisão de seus membros, incluindo-se o idoso neste processo. É necessário, pois, entender e analisar as consequências do processo de envelhecimento nas decisões familiares e no ciclo de vida econômico, a fim de avançar o conhecimento científico sobre este aspecto e contribuir para o planejamento e avaliação de políticas públicas voltadas para este público. 

PROCESSO DE DECISÃO FAMILIAR E ENVELHECIMENTO 

Deve-se atentar ao fato de que acreditar que a decisão familiar de cuidar do idoso dependente ou de transferir esta responsabilidade/atribuição a uma instituição ou a um cuidador pode se basear, principalmente no Brasil, na perspectiva econômica. Nesse momento, verifica-se a decisão da família muitas vezes voltada para a renda do idoso e como esta pode subsidiar sua manutenção em um contexto mais amplo, visto que em alguns casos a renda do idoso é a única renda familiar. 

Quando se institui esta realidade, a família passa a se responsabilizar pelo cuidado com o idoso como forma de garantir sua própria subsistência, ocorrendo por consequência a inversão da lógica inicial do ato de cuidar, em que o idoso deixa de ser aquele que deveria ser objeto de cuidado para ser o que garante o cuidado tanto dele quanto de seus familiares. Esses aspectos devem ser considerados prioritários para pesquisas futuras no Brasil, conforme corroboram os estudos de Wong et al,5 os quais ressaltam a necessidade de mais pesquisas para a compreensão do processo de envelhecimento na América Latina. 

Considerando-se, por exemplo, a decisão da família pela opção de se responsabilizar pelo cuidar do idoso, esta pode se reverter na instalação de um processo de reestruturação econômica para a mesma. Normalmente, um membro da família precisa se afastar da esfera produtiva (mercado de trabalho/emprego formal) para atuar como “cuidador”, pelo fato de a rede de solidariedade “estruturada” não ser suficiente para suprir as (crescentes) demandas familiares, embora atue como suporte. Outrossim, há de se ressaltar que, dependendo da renda do cuidador, tal arranjo é economicamente desvantajoso para a família. Assim, a opção de institucionalizar o idoso, liberando este membro familiar que atuaria como cuidador para o mercado de trabalho (teoria da troca social), apresenta-se com forte apelo. 

O ENVELHECIMENTO NA PERSPECTIVA DEMOGRÁFICA E EPIDEMIOLÓGICA 

No mundo todo, se evidencia o processo do envelhecimento populacional, com os idosos constituindo a parcela da população que mais cresce. Dentre estes, mais da metade vive em países em desenvolvimento, onde os programas sociais, políticos e econômicos ainda não responderam aos desafios gerados pelo envelhecimento populacional.6 Enquanto nos países desenvolvidos o aumento da expectativa de vida vem acontecendo há muitos anos, tendo como consequência melhores condições de vida da população, suportada por uma urbanização adequadamente planejada e pelos avanços nas áreas da saúde, habitação, saneamento, meio ambiente, nutrição e oportunidade de trabalho, de maneira contrastante, nos países em desenvolvimento – fenômeno observado desde a década de 1960 – relaciona-se diretamente à queda das taxas de natalidade e mortalidade. Estas são consequência de campanhas sanitárias, de vacinação e de ampliação da atenção médica na rede pública; entretanto, essa nova realidade não vem sendo acompanhada por transformações estruturais que garantam melhores condições de vida.7 

Este processo de envelhecimento, grande desafio do mundo atual, afeta tanto países ricos quanto os considerados pobres. O número de pessoas com mais de 60 anos, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), já corresponde a mais de 12% da população mundial, prevendo-se que, até meados deste século, corresponderá a 20% do total. Assim, numericamente, um em cada 10 habitantes do planeta já tem mais de 60 anos, sendo que quase 40% destes são indivíduos com 80 anos ou mais. Até 2050, prevê-se que uma em cada dez pessoas vivendo nos países mais desenvolvidos terá 80 anos ou mais, atingindo, em países em desenvolvimento, a cifra de um em cada 30 indivíduos.8 Além do aspecto mencionado, a Organização das Nações Unidas (ONU)9 estima que, em 2025, o número de pessoas com 60 anos ou mais passará a representar 15,4% da população global. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, até 2020, a população idosa irá compor um contingente estimado em 31,8 milhões de pessoas. 

Observando o panorama do processo de envelhecimento da população brasileira, conforme colocado por diferentes estudos, verifica-se que essa transformação foi extremamente rápida, ocorrendo no intervalo de poucas décadas. Embora viesse sendo detectada e anunciada há algum tempo pelos demógrafos, só recentemente a sociedade brasileira começou a tomar consciência de sua extensão e das profundas implicações que irá acarretar em vários aspectos da vida nacional.2,9,10 

Nesse contexto, o fenômeno de envelhecimento traz consequências não só para o indivíduo, mas também para a sociedade, merecendo atenção especial dos profissionais que se dedicam ao cuidado dos idosos. Observam-se implicações políticas, sociais e econômicas, que no caso do Brasil atingiu um patamar diferenciado a partir da criação do Estatuto do Idoso em 2003. No entanto, a formulação de políticas de saúde visando a atender às demandas desta faixa etária ainda é tímida, mesmo com o aumento dos investimentos na educação e formulação em nível estadual e municipal dos programas de assistência integral direcionados a esses indivíduos.11 

Logo a integração do uso dos recursos disponíveis se torna indispensável para abordar a questão do envelhecimento, pois os serviços de saúde ainda não têm condições estruturais adequadas para atender às necessidades desse grupo em crescimento, que se apresenta como um todo, desorganizado e com baixa resolutibilidade. Agravando esta realidade, a população idosa enfrenta o problema da falta de informação sobre seus direitos, acentuada pela dificuldade de acesso aos serviços demandados, contando ainda com o preconceito e o despreparo dos profissionais que deveriam atender a suas necessidades do dia a dia.12 

O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO 

Do ponto de vista biológico, o processo de envelhecimento caracteriza-se pelo declínio das funções orgânicas e dos sistemas. Este é um processo natural, progressivo e irreversível, que provoca modificações morfológicas, fisiológicas e bioquímicas que se manifestam tanto por mudanças corporais externas (flacidez muscular, rugas, branqueamento do cabelo, entre outros), quanto internas (alterações no metabolismo basal e funcionamento irregular de órgãos vitais, principalmente coração, rins e pulmões)13 

Estas transformações orgânicas que comprometem funcionalmente o indivíduo, afetando sua capacidade de se adaptar ao meio ambiente, o tornam mais vulnerável às doenças, com as complicações culminando, boa parte das vezes, com a morte. Estes mecanismos são ainda pouco conhecidos, mas alguns de seus fatores estão associados a padrões genéticos, os quais determinam a duração máxima da vida humana, estimada em 115 anos. Os diversos processos metabólicos envolvidos, ou os produtos desses decorrentes, levam à apoptose ou morte celular programada e, consequentemente, a um estado não funcional dos órgãos e tecidos. Bioquimicamente, a partir destas reações ocorrerá, dentre outros processos, a formação de radicais livres, provocando alterações celulares e teciduais próprias do envelhecimento, como: (a) alterações funcionais de enzimas, lipídios, colágeno, hormônios, DNA e RNA; (b) declínio da imunidade celular e humoral, o que facilitará maior incidência de doenças; e (c) alterações nas moléculas de colágeno, que afetará a permeabilidade e os processos de difusão na membrana celular, resultando na troca insuficiente de nutrientes entre a célula e vasos sanguíneos.14 Todas estas alterações acarretam perda da capacidade funcional, contribuindo para o decréscimo ou perda da autonomia e independência do idoso. 

Sob uma perspectiva social, o envelhecimento está relacionado com a perda de autonomia e independência, limitando a capacidade de autocuidado, e consequentemente, comprometendo a qualidade de vida do indivíduo. Gera, a partir desse processo, relações de dependência que interferem acentuadamente nos processos de interação social, sobretudo no âmbito familiar. Esta autonomia pode ser definida como o exercício da capacidade de decisão e de comando, podendo ser mantida mesmo quando o individuo é dependente. Assim, entende-se por dependência o estado no qual o indivíduo idoso é incapaz de funcionar física ou mentalmente sem a ajuda de outra pessoa.15 

QUALIDADE DE VIDA NA VELHICE E NOS DIAS ATUAIS 

Nesse contexto, a qualidade de vida na velhice está diretamente relacionada aos princípios de autonomia, autodeterminação e independência. Por isso, há necessidade de se incrementar estudos e esforços nas políticas sociais e de saúde, de maneira a manter e, se necessário, restaurar os princípios de autonomia, autodeterminação e independência do idoso. Isso se apresenta como uma questão que, se não for considerada, acarretará conflitos familiares e sociais cada vez mais graves. 

São considerados motivos de alerta os aspectos sociais relacionados ao envelhecimento, visto serem determinados pela diminuição da capacidade de adaptação às mudanças, nesse momento histórico em que os avanços tecnológicos e a construção de novos conhecimentos têm determinado transformações de maneira muito rápida em nossa sociedade, exigindo a introdução de novos conceitos e de modos de viver, caracterizados basicamente por uma grande flexibilidade, novos processos e produtos. Estes novos conceitos e modos de viver, no entanto, são caminhos que o idoso nem sempre pode percorrer. Como conseqüência, há o agravamento de sua marginalização familiar e social.16 

Essa marginalização e as modificações observadas no status social e no relacionamento do idoso com outras pessoas ocorrem como consequência das seguintes questões: (a) crise de identidade, desencadeada pela perda dos papéis sociais; (b) mudanças de papéis nos meios familiar e comunitários, exigindo desenvolvimento da capacidade de adaptação dos envolvidos; (c) aposentadoria, em geral insuficiente para atender a suas necessidades e que pode vir acompanhada de um sentimento de inutilidade, mergulhando o idoso no isolamento e na depressão; (d) perda de amigos e parentes, como também da condição econômica, o que faz com que o indivíduo idoso se sinta sem referencial, sem rumo; e (e) diminuição de contatos sociais em função da tendência individualista da sociedade, onde cada um se preocupa apenas em conquistar e preservar seu espaço, subestimando a importância dos encontros interpessoais.16 

Assim, todas essas questões, associadas ao envelhecimento populacional observado em nível mundial, são determinadas pelo fato de a faixa etária dos 60 anos ou mais ser a que mais cresce em termos proporcionais, complicadas pelo fato de a transição demográfica se acompanhar de uma transição epidemiológica caracterizada pelo aumento da prevalência de doenças crônicas degenerativas. Consequentemente, estes fatores ocasionam, junto com as transformações corporais e sociais, mudanças psicológicas, como baixa autoimagem e autoestima, além das alterações afetivas e mentais, levando a dificuldades no enfrentamento das novas situações, que requerem apoio considerável. 

Daí a necessidade de trabalhar esses indivíduos como foco, tanto nas perdas orgânicas quanto afetivas, dando-lhe auxílio no planejamento para o futuro e na adaptação aos novos papéis. É importante ressaltar que, para o indivíduo, a velhice é um período de crise, de transição e, portanto, não basta a atitude de aceitá-la. É necessário que seja enfrentada sem uma postura passiva caracterizada pelo simples ajustamento do individuo à nova situação, o que irá contribuir com a perpetuação do sistema social vigente, no qual o velho é discriminado.13 

Por todas estas mudanças nos perfis demográficos e de morbi-mortalidade da população mundial ao longo do último século, espera-se que haja interesse crescente dos pesquisadores no cuidado do idoso, com foco centrado no âmbito da família e no envolvimento dos cuidadores originários deste núcleo. 

O CONTEXTO DO CUIDADO: BREVE MARCO TEÓRICO 

O “cuidador” e o “cuidado” 

O “cuidar” é uma dimensão ontológica do ser humano. Para entender o ser humano e suas ações, é necessário nos basearmos no indivíduo cuidador do idoso, pois seus valores, atitudes e comportamentos no cotidiano expressam constantemente a preocupação com o (idoso) cuidado10. Nesse sentido, o cuidado é uma forma de “ser-no-mundo”.17 Como tal, o cuidar implica não apenas uma função, tarefa ou atividade, mas possui valor substantivo que traz em si uma alteridade que envolve respeito, sacralidade, reciprocidade e complementaridade. 

Este ato, cuidar, é comum a todas as culturas, embora suas formas de expressão possam ser as mais variadas. Se buscarmos um ponto em comum a todos os povos, quanto ao contexto em que ocorre o cuidar, verificaremos que este parece ser a família. Esta instituição é quem tem se colocado de forma mais efetiva para executar o cuidado com o (seu) idoso, ou quando não o faz diretamente, assumindo a responsabilidade pela decisão do ato de institucionalizar este cuidado, repassa a tarefa a outro agente social, diante desta dificuldade e/ou impossibilidade de fazê-lo. 

Esta situação foi observada no estudo realizado pelo SABE,18 no qual se verificou uma aceleração da dependência do idoso, com considerável proporção destes indivíduos demandando ajuda para realizar as tarefas diárias ligadas a sua sobrevivência, implicando necessidade de companhia para os arranjos domiciliares. Logo, um grande número de idosos demandou a presença de um acompanhante na residência para garantir sua integridade física e/ou, psíquica. Nesse sentido, a quem cabe o apoio, se não à família, a alguém, pago pela família (cuidador) ou a uma instituição pensada pela família? Reforçando a tese sobre o que se verifica nas diferentes culturas, quanto ao cuidado ser de responsabilidade da família, a resposta é óbvia. Por isso, a necessidade de instrumentalizar essa família para fazê-lo.1 

Em sua essência, o ato do cuidar está contido em uma relação de obrigação e de responsabilidade para com a pessoa dependente e nas relações de proximidade e intimidade que a situação envolve. Esse papel se baseia em questões sociais de parentesco, gênero e idade, sendo o ato de desempenhar o papel de cuidador uma norma social influenciada pelos eventos socioculturais vivenciados. Assim, o sentimento de cumprimento de normas sociais – tais como reciprocidade e dever moral – e a necessidade de autopreservação, na busca por se evitar sentimentos de culpa, além da relação de empatia e ligação afetiva entre os indivíduos, são alguns dos fatores que levam um adulto a cuidar de alguém idoso.19 

Estando a tarefa do cuidar baseada em expectativas sociais, desempenhá-la bem pode significar reconhecimento social, melhora na autoestima e no senso de realização pessoal do cuidador. Esta afirmativa fica evidenciada quando a reflexão se dá num contexto que considera os arranjos domiciliares que se instituem no sentido de referendar a necessidade em realizar o que se espera da família no cuidado com seu idoso. 

Em outras palavras, como a família como um todo cuida do seu idoso? Como ocorrem os arranjos intergeracionais visando a atender a esta demanda? A qual(is) membro(s) da família cabe, ou por qual(is) membro(s) da família é assumida essa incumbência? Numa resposta geral a essas questões, verificamos em vários estudos a participação, única ou coletiva, de filho(a) e/ou, neto(a) nessa atividade. 

Cumprindo a tarefa do cuidar, o cuidador passa, ou poderia passar, a sentir-se bem porque consegue fazer aquilo que se esperava dele em determinado momento de sua vida. No entanto, quando a tarefa perdura por muito tempo ou exige recursos de que ele, cuidador, não dispõe, este passa a sentir-se sobrecarregado. O indivíduo começa então a não mais perceber os aspectos positivos envolvidos nessa relação, na atividade de cuidar, e passa a achar que está somente “dando” e nada recebendo em “troca”, ou mesmo que aquilo que “recebe” é pouco se comparado à “doação” que realiza.20 

Os dados apresentados pelo estudo SABE18 referendam diferentes estudos sobre a questão do cuidador, visto que esse sujeito passa a se sentir sobrecarregado e pouco recompensado diante de seu “sacrifício pessoal”.20Com isso, os conflitos se instituem neste grupo social, distanciando o compromisso familiar do cuidar e das necessidades individuais de cada membro familiar, pois nem sempre o ato de cuidar permeia ou permite a liberdade de decidir como, quando e quem é o responsável por fazê-lo. 

COMO SE DÁ O ATO DE “CUIDAR” 

Dentre as diferentes tarefas de cuidados, têm-se grande variação quanto ao que se exige do cuidador, considerando o esforço físico e mental exigido para sua execução. Algumas dessas tarefas podem ser exercidas apenas por uma única pessoa, enquanto outras podem requerer a ajuda de terceiros ou mesmo de equipamentos específicos. De acordo com a periodicidade, tarefas também podem ser classificadas dentre as que são realizadas diariamente, p. ex., as relativas a cuidados pessoais, e as que são realizadas esporadicamente, como o ato de levar o idoso a um médico. 

Deve-se considerar, ainda, que para cada tipo de tarefa há uma demanda específica e, consequentemente, uma diferente percepção quanto ao ônus, a qual pode ser conflituosa devido ao exercício concomitante de papéis familiares e profissionais pelo cuidador21. Esse aspecto também foi observado no estudo SABE.18 Nesse estudo, verificou-se que a cada atividade instrumental ou básica da vida diária, evidenciava-se claramente a ausência de autonomia que a família ou o indivíduo cuidador tem para decidir como, quando e quem subsidiará a realização de cada atividade para com o idoso. 

Por isso se faz premente realizar estudos na busca pela geração de informações concisas sobre como os envolvidos nesse processo podem administrar seu cotidiano individual e familiar no exercício do cuidar ou na decisão do transferir a responsabilidade do cuidado do idoso. 

Quatro elementos percebidos como dificuldades inerentes à tarefa do cuidar são evidenciados como a seguir21: (a) acarretam ônus físico e financeiro, o que tende a se agravar com a evolução da doença do idoso; (b) não disponibilidade de informações suficientes para exercer o ato do cuidar, além da existência de poucos recursos sociais de apoio e da escassez de profissionais especializados para dar suporte e poucas fontes de apoio emocional; (c) a tarefa de cuidar rivaliza com o trabalho profissional ou mesmo com o papel familiar desempenhado anteriormente pelos cuidadores; (d) a dinâmica “cuidar-ser-cuidado” pode fazer aflorar sentimentos negativos antigos que estavam guardados, tornando a situação de difícil manejo. 

A percepção do cuidador sobre o quanto estas tarefas estão afetando sua vida e sua rotina diária impõe consequências diretas sobre estas atividades, visto as avaliações subjetivas serem importantes determinantes da qualidade do cuidado proporcionado ao idoso. Por exemplo, cuidadores que se sentem sobrecarregados, injustiçados e/ou acumulando funções de mãe/pai, profissional e esposa/esposo tendem a desempenhar funções aquém de suas capacidades. 

Percebe-se que as demandas do cuidado atravessam os limites do esforço físico, mental, psicológico, social e econômico. Quando a família e o indivíduo não conseguem encontrar alternativas viáveis, ou quando as habilidades e os recursos pessoais e familiares são insuficientes para o manejo desta situação, há uma forte tendência para que ocorra desorganização, desestruturação, trazendo consequências negativas para todas as partes envolvidas – cuidador, idoso e família. 

A forma como a família e o cuidador em particular avaliam e manejam essa situação potencialmente conflituosa depende de muitos fatores. Dentre esses fatores, evidencia-se a existência de redes de apoio formais e informais e os recursos pessoais do cuidador. Nesses fatores também se incluem os conhecimentos e as habilidades para cuidar, as estratégias de enfrentamento, o significado do cuidar, a capacidade de manejo de situações estressantes, a forma de buscar conforto emocional, a religiosidade, a história do relacionamento com o idoso e a forma de encarar desafios e situações novas.22 

Como se pode observar, o contexto do “cuidar” é bastante complexo, envolvendo diversas variáveis, incluindo os aspectos positivos associados ao cumprimento das tarefas e da execução do papel de cuidar. Para poder prestar uma assistência efetiva e adequada aos cuidadores, tem-se a necessidade de considerar todos os componentes envolvidos, incluindo as diferentes variáveis associadas a este processo e sua elevada importância, de maneira a não criar distorções que possam estabelecer preconceitos sobre a velhice e o cuidar neste novo campo da pesquisa científica. 

Dentre as distorções a serem evitadas, é preciso inicialmente desconsiderar do contexto das pesquisas a visão errônea apontando a relação “cuidador-cuidado” somente como fonte de experiências negativas na dimensão física e emocional do cuidador e de que tais vivências sejam uma consequência direta e necessária da dependência do idoso. 

CUIDADORES E QUALIDADE DE VIDA 

As tarefas atribuídas ao cuidador do idoso – muitas vezes sem orientação adequada e o suporte das instituições de saúde – e alterações das rotinas e o tempo despendido no cuidado podem afetar sua qualidade de vida.23 

Em 1999, quando da promulgação da Política Nacional de Saúde do Idoso (PNSI), foi recomendado que os cuidadores também deveriam receber cuidados especiais, considerando que a tarefa de cuidar de um idoso dependente é desgastante e implica riscos de tornar doente e igualmente dependente o cuidador.24 Tendo em vista os impactos que o cuidar de um idoso dependente acarreta sobre o cuidador, é de se esperar que a qualidade de vida deste seja afetada negativamente por tais circunstâncias.25 No entanto, essas necessidades de saúde dos cuidadores, mesmo reconhecidas pelos programas de saúde do idoso, são frequentemente negligenciadas pelos serviços de saúde. 

Avaliando estas questões, temos como causas do cenário do cuidador doméstico modificações decorrentes de mudanças sociais, históricas e políticas, tais como: (a) aumento no número de separações, divórcios e novas uniões, o que poderá acarretar, no futuro, um grande número de idosos sozinhos ou com estruturas familiares complexas que dificultem a identificação do cuidador e a organização do cuidado por este prestado; (b) instabilidade do mercado de trabalho e movimentos migratórios nacionais e internacionais em busca de oportunidades de trabalho, levando muitas pessoas a envelhecerem sem a presença de seus filhos por perto; (c) participação crescente da mulher no mercado de trabalho, o que modifica sua condição de cuidadora em razão dos serviços que habitualmente realiza no domicílio.23 

Neste sentido, os diferentes estudos apresentados evidenciaram que mais pesquisas precisam ser desenvolvidas para compreender de forma mais clara o contexto e o cotidiano do indivíduo cuidado e do seu cuidador, a fim de se reduzir o estresse dentro do processo de tomada de decisão na família diante do processo do envelhecimento. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Esta revisão bibliográfica buscou enfatizar uma temática de grande importância para o processo de envelhecimento do Estado brasileiro, qual seja, o estudo dos conflitos entre o cuidar e ser cuidado. Considera o processo decisório que este envolve dentro do âmbito familiar, em função do envelhecimento de seus membros, em especial os arranjos familiares que se constroem na perspectiva de atender melhor este indivíduo que necessita de cuidados, seja no âmbito familiar ou em instituiçöes especializadas. 

Esta área de pesquisa ganhou relevância na medida em que o envelhecimento é compreendido de forma macro dentro do universo familiar, e a mesma é “empoderada” de maneira a atuar como agente de suas próprias mudanças e decisões. Acredita-se ainda que a melhor compreensão de todo o contexto por parte dos familiares envolvidos possa subsidiar a sedimentação de políticas sociais para relações de cuidado mais condizentes com a realidade vivenciada. 

Tudo isto se fará necessário pelo fato de que, atualmente, as famílias são levadas a definir seus arranjos familiares priorizando a situação do “cuidador”, ou na impossibilidade de este ser efetivado, optando pela institucionalização do membro familiar idoso. Sendo assim, avaliar este processo decisório e todos os conflitos que são construídos no âmbito familiar, desde a questão econômica até a revisão de valores sociais e pessoais, permitirá compreender melhor o efeito do envelhecimento no âmbito da família. 

Ainda como questões que precisam ser mais bem discutidas nas pesquisas sobre a referida temática, percebe-se: (a) a necessidade de compreender melhor as características socioeconômicas das famílias que estão vivenciando a situação de envelhecimento de seus membros; (b) a compreensão das decisões familiares advindas do processo de envelhecimento; (c) como essas decisões reduzem ou não os conflitos; (d) qual a influência dos arranjos familiares na qualidade de vida dos envolvidos; (e) como ocorre o processo de tomada de decisão para estruturação dos arranjos domiciliares. 

Estas reflexões ainda pouco exploradas na literatura sobre a referida temática – qual seja, envelhecimento populacional e relações de cuidado – e se fazem emergentes para que, num futuro próximo, possamos ter dados mais eficazes para a construção de políticas sociais para o idoso, considerando a ampliação de sua autonomia e independência no mundo social, bem como serviços de suporte aos cuidadores familiares. 

A meta mundial para o estudo do envelhecimento é preparar o indivíduo para envelhecer de maneira que este tenha condições de saúde (física, psicológica e cognitiva), condições econômicas e arranjos familiares com maior poder de decisão sobre o processo de envelhecimento em si. Como aspecto positivo dessa preparação para o envelhecimento, acredita-se que haverá menos consequências negativas sobre o processo decisório do indivíduo e das famílias envolvidas na ação de cuidar e ser cuidado e por conseguinte, assegurar a saúde dos envolvidos nesse cotidiano. 

Os estudos existentes sobre a atividade do cuidar têm evidenciado a tendência de adoecimento dos envolvidos, ou seja, o cuidador, pois é vista como desgastante e estressante física e psicologicamente, muitas vezes pelo fato de o cuidador não ter garantias do aporte cotidiano na comunidade e da própria família para que o cuidado aconteça. 

REFERÊNCIAS 

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Extraído de: http://revista.unati.uerj.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-98232011000200015&lng=es&nrm=iso&tlng=pt