21.1.11

III curso de especialização de nutrição em gerontologia - Instituto Central do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP

Instituto Central do Hospital das Clínicas



Encontram-se abertas as inscrições para o III curso de especialização de nutrição em gerontologia, a ser promovido pela Divisão de Nutrição e Dietética e pelo Serviço de Geriatria do Instituto Central do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo.

Com carga horária de 360 horas, as aulas acontecerão de 15 de março a 29 de novembro de 2012, duas vezes por semana, no horário das 18h00 às 20h30, nas dependências do Instituto Central do HC, à Av. Enéas de Carvalho Aguiar, 255, próxima à estação do Metrô Clínicas.

O objetivo dos organizadores é qualificar profissionais para atuar junto à pacientes idosos, com disfunções nutricionais em vários níveis de gravidade clínica, bem como enfatizar a promoção da saúde no envelhecimento.
 
As inscrições vão até o dia 04 de fevereiro. Mais informações pelo telefone: 3069.6332 ou e-mail: elci.fernandes@hotmail.com.

17.1.11

Depressão: Homens deixam de esconder ‘fraqueza’ emocional e estudos atuais questionam dados de que a doença atinge mais mulheres do que os representantes do sexo masculino

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Operador de ceifadeira Carlos, 38 anos, sentiu que algo não ia bem aos 21 anos. Passou a desmaiar e o diagnóstico foi de solitária no cérebro. O problema clínico desencadeou quadro depressivo em Carlos, que a partir de então passou a evitar a família, foi morar sozinho e perdeu o contato com amigos.

“Senti que minha vida tinha acabado. Uma tristeza imensa se abateu sobre mim.”

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) para cada homem com quadro depressivo, há duas mulheres.

Mas essa prevalência de sexo é questionada. Estudos sobre hereditariedade relativos à depressão, comandados pelo pesquisador americano Patrick Sulivan, mostram controvérsias quanto a diferenças devidas ao gênero, e há pelo menos uma revisão que não verificou distinções entre os sexos.

Há 4 anos, o operador de ceifadeira ateou fogo em si e sofreu queimaduras em 72% do corpo. Mais um motivo para a depressão se instalar de vez em Carlos. “As sequelas não me deixam mais trabalhar.”

A depressão chegou de mansinho para Pedro (os nomes são fictícios). Num dia, acordou desanimado e sem vontade de sair da cama. No outro, sentiu sensação de culpa e vontade de chorar sem motivos aparentes.

“A depressão era considerada uma fraqueza. Por isso, o tratamento era procurado mais por mulheres. O que percebemos é que a prevalência se equipara”, diz Maria das Graças Nahaes, assistente social do Hospital Bezerra de Menezes de Rio Preto.

População adulta sofre com problema mental

Cerca de 20% da população adulta têm problemas mentais graves: 4,5% sofre com depressão moderada, 1,5% depressão grave, 2% com transtorno bipolar, 2% com fobia social grave, 0,5% com esquizofrenia, 8% com alcoolismo e 1,5% com Transtorno Obsessivo Compulsivo grave.

Homens comentem mais suicídio no país

Entre as mulheres, a taxa oficial de suicídio é de 1,9. Já entre os homens é de 7,1 a cada 100 mil habitantes, mostra estudo da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Evolução no tratamento da doença

Não é fácil falar abertamente sobre depressão, apesar de ser uma doença descrita há quase três mil anos. É que há um misto de desconhecimento e preconceito, principalmente quando o assunto é tratamento.

Segundo Frederico Navas Demétrio, psiquiatra do Grupo de Estudos de Doenças Afetivas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), os medicamentos para o combate à depressão têm evoluído ao longo dos anos.

“Os antidepressivos da terceira geração, conhecidos como Duais, atuam no organismo de maneira mais eficaz, com diminuição dos efeitos colaterais”, diz.

Segundo ele, nas últimas duas décadas, os antidepressivos ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina), conhecidos como de segunda geração, foram os mais prescritos.

“Os ISRS mostram eficácia com menores índices de eventos adversos observados nos antidepressivos de primeira geração (chamados de tricíclios, responsáveis pelo baixo índice de adesão ao tratamento). No entanto, quando se compara os ISRS aos Duais, estes últimos conseguem um incremento na eficácia do tratamento por atuar também na noradrenalina, além da serotonina”, diz.

Atividades físicas

Além dos antidepressivos, o médico afirma que é importante a prática de atividades físicas, pois liberam endorfina (substância que causa sensação de alegria e bem-estar).
“Isso acontece porque o cérebro de um paciente com depressão apresenta alterações químicas que precisam ser equilibradas, principalmente no sistema nervoso que é responsável pelos níveis de humor, alegria, tristeza, energia e interesse”, afirma.
O psiquiatra diz que é preciso rever o modo como a sociedade lida com pessoas com depressão. “O preconceito só faz o quadro depressivo piorar, o que torna o tratamento mais difícil e demorado”, diz Frederico.

Diagnóstico

O psiquiatra Kalil Duailibi, coordenador da Universidade de Santo Amaro, em São Paulo, afirma que não tem como saber se o paciente tem depressão por meio de um exame específico.
Segundo o psiquiatra, mais do que admitir para si que está com depressão, o paciente tem dificuldades em se adaptar aos tratamentos que podem durar meses ou anos de terapia e medicamentos que, dependendo da composição, causam efeitos colaterais.

“O tratamento da depressão deve continuar até o desaparecimento dos sintomas. Caso contrário, pode haver recaídas do paciente. É importante ressaltar que não falamos em cura, mas em remissão da doença. Nada pode garantir que a pessoa não sofrerá com isso novamente”, diz o psiquiatra.

Idosos

O geriatra Paulo Renato Canineu, professor da PUC de São Paulo, lida com um paciente com tipo específico de depressão: a do idoso.

“A depressão na fase de envelhecimento vem acompanhada de outras doenças como diabetes, osteoporose, neoplasias, insuficiência coronária e outras. É preciso cuidado para a combinação de medicações não prejudicar o paciente”, afirma.

O geriatra diz que os idosos, inclusive da quarta idade (acima dos 85 anos), devem assumir o envelhecimento como realidade de vida, desmitificar o envelhecimento, começar ou dar continuidade a atividades na sociedade, na família e no trabalho. “Os idosos não devem deixar de fazer exercício, além de manter os sonhos e os objetivos”, diz.

O amor na maturidade por Filipe de Paiva

Namorar é bom mas não é fácil, reza o senso comum. É preciso ajustar aqui, aparar acolá, ponderar mais adiante, reconhecer se o par é o ideal. Se não, adiante. Para os jovens pode não ser tão complicado. Mas, em idades mais avançadas, a experiência acumulada é fonte quase certa de insegurança. De onde vem o medo e como acertar o passo na jornada por um novo amor? A resposta pode estar no equilíbrio do ego, defende especialista.
Às explicações iniciais: o ego é o “eu” de uma pessoa, seu ponto de vista único, diferente dos demais, e tem como vizinhos o id – a soma dos impulsos e desejos, sempre em busca do prazer imediato – e o superego, que avalia as questões morais, dialoga com o mundo externo e cuida para que as vontades não levem ao caos. Cabe ao ego tentar manter seus dois vizinhos satisfeitos e ainda tomar conta de si próprio. “A tarefa não é fácil! Daí as culpas, as incertezas, as reticências, as ponderações”, diz o psicólogo Guilherme Olivier, especialista em psicoterapia psicanalítica.
É preciso abraçar o ego e encorajá-lo a se expandir mais. Este processo amplia o autoconhecimento e dá mais autoconfiança. “O Ego é cheio de boas intenções”, defende Olivier. Um ego equilibrado pode preparar o terreno para o namoro após o fim de um relacionamento importante e será um grande atrativo para os pretendentes. Quem não se sente bem perto de uma pessoa que se conheça a fundo, saiba o que quer e goste de si mesma? Se o ego não está lá muito forte, aqui vão algumas dicas para usar todo o seu potencial sem perder o controle e torná-lo um aliado do amor.

Não existe nada de errado em alimentar o ego. O problema começa é se o ego estiver inflado – o que pode ser relacionado a atitudes ruins. “Aquelas pessoas que ‘se acham’, que olham o semelhante por cima e, quiçá, nem o consideram”, diz Olivier. Daí a importância de manter o ego equilibrado e buscar reconhecer os limites que existem, por exemplo, entre a autoconfiança e a prepotência. “Este ‘ego inflado’ na realidade padece da pobreza de não ver que, no mundo, ele está com os outros e que nem sempre as suas necessidades serão prontamente atendidas”, explica o psicólogo.

Se o ser humano fosse uma empresa, o ego seria seu presidente. Ele pode ser um verdadeiro guerreiro protegendo as entradas do corpo, da mente e do coração, influenciando nas decisões que são tomadas. Mas quando ele é agredido, como depois do fim de um relacionamento, ele pode se transformar em um vigarista astuto e destrutivo. Se as decisões tomadas são muito extremas, é preciso fazer uns ajustes no presidente da empresa, ou ela pode acabar falindo. Segundo Olivier, o ego pode se tornar um vilão quando passa a intermediar o id e o superego ferido, temeroso e cheio de suspeitas – seja com ele mesmo, seja com os outros.
O ego também funciona como o administrador das finanças da empresa. Ele julga ganhos como coisas boas e perdas como coisas ruins. Mas a natureza não distingue e fez a vida cheia de conquistas e decepções. Para lidar bem com isto, uma ótima estratégia é tentar ver sempre os dois lados de cada situação, julgando o menos possível. “Isto não é fácil, é coisa de gente grande”, brinca Olivier. Este exercício ensina a aceitar o que a vida dá e o que ela tira, preparando para os altos e baixos dos relacionamentos que estão por vir.

Egocentrismo não faz bem a ninguém. Quando o ego está em equilíbrio, as expectativas que se tem para um relacionamento e as formas de expressá-las são saudáveis. Mas mania de controlar tudo que está ao redor e achar que se está sempre certo podem destruir uma relação – ou simplesmente impedir o começo de uma nova. Neste caso, é bom pisar no freio do ego e trabalhar para que ele se acalme e se controle. “Perceber que estamos no mundo e que nele devemos fazer história, independentemente da idade, é o melhor controle para o egocentrismo”, ressalta Olivier.

A confiança está diretamente ligada ao ego. “É fundamental ao ego que ele possa confiar em si e, obviamente, nos outros”, diz o psicólogo. Insistir em dar muito valor às próprias opiniões e menosprezar as alheias pode tornar a confiança – essencial para qualquer relacionamento – difícil de ser construída. Quanto mais se praticar a humildade, mais saudável será o ego. Assim confiar fica mais fácil e a porta do amor se abre.
Além dos limites impostos pelo id e pelo superego, o ego precisa ser contido pela própria pessoa. Sem uma barreira psicológica uma pessoa é facilmente absorvida pela definição que os outros têm dela, prejudicando sua própria visão de si mesma. Entender o ego fortalece a capacidade de compreender os próprios sentimentos e os alheios. Revelar estes sentimentos não apenas ajudam na auto definição como também dão apoio para descobrir que há pouco – ou nada – a temer no processo de se estudar e analisar. “Esta é a importância de limitar o ego e deixá-lo em harmonia com os outros egos que estão por aí”, explica Olivier. E nada melhor para harmonizar os egos que um bom diálogo com o parceiro.

Conflitos podem colocar o ego em perspectiva. Parece estranho, mas um conflito pode ser a chave para uma intimidade mais forte. “Como conciliar o que queremos com as interdições que são da vida? A maturidade é brilhante porque ela compreendeu bem este diálogo... Eis a sabedoria”, exalta Olivier. Conflitos criam, sim, dor e desconforto, mas deixar levar o ego a lutar contra estes sentimentos ruins ajudará a fortalecer a aproximação, dando maiores chances de sucesso à relação. “O que faz bem a um relacionamento é que um ego possa dialogar com o outro”, defende o psicólogo. Quem diz que o diálogo é a chave de qualquer relação sabe do que está falando.
Autor: Filipe de Paiva
Fonte: Maisde50