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30.6.11

A doença invisível

Jornal do Brasil/Gláucio Soares* 

O médico Richard Besdine escreveu um pequeno artigo chamado Late-Life Depression: Coming Out of the Shadows no início do ano. A versão AOL do artigo começa perguntando se você pode resolver uma charada: o que é que afeta um em cada cinco americanos, aumenta o risco de morte e de incapacitação e duplica seus gastos com a saúde? 

Muitos pensam em câncer ou doenças do coração, mas a resposta é dupla: depressão e coração. Essas duas doenças têm muito em comum: 

• Muitas vezes não são notadas e, com menor freqüência são diagnosticadas; 

• Com menor freqüência ainda, são tratadas; 

• Essas deficiências na detecção e tratamento são ainda mais graves entre os idosos. 

O pior inimigo das pessoas com depressão é tanto cognitivo quanto atitudinal. A maioria dos brasileiros não sabe o que é depressão. Outra grande ameaça vem da “normalização”, de achar que é normal que idosos e/ou doentes estejam deprimidos. 

Esta incompreensão do que é depressão, do que é doença e do que são a Terceira e a Quarta idades permite muito sofrimento e muitas mortes, além do absolutamente inevitável. Os brasileiros poderiam sofrer e morrer menos. 

Não há dúvida de que alguns aspectos da velhice, como o aumento das doenças crônicas, a morte (com efeito cumulativo) de parentes e amigos, e o crescente número de atividades que não podem mais ser feitas levam muitos a achar que é normal que os “velhos” sejam deprimidos. 

Mas, olha a surpresa: pessoas mais jovens sofrem de depressão com maior freqüência e intensidade do que os idosos. E, acredite ou não, os idosos desenvolveram maneiras mais numerosas e eficientes de lidar com problemas que poderiam causar depressão. Um dado: a pobreza pode multiplicar a depressão tanto em idosos quanto na população jovem e adulta. 

O que provoca a depressão? Uma surpresa: pesquisadores na Washington University School of Medicine em St. Louis e no King's College em Londres chegaram à mesma conclusão: geneticamente, há uma combinação no DNA no cromossoma 3 associado com a depressão. 

Uma de cada cinco pessoas padece de depressão séria na vida. O que diferencia a que padece das outras quatro? A análise da família revelou um histórico de depressão em muitos dos que enfrentaram essa doença, mas em poucos dos que não a enfrentaram. Há uma região no DNA com noventa genes onde parece que essa predisposição se origina. 

Mas, cuidado: muitos com predisposição genética não se deprimem e alguns sem ela ficam deprimidos. Não são populações “determinadas” pela genética a ter ou a não ter a depressão. Esses dois artigos acabam de ser publicados no American Journal of Psychiatry. 

A “normalização” da depressão mata muita gente, não apenas através do suicídio, talvez a primeira causa que venha à cabeça de muita gente, não é a mais importante. Quem teve um ataque cardíaco e sofre com uma depressão tem um risco de morte quatro vezes maior do que os que também tiveram um ataque cardíaco, mas não sofrem (ou sofreram e já controlaram) de uma depressão. Quatro vezes, 400%, não é pouco. 

E há custos: no Brasil, os pobres que padecem de depressão raramente são tratados e sofrem e morrem como moscas. Nos Estados Unidos, onde uma proporção mais elevada recebe tratamento, o custo da depressão anda beirando os cem bilhões de dólares por ano – bilhões mesmo, não milhões. O equivalente à soma do PIB da Bolívia, do Equador e do Paraguai!!! 

É melhor começar a enxergar. 

* Cientista político (Iesp/Uerj)

11.3.11

Informações sobre a Doação de Medula Óssea

Passo a passo para se tornar um doador

¿ Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde poderá doar medula óssea. Esta é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, e se recompõe em apenas 15 dias.

¿ Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente.

¿ Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante.

¿ Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação. 

¿ Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as células do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de UMA EM CEM MIL! 

¿ Por isso, são organizados Registros de Doadores Voluntários de Medula Óssea, cuja função é cadastrar pessoas dispostas a doar. Quando um paciente necessita de transplante e não possui um doador na família, esse cadastro é consultado. Se for encontrado um doador compatível, ele será convidado a fazer a doação. 

¿ Para o doador, a doação será apenas um incômodo passageiro. Para o doente, será a diferença entre a vida e a morte. 

¿ A doação de medula óssea é um gesto de solidariedade e de amor ao próximo. 

¿ É muito importante que sejam mantidos atualizados os dados cadastrais para facilitar e agilizar a chamada do doador no momento exato. Para atualizar o cadastro, basta preencher este formulário.

Caso você decida doar

1. Você precisa ter entre 18 e 55 anos de idade e estar em bom estado geral de saúde (não ter doença infecciosa ou incapacitante). 

2. Onde e quando doar
É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos Hemocentros nos estados. No Rio de Janeiro, além do Hemorio, o INCA também faz a coleta de sangue e o cadastramento de doadores voluntários de medula óssea de segunda a sexta-feira, de 7h30 às 14h30, e aos sábados, de 8h às 12h. Não é necessário agendamento. Para mais informações, ligue para (21) 2506-6064.

3. Como é feita a doação
Será retirada por sua veia uma pequena quantidade de sangue (5ml) e preenchida uma ficha com informações pessoais. 

Seu sangue será tipificado por exame de histocompatibilidade (HLA), que é um teste de laboratório para identificar suas características genéticas que podem influenciar no transplante. Seu tipo de HLA será incluído no cadastro. 

Seus dados serão cruzados com os dos pacientes que precisam de transplante de medula óssea constantemente. Se você for compatível com algum paciente, outros exames de sangue serão necessários. 

Se a compatibilidade for confirmada, você será consultado para confirmar que deseja realizar a doação. Seu atual estado de saúde será avaliado. 

A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas. Nos primeiros três dias após a doação pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples. Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana.

Importante
Um doador de medula óssea deve manter seu cadastro sempre atualizado. Caso haja alguma mudança, preencha este formulário.

O Transplante de Medula Óssea é a única esperança de cura para muitos portadores de leucemias e outras doenças do sangue. 

Perguntas e Respostas sobre Transplante de Medula Óssea 

O que é medula óssea?
É um tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecida popularmente por 'tutano'. Na medula óssea são produzidos os componentes do sangue: as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas. As hemácias transportam o oxigênio dos pulmões para as células de todo o nosso organismo e o gás carbônico das células para os pulmões, a fim de ser expirado. Os leucócitos são os agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo e nos defendem das infecções. As plaquetas compõem o sistema de coagulação do sangue.

Qual a diferença entre medula óssea e medula espinhal?
Enquanto a medula óssea, como descrito anteriormente, é um tecido líquido que ocupa a cavidade dos ossos, a medula espinhal é formada de tecido nervoso que ocupa o espaço dentro da coluna vertebral e tem como função transmitir os impulsos nervosos, a partir do cérebro, para todo o corpo.

O que é transplante de medula óssea?
É um tipo de tratamento proposto para algumas doenças que afetam as células do sangue, como leucemia e linfoma. Consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula saudável. O transplante pode ser autogênico, quando a medula vem do próprio paciente. No transplante alogênico a medula vem de um doador. O transplante também pode ser feito a partir de células precursoras de medula óssea, obtidas do sangue circulante de um doador ou do sangue de cordão umbilical.


Quando é necessário o transplante?
Em doenças do sangue como a Anemia Aplástica Grave, Mielodisplasias e em alguns tipos de leucemias, como a Leucemia Mielóide Aguda, Leucemia Mielóide Crônica, Leucemia Linfóide Aguda. No Mieloma Múltiplo e Linfomas, o transplante também pode ser indicado. 
Anemia Aplástica: É uma doença que se caracteriza pela falta de produção de células do sangue na medula óssea. Apesar de não ser uma doença maligna, o transplante surge como uma saída para 'substituir' a medula improdutiva por uma sadia.

Leucemia: É um tipo de câncer que compromete os glóbulos brancos (leucócitos), afetando sua função e velocidade de crescimento. Nesses casos, o transplante é complementar aos tratamentos convencionais.


Como é o transplante para o doador?
Antes da doação, o doador faz um rigoroso exame clínico incluindo exames complementares para confirmar o seu bom estado de saúde. Não há exigência quanto à mudança de hábitos de vida, trabalho ou alimentação. A doação é feita em centro cirúrgico, sob anestesia, e tem duração de aproximadamente duas horas. São realizadas múltiplas punções, com agulhas, nos ossos posteriores da bacia e é aspirada a medula. Retira-se um volume de medula do doador de, no máximo, 15%. Esta retirada não causa qualquer comprometimento à saúde. Leia mais sobre a doação de medula.


Como é o transplante para o paciente?
Depois de se submeter a um tratamento que ataca as células doentes e destrói a própria medula, o paciente recebe a medula sadia como se fosse uma transfusão de sangue. Essa nova medula é rica em células chamadas progenitoras que, uma vez na corrente sangüínea, circulam e vão se alojar na medula óssea, onde se desenvolvem. Durante o período em que estas células ainda não são capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente para manter as taxas dentro da normalidade, o paciente fica mais exposto a episódios infecciosos e hemorragias. Por isso, deve ser mantido internado no hospital, em regime de isolamento. Cuidados com a dieta, limpeza e esforços físicos são necessários. Por um período de duas a três semanas, o paciente necessitará ser mantido internado e, apesar de todos os cuidados, os episódios de febre muito comuns. Após a recuperação da medula, o paciente continua a receber tratamento, só que em regime ambulatorial, sendo necessário em alguns casos o comparecimento diário ao Hospital-dia.


Quais os riscos para o paciente?
A boa evolução durante o transplante depende de vários fatores: o estágio da doença (diagnóstico precoce), o estado geral do paciente, boas condições nutricionais e clínicas, além, é claro, do doador ideal. Os principais riscos se relacionam às infecções e às drogas quimioterápicas utilizadas durante o tratamento. Com a recuperação da medula, as novas células crescem com uma nova 'memória' e, por serem células da defesa do organismo, podem reconhecer alguns órgãos do indivíduo como estranhos. Esta complicação, chamada de doença enxerto contra hospedeiro, é relativamente comum, de intensidade variável e pode ser controlada com medicamentos adequados. No transplante de medula, a rejeição é rara.


Quais os riscos para o doador?
Os riscos são poucos e relacionados a um procedimento que necessita de anestesia, sendo retirada do doador a quantidade de medula óssea necessária (menos de 15%). Dentro de poucas semanas, a medula óssea do doador estará inteiramente recuperada. Uma avaliação pré-operatória detalhada verifica as condições clínicas e cardiovasculares do doador visando a orientar a equipe anestésica envolvida no procedimento operatório.

O que é compatibilidade?
Para que se realize um transplante de medula é necessário que haja uma total compatibilidade entre doador e receptor. Caso contrário, a medula será rejeitada. Esta compatibilidade é determinada por um conjunto de genes localizados no cromossoma 6, que devem ser iguais entre doador e receptor. A análise de compatibilidade é realizada por meio de testes laboratoriais específicos, a partir de amostras de sangue do doador e receptor, chamados de exames de histocompatibilidade. Com base nas leis de genética, as chances de um indivíduo encontrar um doador ideal entre irmãos (mesmo pai e mesma mãe) é de 25%.

O que fazer quando não há um doador compatível?
Quando não há um doador aparentado (geralmente um irmão ou parente próximo, geralmente um dos pais), a solução para o transplante de medula é fazer uma busca nos registros de doadores voluntários, tanto no REDOME (o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea) como nos do exterior. No Brasil a mistura de raças dificulta a localização de doadores compatíveis. Mas hoje já existem mais de 12 milhões de doadores em todo o mundo. No Brasil, o REDOME tem mais de 1 milhão e 400 mil  doadores.

O que é o REDOME?
Para reunir as informações (nome, endereço, resultados de exames, características genéticas) de pessoas que se voluntariam a doar medula para pacientes que precisam do transplante foi criado o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME), instalado no Instituto Nacional de Câncer (INCA). Um sistema informatizado cruza as informações genéticas dos doadores voluntários cadastrados no REDOME com as dos pacientes que precisam do transplante. Quando é verificada compatibilidade, a pessoa é convocada para realizar a doação. 

Doação de Medula Óssea
O número de doadores voluntários tem aumentado expressivamente nos últimos anos. Em 2000, existiam apenas 12 mil inscritos. Naquele ano, dos transplantes de medula realizados, apenas 10% dos doadores eram brasileiros localizados no Redome. Agora há 1,6 milhão de doadores inscritos e o percentual subiu para 70%. O Brasil tornou-se o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, ficando atrás apenas dos registros dos Estados Unidos (5 milhões de doadores) e da Alemanha (3 milhões de doadores). A evolução no número de doadores deveu-se aos investimentos e campanhas de sensibilização da população, promovidas pelo Ministério da Saúde e órgãos vinculados, como o INCA. Essas campanhas mobilizaram hemocentros, laboratórios, ONGs, instituições públicas e privadas e a sociedade em geral. Desde a criação do REDOME, em 2000, o SUS já investiu R$ 673 milhões na identificação de doadores para transplante de medula óssea. Os gastos crescerem 4.308,51% de 2001 a 2009.  

Quantos hospitais fazem o transplante no Brasil?
São 61 centros para transplantes de medula óssea e 17 para transplantes com doadores não-aparentados: Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco, Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ), INCA, Hospital das Clínicas Porto Alegre, Casa de Saúde Santa Marcelina, Boldrini, GRAAC, Escola Paulista de Medicina - Hospital São Paulo, Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), Hospital AC Camargo, Fundação E. J. Zerbini, Hospital de Clínicas da UNICAMP, Hospital Amaral Carvalho, Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Sírio Libanês.

Quantos transplantes o INCA faz por mês?
A média é de dois transplantes com doadores não-aparentados. Mensalmente são realizados sete transplantes do tipo autólogo (de uma pessoa para si mesma) e com doador aparentado. 

O que a populãção pode fazer para ajudar os pacientes?
Todo mundo pode ajudar. Para isso é preciso ter entre 18 e 55 anos de idade e gozar de boa saúde. Para se cadastrar, o candidato a doador deverá procurar o hemocentro mais próximo de sua casa, onde será agendada uma entrevista para esclarecer dúvidas a respeito das doações e, em seguida, será feita a coleta de uma amostra de sangue (5 ml) para a tipagem de HLA (características genéticas importantes para a seleção de um doador). Os dados do doador são inseridos no cadastro do REDOME e, sempre que surgir um novo paciente, a compatibilidade será verificada. Uma vez confirmada, o doador será consultado para decidir quanto à doação. O transplante de medula óssea é um procedimento seguro, realizado em ambiente cirúrgico, feito sob anestesia geral, e requer internação de, no mínimo, 24 horas. Saiba mais. 

Importante: um doador de medula óssea deve manter seu cadastro sempre atualizado. Caso haja alguma mudança de informação, preencha este formulário. 

REDOME - Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea 
Rua do Resende, 195, térreo - Centro - Rio de Janeiro / RJ
Telefone: (21) 3207-5238
e-mail: redome@inca.gov.br


CEMO
Praça Cruz Vermelha, 23, 7º andar - Centro
20230-130 - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2506-6215  Fax: (21) 2509-2121


Centro de Transplante de Medula Óssea (CEMO)

O Centro de Transplante de Medula Óssea (CEMO) foi criado em 1983 e hoje destaca-se como referência na área para o Ministério da Saúde. É um dos maiores centros no Brasil de tratamento de doenças no sangue como a anemia aplástica e a leucemia. O CEMO realiza transplantes de medula óssea alogênicos, com doadores aparentados e não-aparentados, além de autogênicos ou autólogos. Atende a pacientes do Rio de Janeiro e demais regiões do Brasil no âmbito do SUS. Por determinação do Ministério da Saúde, cabe ao CEMO a sede e o gerenciamento técnico do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea - REDOME e da Rede BrasilCord, que reúne Bancos Públicos de Células de Sangue de Cordão Umbilical. Centraliza ainda as consultas aos Registros internacionais de doadores de medula óssea para seleção e providências quanto ao fornecimento de material para os transplantes com doadores não-aparentados. Em 2009, o CEMO obteve o certificado de acreditação hospitalar de acordo com o Manual Internacional de Padrões de Certificação para o Cuidado a Doenças ou Condições Específicas da Joint Commission International.
O CEMO conta com as seguintes divisões e setores:
Divisão de Assistência Médica
Unidade de Pacientes Internos (UPI), que dispõe de 12 leitos instalados em ambiente alimentado por um sistema de filtragem especial do ar para a redução das partículas ambientais, visando minimizar o risco de infecções;
Unidade de Pacientes Externos - composta pelo Ambulatório e Hospital-Dia, que recebe os novos pacientes e é também responsável pelo acompanhamento dos pacientes transplantados. É composta de 6 consultórios multidisciplinares, sala de atendimento para crianças com 4 poltronas e sala de atendimento para adultos com 10 poltronas, além de dois leitos de isolamento e dois leitos de procedimentos;
Divisão de Enfermagem - coordena as atividades de assistência, ensino e pesquisa relacionadas aos enfermeiros do CEMO. Divisão de Apoio Técnico - atuação de forma multidisciplinar integrada. A Divisão reúne os serviços de Fisioterapia, Nutrição, Psicologia e Serviço Social.
Divisão de Laboratórios
Unidade laboratorial, que dá suporte aos transplantes, executando exames e procedimentos essenciais para a realização dos transplantes e acompanhamento dos pacientes e também é referência para pesquisas. Inclui os Laboratórios de Imunologia, Citogenética, Imunogenética, Biologia molecular, Células Tronco e Criobiologia;
Direção da Unidade
• Comissões Especiais:
- Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH)
- Prontuários
- Óbitos
• Núcleo de Informação Ensino e Pesquisa (NIEP)
• Secretaria Executiva
• Apoio Administrativo
• Comunicação
Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), criado em 1993 e coordenado pelo INCA desde 1998. O REREME – Registro Nacional de Receptores de medula Óssea (2004) e o RENACORD – Registro Nacional de Sangue de Cordão Umbilical (2008) também estão sob a responsabilidade direta do CEMO/INCA.
Banco de Células de Sangue de Cordão Umbilical (BSCUP), projeto elaborado em 1999 e inaugurado em 2001, iniciou suas atividades em 2002.

12.11.10

Radioterapia - O que é? Efeitos Colaterais

A radioterapia é um método capaz de destruir células tumorais, empregando feixe de radiações ionizantes. Uma dose pré-calculada de radiação é aplicada, em um determinado tempo, a um volume de tecido que engloba o tumor, buscando erradicar todas as células tumorais, com o menor dano possível às células normais circunvizinhas, à custa das quais se fará a regeneração da área irradiada.

As radiações ionizantes são eletromagnéticas ou corpusculares e carregam energia. Ao interagirem com os tecidos, dão origem a elétrons rápidos que ionizam o meio e criam efeitos químicos como a hidrólise da água e a ruptura das cadeias de ADN. A morte celular pode ocorrer então por variados mecanismos, desde a inativação de sistemas vitais para a célula até sua incapacidade de reprodução.

A resposta dos tecidos às radiações depende de diversos fatores, tais como a sensibilidade do tumor à radiação, sua localização e oxigenação, assim como a qualidade e a quantidade da radiação e o tempo total em que ela é administrada.

Para que o efeito biológico atinja maior número de células neoplásicas e a tolerância dos tecidos normais seja respeitada, a dose total de radiação a ser administrada é habitualmente fracionada em doses diárias iguais, quando se usa a terapia externa.


Radiossensibilidade e radiocurabilidade

A velocidade da regressão tumoral representa o grau de sensibilidade que o tumor apresenta às radiações. Depende fundamentalmente da sua origem celular, do seu grau de diferenciação, da oxigenação e da forma clínica de apresentação. A maioria dos tumores radiossensíveis são radiocuráveis. Entretanto, alguns se disseminam independentemente do controle local; outros apresentam sensibilidade tão próxima à dos tecidos normais, que esta impede a aplicação da dose de erradicação. A curabilidade local só é atingida quando a dose de radiação aplicada é letal para todas as células tumorais, mas não ultrapassa a tolerância dos tecidos normais.


Indicações da radioterapia

Como a radioterapia é um método de tratamento local e/ou regional, pode ser indicada de forma exclusiva ou associada aos outros métodos terapêuticos. Em combinação com a cirurgia, poderá ser pré-, per- ou pós-operatória. Também pode ser indicada antes, durante ou logo após a quimioterapia.

A radioterapia pode ser radical (ou curativa), quando se busca a cura total do tumor; remissiva, quando o objetivo é apenas a redução tumoral; profilática, quando se trata a doença em fase subclínica, isto é, não há volume tumoral presente, mas possíveis células neoplásicas dispersas; paliativa, quando se busca a remissão de sintomas tais como dor intensa, sangramento e compressão de órgãos; e ablativa, quando se administra a radiação para suprimir a função de um órgão, como, por exemplo, o ovário, para se obter a castração actínica.

Fontes de energia e suas aplicações

São várias as fontes de energia utilizadas na radioterapia. Há aparelhos que geram radiação a partir da energia elétrica, liberando raios X e elétrons, ou a partir de fontes de isótopo radioativo, como, por exemplo, pastilhas de cobalto, as quais geram raios gama. Esses aparelhos são usados como fontes externas, mantendo distâncias da pele que variam de 1 centímetro a 1 metro (teleterapia). Estas técnicas constituem a radioterapia clínica e se prestam para tratamento de lesões superficiais, semiprofundas ou profundas, dependendo da qualidade da radiação gerada pelo equipamento.

Os isótopos radioativos (cobalto, césio, irídio etc.) ou sais de rádio são utilizados sob a forma de tubos, agulhas, fios, sementes ou placas e geram radiações, habitualmente gama, de diferentes energias, dependendo do elemento radioativo empregado. São aplicados, na maior parte das vezes, de forma intersticial ou intracavitária, constituindo-se na radioterapia cirúrgica, também conhecida por braquiterapia.

Abaixo, estão relacionadas as diversas fontes usadas na radioterapia e os seus tipos de radiação gerada, energias e métodos de aplicação.

Fonte Tipo de radiação Energia Método de aplicação

Contatoterapia Raios X (superficial) 10 - 60 kV Terapia superficial

Roentgenterapia Raios X (ortovoltagem) 100 - 300 kV Terapia semiprofunda

Unidade de cobalto Raios gama 1,25 MeV Teleterapia profunda

Acelerador linear Raios X de alta energia e elétrons* 1,5 - 40 MeV Teleterapia profunda

Isótopos radioativos Raios gama e/ou beta Variável conforme o isótopo utilizado Braquiterapia

Os feixes de elétrons, na dependência de sua energia, podem ser utilizados também na terapia superficial

As unidades internacionalmente utilizadas para medir as quantidades de radiação são o röentgen e o gray. O röentgen (R) é a unidade que mede o número de ionizações desencadeadas no ar ambiental pela passagem de uma certa quantidade de radiação. Já o gray expressa a dose de radiação absorvida por qualquer material ou tecido humano. Um gray (Gy) corresponde a 100 centigrays (cGy).

Efeitos adversos da radioterapia

Normalmente, os efeitos das radiações são bem tolerados, desde que sejam respeitados os princípios de dose total de tratamento e a aplicação fracionada.

Os efeitos colaterais podem ser classificados em imediatos e tardios.

Os efeitos imediatos são observados nos tecidos que apresentam maior capacidade proliferativa, como as gônadas, a epiderme, as mucosas dos tratos digestivo, urinário e genital, e a medula óssea. Eles ocorrem somente se estes tecidos estiverem incluídos no campo de irradiação e podem ser potencializados pela administração simultânea de quimioterápicos. Manifestam-se clinicamente por anovulação ou azoospermia, epitelites, mucosites e mielodepressão (leucopenia e plaquetopenia) e devem ser tratados sintomaticamente, pois geralmente são bem tolerados e reversíveis.

Os efeitos tardios são raros e ocorrem quando as doses de tolerância dos tecidos normais são ultrapassadas. Os efeitos tardios manifestam-se por atrofias e fibroses. As alterações de caráter genético e o desenvolvimento de outros tumores malignos são raramente observados.

Todos os tecidos podem ser afetados, em graus variados, pelas radiações. Normalmente, os efeitos se relacionam com a dose total absorvida e com o fracionamento utilizado. A cirurgia e a quimioterapia podem contribuir para o agravamento destes efeitos.

Fonte: Inca

7.11.10

Doença de Parkinson

Dr. João Carlos Papaterra Limongi é médico neurologista, professor na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, sendo aqui entrevistado pelo Dr. Drauzio Varella
 
DrauzioOs familiares notam que a pessoa está mais lenta do que era antes?
João Carlos Papaterra Limongi – São os familiares que percebem primeiro os sintomas. O tremor nem tanto, mas a lentidão ou pobreza dos movimentos é a família que nota antes. Às vezes, a pessoa está andando ou, no caso de um atleta, correndo e mexe mais um braço do que o outro, contrariando o movimento de balanço automático próprio dos braços durante a marcha. Como Parkinson é uma doença que começa geralmente em um lado do corpo e só depois passa para o outro, é comum familiares e amigos notarem que o paciente balança só um dos braços e deixa o outro imóvel durante a caminhada ou a corrida.
Drauzio Às vezes, ele dá um passo maior com uma perna do que dá com a outra.
João Carlos Papaterra Limongi – Isso também faz parte do quadro, mas à medida que o processo progride, os dois passos ficam igualmente pequenos. Essa marcha a pequenos passos, que os franceses gostavam de chamar "marche a petit pas", é uma característica da doença de Parkinson importante para o diagnóstico. Além disso, à medida que os passos vão ficando mais curtos e menores, o paciente curva a cabeça e o tronco e joga o corpo para a frente. Essa flexão excessiva acaba gerando deslocamento do centro de gravidade e desequilíbrio e as quedas são freqüentes por conta disso.
  • Principais sintomas
    DrauzioQuais são os sintomas que caracterizam a doença de Parkinson?
    João Carlos Papaterra Limongi - Os sintomas da doença de Parkinson não são iguais em todos os pacientes. Em geral, no início, eles se apresentam de maneira lenta e insidiosa, quase tão imperceptível que fica difícil para o paciente, quando vai ao médico, precisar a época em que os sintomas se manisfestaram pela primeira vez.
    Entre todos, porém, o tremor é o sinal mais freqüente e que mais chama a atenção de pacientes e familiares. O curioso é que, embora seja o mais evidente, é o menos incapacitante. Às vezes, examinando uma pessoa com tremor intenso, verificamos que ela ainda é capaz de fazer muitas coisas na vida.
    O tremor da doença de Parkinson tem certas características. É o tremor de repouso que aparece, por exemplo, quando o paciente está com os braços parados, lendo jornal, e pode desaparecer rapidamente quando realiza um movimento voluntário qualquer.
    Drauzio Quer dizer que o tremor aparece quando a pessoa está quieta e distraída e desaparece quando ela faz um movimento ou executa um trabalho?
    João Carlos Papaterra Limongi – É isso mesmo, mas o tremor volta assim que ela termina o trabalho. É interessante notar que certos pacientes apresentam tremor nas mãos enquanto estão conversando conosco. Se lhe pedimos, porém, que tomem nota de alguma coisa, param de tremer, pegam lentamente a caneta e escrevem, às vezes, com letra um pouco tremida, mas escrevem. No entanto, finda essa atividade motora, o tremor retorna.
  • Alterações na caligrafia
    Drauzio Como fica a letra do doente com Parkinson?
    João Carlos Papaterra Limongi – A micrografia, ou seja, a redução do volume da letra, do tamanho da caligrafia, é um dos principais sintomas da doença de Parkinson. Em certos casos, os pacientes têm problemas com o banco que não aceita mais seus cheques, porque estranha a assinatura e eles precisam explicar que estão doentes e registrar nova assinatura para terem os cheques regularmente compensados.
    DrauzioO intrigante é que o paciente sabe que está escrevendo com letra pequena. Por que não consegue escrever com letra maior?
    João Carlos Papaterra Limongi – Assim como os passos que ficam menores e a voz que se torna monótona, a micrografia decorre do segundo principal sintoma da doença de Parkinson, a acinesia. Essa palavra vem do grego e significa ausência, falta ou pobreza de movimentos físicos.
    Por um distúrbio bioquímico, no parkinsoniano alguns circuitos motores passam a trabalhar de forma mais lenta e não conseguem acompanhar o ritmo da pessoa normal. Pacientes com Parkinson perdem a amplitude do movimento, a extensão de cada gesto. Isso vale também para a escrita. O A maiúsculo, por exemplo, que deveria quase alcançar a linha de cima, chega só até a metade do caminho e volta para a linha de baixo.
  • Percepção dos sintomas
    DrauzioOs familiares notam que a pessoa está mais lenta do que era antes?
    João Carlos Papaterra Limongi – São os familiares que percebem primeiro os sintomas. O tremor nem tanto, mas a lentidão ou pobreza dos movimentos é a família que nota antes. Às vezes, a pessoa está andando ou, no caso de um atleta, correndo e mexe mais um braço do que o outro, contrariando o movimento de balanço automático próprio dos braços durante a marcha. Como Parkinson é uma doença que começa geralmente em um lado do corpo e só depois passa para o outro, é comum familiares e amigos notarem que o paciente balança só um dos braços e deixa o outro imóvel durante a caminhada ou a corrida.
    Drauzio Às vezes, ele dá um passo maior com uma perna do que dá com a outra.
    João Carlos Papaterra Limongi – Isso também faz parte do quadro, mas à medida que o processo progride, os dois passos ficam igualmente pequenos. Essa marcha a pequenos passos, que os franceses gostavam de chamar "marche a petit pas", é uma característica da doença de Parkinson importante para o diagnóstico. Além disso, à medida que os passos vão ficando mais curtos e menores, o paciente curva a cabeça e o tronco e joga o corpo para a frente. Essa flexão excessiva acaba gerando deslocamento do centro de gravidade e desequilíbrio e as quedas são freqüentes por conta disso.
  • Substância negra e produção de dopamina
    DrauzioO que está por trás da doença de Parkinson que provoca esse cortejo de sintomas, como tremores, lentidão de movimentos e micrografia, por exemplo?
    João Carlos Papaterra Limongi – Existem dentro do tronco encefálico, região posterior do cérebro, dois pequenos núcleos muito segmentados, do tamanho de um caroço de azeitona, chamados de substância negra. Há décadas se conhece essa substância, que contém muita melanina - o mesmo pigmento que escurece a pele - mas não se sabia direito qual era sua função.
    No começo do século XX, um cientista percebeu que, nos pacientes com Parkinson, a substância negra se encontrava atrófica. Ficava com pigmentação mais clara e esmaecida, pois perdia a cor natural, quase preta dada pela melanina. Pondo algumas dessas células no microscópio, pôde verificar que elas estavam passando por um processo de degeneração. Embora essa tenha sido a primeira observação científica sobre o mecanismo da doença de Parkinson, não se sabia ainda qual era a função dessas células. Foram necessários mais 40 anos para concluir que elas fabricam uma substância química que funciona como neurotransmissor, a dopamina.

    DrauzioQual a importância desse neurotransmissor, a dopamina, na doença de Parkinson?
    João Carlos Papaterra Limongi - Neurotransmissor é uma substância química responsável pela transmissão de sinais na cadeia de circuitos nervosos. A mensagem que cada célula passa para a seguinte depende de mecanismos neurotransmissores e de substâncias como a dopamina. A falta dessa substância nos parkinsonianos foi identificada por Arvid Carlsoon et al., que receberam o prêmio Nobel de Medicina em 2000. Essa descoberta deu início à fase bioquímica da doença de Parkinson.
    Recompondo os passos, então, no começo do século XX foi feita a constatação anatômica de que nos pacientes com Parkinson a substância negra estava comprometida por falta de dopamina. Quarenta anos depois, descobriu-se que dois pequenos núcleos, um de cada lado da parte posterior do cérebro, têm papel fundamental na manutenção do circuito motor subcortical que controla uma série de atividades automáticas, enquanto o circuito motor cortical controla as atividades conscientes. Por exemplo, se quero pegar um lápis que está em cima da mesa, mando uma ordem consciente e realizo o que desejo utilizando o circuito motor cortical. Se quero conversar enquanto caminho sem prestar atenção na mudança de passos, digitar um texto sem ter de procurar cada letra isoladamente, dirigir um automóvel sem pensar em cada pisada na embreagem ou troca de marcha, dependo dos circuitos motores subcorticais.
    No entanto, se faltar dopamina, a motricidade automática é interrompida e a pessoa tem grande dificuldade para realizar movimentos simultâneos. Não consegue andar e conversar ao mesmo tempo nem realizar um movimento com a mão direita e outro com a esquerda. Perdidos esses automatismos, para andar precisa pensar isoladamente em cada passo e, enquanto ocupa o cérebro com isso, não consegue fazer mais nada.
    Portanto, um dos resultados clínicos dessa alteração bioquímica cerebral é a perda da capacidade de realizar movimentos automáticos.
  • Faixa etária mais vulnerável
    Drauzio – Com que idade as pessoas costumam manifestar a doença?
    João Carlos Papaterra Limongi – Quanto maior a faixa etária, maior a incidência da doença de Parkinson. De acordo com as estatísticas, na grande maioria dos pacientes, ela surge a partir dos 55, 60 anos e sua prevalência aumenta aos 70, 75 anos. Se considerarmos a população de uma cidade grande, desde a infância até os idosos, veremos que existem de 150 a 200 doentes com Parkinson em cada 100 mil habitantes, ou seja, um em cada mil habitantes é portador da doença. No entanto, se estratificarmos as faixas etárias, a conclusão será que 80% dos casos ocorrem entre os 65 e 75 anos e que 10% deles aparecem antes dos 45 anos. Portanto, Parkinson não é uma doença exclusivamente dos velhos. Por outro lado, se lembrarmos que não só no nosso país, mas no mundo inteiro, as pessoas estão vivendo mais, é grande a probabilidade de aumentar a incidência dessa doença e de outras doenças degenerativas.
  • Opções de tratamento
    Drauzio Há alguma coisa que se possa fazer para evitar o aparecimento da doença de Parkinson?
    João Carlos Papaterra Limongi - Esse é um dos pontos mais polêmicos atualmente. Durante todo o transcorrer do estudo da doença de Parkinson se passou por várias fases. No começo do século XX, descobriu -se que a substância negra estava comprometida. Mais ou menos 50 anos depois, Arvid Carlsson constatou que isso se devia à perda das células dopaminérgicas e foi dada ênfase ao tratamento farmacológico. Se estava faltando dopamina, vamos encontrar um meio de repô-la, e a via oral mostrou-se mais eficaz do que as outras nesse sentido.
    Aí, surgiram alguns problemas técnicos. A dopamina por via oral não passa do estômago para a corrente sanguínea e, por via endovenosa, não atravessa a barreira endoencefálica, uma barreira que separa o sangue do líquor. A solução foi utilizar um precursor da dopamina, a levodopa ou L-Dopa, que consegue entrar no cérebro e transformar-se em dopamina.
    Repor a dopamina a partir de um precursor dessa substância representou um tratamento farmacológico que visava única e exclusivamente à neutralização dos sintomas, mas não interferia na evolução natural da doença. Isso revolucionou o tratamento da doença de Parkinson, mas não esclareceu o motivo pelo qual as células dopaminérgicas continuavam degenerando.
    Por conta disso, o tratamento convencional e sintomático não bastava, pois quanto mais as células degeneram, mais difícil fica a reposição medicamentosa da dopamina. Provam isso os pacientes que na fase inicial respondem muito bem ao tratamento, mas depois de cinco ou dez anos, apresentam alterações graves na resposta, ou seja, trocam os sintomas parkinsonianos pelos da síndrome de Coréia caracterizada por movimentos involuntários anormais. O problema é maior quando se pensa que a margem de manobra na prescrição do medicamento é muito estreita. Se diminuirmos um pouquinho a dose, o paciente fica acinético, imóvel; se aumentarmos um pouco, aparecem movimentos parasitas que atrapalham o quadro.
    Era necessário, então, encontrar um tratamento neuroprotetor que fizesse com que as células parassem de degenerar ou reduzisse a taxa de degeneração.
    Atualmente existem dezenas, senão centenas, de drogas que já foram ou estão sendo estudadas com efeito potencialmente neuroprotetor. Para que elas funcionem, precisam ser administradas no início da doença, porque não adianta tomar o medicamento numa fase tardia, quando praticamente todas as células foram destruídas.
    Como já mencionei, os primeiros sintomas da doença de Parkinson custam a aparecer. O início da doença é insidioso e, quando o paciente procura o médico, existem evidências de que pelo menos metade das células estão perdidas, pois é muito comum o cérebro compensar essa perda progressiva de dopamina por meio de outros mecanismos. Portanto, é muito importante identificar essa degeneração celular antes que os sintomas apareçam para tentar interromper o processo com a droga neuroprotetora. No entanto, embora existam centenas de candidatas a neuroprotetoras, nenhuma delas tem esse efeito cientificamente comprovado.
  • Evolução da doença
    DrauzioComo evolui a doença de Parkinson?
    João Carlos Papaterra Limongi – O início da doença é imperceptível, tanto que nem o paciente nem os familiares conseguem dizer exatamente quando ela começou. Em geral, aparece tremor leve e/ou uma perda do balanço de um dos braços durante a marcha. É importante destacar que, no começo, os sintomas não são simétricos. Quase sempre ocorrem num só lado do corpo e, com o decorrer dos meses, às vezes dos anos, atingem o outro lado.
    Há 30 anos, quando a levedopa não estava disponível, os médicos assistiam à inexorável progressão da doença. A cada ano, os sintomas se agravavam: o tremor e a rigidez muscular aumentavam, a postura ficava mais curvada, o tamanho dos passos diminuía, os hábitos intestinais se alteravam e crescia a dificuldade para realizar pequenas atividades diárias como cortar carne ou tomar banho. Nas fases mais avançadas, o comprometimento da postura era um sintoma muito incapacitante. A marcha ficava mais difícil e quedas ocorriam com freqüência. Na fase extrema, o paciente ficava restrito ao uso da cadeira de rodas.
    Atualmente, isso não mais acontece porque os pacientes são tratados e podem permanecer dez, quinze, vinte anos com a doença controlada, levando vida social ativa e alguns mantendo até a atividade profissional. Além disso, a sobrevida dos parkinsonianos aumentou muito e está se aproximando do índice de sobrevida das pessoas sem a doença.
  • Estilo de vida
    DrauzioQuanto ao estilo de vida, que recomendações você faz para o paciente que apresenta os sintomas iniciais?
    João Carlos Papaterra Limongi – Em geral, eles chegam muito preocupados com o futuro. Querem saber como estarão dali a dois ou três anos. Procuro tranqüilizá-los, porque a evolução nem sempre é ruim e, com o advento de novas drogas, o controle da doença é mais eficaz. Mesmo as complicações da levedopa podem ser contornadas com mais facilidade e segurança.
    A primeira recomendação é que levem vida o mais saudável possível. Devem continuar trabalhando se têm habilidade intelectual para isso, e fazer atividade física. Dependendo do caso, podem frequentar uma academia onde farão os exercícios com os outros alunos. Casos mais avançados, porém, são encaminhados para a fisioterapia porque exigem exercícios específicos.
    Manter o otimismo e a vontade de continuar levando vida normal ajuda muito a controlar a evolução dos sintomas.
    DrauzioExiste alguma restrição de dieta alimentar para os pacientes com Parkinson?
    João Carlos Papaterra Limongi – Não existe nada cientificamente comprovado de que qualquer restrição dietética faça bem a esses pacientes. Entretanto, é preciso tomar cuidado com a associação de alguns medicamentos e com a ingestão simultânea de alimentos altamente protéicos e levedopa, porque eles podem interferir na absorção dessa droga. Por isso, a medicação deve ser tomada pelo menos meia hora antes das refeições.
    DrauzioVocê disse que os pacientes chegam assustados, com medo do futuro. Quais são as principais dúvidas que têm?
    João Carlos Papaterra Limongi – A principal dúvida dos pacientes é a respeito da vida profissional. Eles percebem que sua letra não é mais a mesma, que estão chegando atrasados aos compromissos, pois levam meia hora para fazer o que faziam em cinco minutos e ainda necessitam de ajuda para vestir-se. Essa perda progressiva da independência, esse retardo na realização das atividades motoras muitas vezes acompanhado de um retardo do raciocínio acaba provocando baixa na auto-estima.
    Nos testes de habilidade mental, observa-se que muitas vezes o paciente demora tanto para responder uma pergunta que fazemos outra, imaginando que ele não sabe a resposta, mas depois de algum tempo ele responde corretamente a primeira pergunta. Essa lentidão de raciocínio, que se chama de bradipsiquismo ou bradifrenia, assim como a bradicinesia que é a lentidão de movimentos, também melhora muito com o tratamento.
  • Perspectivas otimistas de tratamento
    DrauzioVocê acha que no curto prazo surgirão drogas para um controle mais adequado da doença?
    João Carlos Papaterra Limongi – Do ponto de vista farmacológico para o controle dos sintomas, houve alguns avanços significativos. Conhecer melhor a maneira de administrar os remédios no início do tratamento é determinante para a evolução da doença no longo prazo.
    Existe a reposição pulsátil feita de forma meio aleatória. O paciente toma doses elevadas da droga com intervalos grandes de tempo entre uma e outra. Isso provoca picos dessas medicações na concentração plasmática que entram em desacordo com a maneira fisiológica, contínua, sem altos e baixos, de ativar tonicamente os circuitos nervosos. Por isso, a tendência atual é mimetizar a fisiologia. Doses mais baixas ajudam a transformar essa curva de sobe e desce numa linha mais plana simulando a estimulação dopaminérgica natural. Com isso se tem reduzido o número de complicações, entre elas, a presença de movimentos involuntários anormais.
    Outro aspecto importante diz respeito ao estudo dos tratamentos de neuroproteção. Até pouco tempo atrás, não tínhamos como impedir a degeneração progressiva das células dopaminérgicas. Simplesmente, repúnhamos a substância que estava faltando e íamos aumentando as doses conforme se fizesse necessário. A tendência atual é buscar uma maneira de interferir na evolução da doença, tentando entender melhor os mecanismos envolvidos na morte celular para bloqueá-los em algum ponto do processo. Embora várias drogas estejam sendo utilizadas com esse objetivo, nenhuma mostrou efeito convincente como agente neuroprotetor. No entanto, acredito que não estamos distantes de conseguir uma que realmente produza esse efeito.

4.9.10

Doze passos essenciais para que você recupere o que não está mais à vista

Você corre pela casa, abre todas as gavetas, armários, bolsas e até geladeira, mas nada da chave do seu carro aparecer e essa não é a primeira vez. Constantemente você se vê na situação de desespero à procura de algum objeto perdido e, com isso, além do tempo, a sua calma também vai embora.

Há muitas razões possíveis, mas a explicação pode ser também mais simples do que imagina. Você apenas não entendeu a melhor forma de agir nesse momento. Quem garante é autor do livro que fala sobre como achar objetos perdidos How to find Lost Objects, Michael Solomom. Segundo ele, é fácil achar qualquer coisa. Desde que você saiba como procurar.

No livro e também no blog que mantém, Solomom mostra os 12 passos essenciais. Veja nas próximas páginas. Você pode continuar apelando para São Longuinho, mas vai ter mais chances.

Perdeu? Não comece a procurar imediatamente

Caso tenha perdido alguma coisa, e sua primeira iniciativa é colocar o sofá de cabeça pra baixo, as chances maiores são de encontrar centavos perdidos e o chocolate do seu filho ou neto. De acordo com Solomom, é mais eficaz esperar e refletir até ter uma boa idéia por onde começar a procurar.

Você pode estar perdido e não o objeto

Pode parecer que o objeto se perdeu sem motivos ou explicação. Você o deixou bem ali e agora ele desapareceu. Segundo Solomom, o objeto não está perdido e sim você, para isso uma busca sistemática deve ser feita.

Não entre em pânico

Você pode estar 15 minutos atrasado para o trabalho, mas procurar no pote de biscoitos pelo seu celular não faz sentido. Utilize o que Solomom chama de três C e comece a procurar quando se sentir confortável, calmo e confiante.

Procure no lugar de sempre

Geralmente o objeto perdido está exatamente onde normalmente ele costuma ficar. É possível que você ainda não tenha procurado neste lugar, ou não parou para pensar nessa possibilidade. A tendência é sempre imaginar os lugares mais inusitados.

Tente lembrar onde viu pela última vez

Pare um momento para pensar sobre onde deixou pela última vez o que perdeu. Não procure pela sua escova de dentes na cozinha, a não ser que tenha escovado os dentes lá. Tente ser mais prático e raciocine antes de iniciar a busca.

Cheque mais uma vez

Volte ao último lugar que esteve e procure novamente o objeto. Mas lembre-se do que está realmente procurando. Muitas vezes quando estamos desesperados em busca de algo, esquecemos exatamente o que procuramos. Tente repetir a o nome do objeto várias vezes.

Efeito camuflado

Considere que o objeto pode estar no lugar certo, mas não exposto à sua vista. Procure por debaixo de outros objetos, como almofadas, travesseiros, portes, vasos. Pode estar somente escondido.

A regra dos 20cm

Às vezes os objetos se movem. Alguns deles têm capacidade de rolar, como a caneta, por exemplo. Se é este o caso, ele provavelmente estará a 20cm do lugar onde foi colocado. Tente desenhar um círculo imaginário de 20 cm na área e inicie a busca. De acordo com Solomom, este círculo é a “Zona Eureka.”

Onde você perdeu?

Quando você perde alguma coisa é garantia que ouvirá esta típica pergunta “Onde viu pela última vez?” Procurar pelo lugar onde viu o objeto pela última vez é senso comum. A melhor forma para achar algo é lembrar onde estava e para isso antes é preciso de um momento para pensar.

Não perca tempo

Se já procurou algo por todos os lugares possíveis e imagináveis, por inúmeras vezes, não consegue mais raciocinar e já se estressou o suficiente, desista momentaneamente, e volte quando estiver mais calmo e tranqüilo.

Rastreie os seus passos

Leve um momento para repensar sobre seus últimos passos. Você poderá não lembrar onde exatamente perdeu o objeto, mas o que recordar será muito útil para o sucesso da busca.

Pergunte em volta

Se tudo o que foi feito não deu resultado, é seguro assumir que pode não ter sido você a perder o que procura. Quem sabe alguém em sua casa pegou emprestado, ou trocou de lugar para um outro que você desconhece, ou seu cachorro comeu. É bom nessas horas perguntar às pessoas de sua convivência

16.8.10

Plantas que curam... e que matam

Quatro em cada dez americanos recorrem a algum tipo de terapia alternativa para cuidar da saúde. Um dos recursos mais procurados são os fitoterápicos, em forma de cápsulas ou chás. A informação faz parte de uma pesquisa divulgada pelo Centro Nacional de Medicina Complementar e Alternativa (NCCAM). Esse é um órgão do governo americano que pretende regulamentar o setor e submeter as terapias a estudos científicos.

É um esforço para lançar luzes numa área cheia de crenças infundadas. E também para comprovar e reconhecer os benefícios de práticas tradicionais que podem melhorar a qualidade de vida da população. Vinte e oito prestigiadas universidades, como Harvard, Columbia e Duke, participam dessa iniciativa.

Até recentemente, o casamento entre os tratamentos convencionais e as terapias alternativas parecia impossível. Havia radicais dos dois lados. O que se vê hoje nos Estados Unidos é uma tentativa de harmonizar as duas áreas. Esse esforço deu origem a um novo campo que tem sido chamado de medicina integrativa.

Há um movimento semelhante no Brasil - ainda que menos organizado. Não se sabe, por exemplo, quantos brasileiros consomem chazinhos e outras formas de fitoterapia ao mesmo tempo em que se tratam com medicamentos alopáticos. Não estranharia se uma pesquisa demonstrasse que mais da metade da população faz isso.

Temos no Brasil o costume de achar que tudo o que é natural é necessariamente benéfico. Sobre o hábito de tomar chazinhos da vovó para enfrentar os mais diversos incômodos, há um ditado bastante conhecido: “Se não fizer bem, mal não faz”.

Essa ideia está arraigada na cultura nacional, mas é totalmente equivocada.“É um erro pensar dessa forma. A natureza tem venenos poderosos”, diz o pesquisador João Ernesto de Carvalho, do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele é especialista em Farmacologia e Toxicologia.Carvalho faz um importante alerta: “Quase 100% das escolas médicas não tem a disciplina de fitoterapia”, diz. “Os médicos desconhecem as plantas medicinais e como elas podem interferir na ação dos remédios que eles receitam”, afirma.
Esse é um grande problema. As plantas medicinais interferem na forma como os remédios convencionais agem no organismo. Podem inibir ou exacerbar a ação deles. Alteram o metabolismo dos medicamentos. Eles podem perder a eficácia ou se acumular no organismo.
Nem os médicos, nem os pacientes se dão conta disso. Quem toma uns chazinhos ou umas cápsulas naturais não conta ao médico. Acha que a informação é irrelevante ou teme ser ridicularizado.
Precisamos aprender que essa informação pode fazer toda diferença. Alguns exemplos de interações perigosas entre ervas e remédios:

* A pata-de-vaca (Bauhinia forticata) é uma planta popularmente usada contra o diabetes. O chá dessa erva pode causar hipoglicemia no diabético. Sem saber que esse efeito é provocado pelo chá, o médico pode achar que é necessário reduzir a dose dos remédios. Se isso for feito e a pessoa parar de tomar o chá, os níveis de açúcar no sangue podem subir. “Essa oscilação pode trazer sérios danos ao tratamento e à saúde do paciente”, diz Carvalho.

* Cápsulas de alho (Allium sativum) têm efeito antihipertensivo, antitrombótico e antioxidante. São usadas para prevenir doenças cardiovasculares. Mas não devem ser consumidas por pessoas que tomam anticoagulantes orais e aspirina. Uma outra interação muito perigosa: cápsulas de alho podem reduzir a atividade dos antivirais usados no tratamento da aids.

* A erva-de-são-joão (Hypericum perforatum) costuma ser usada para ajudar a combater a depressão. Muitos pacientes de aids que sofrem de depressão costumam tomar chás dessa erva. Mas atenção: ela também reduz a concentração das drogas anti-HIV no sangue. O tratamento perde eficácia. É ou não é um assunto sério?

* O chá verde (Camellia sinensis) é usado como antioxidante e para ajudar a reduzir os níveis de colesterol. Mas não deve ser usado junto com drogas vasodilatadoras coronarianas ou com a teofilina, um broncodilatador pulmonar.

* O gengibre (Zingiber officinale) ajuda a reduzir náuseas e cólicas. Também estimula a circulação e a digestão. Mas pode provocar fortes reações gástricas. Também não deve ser usado junto com remédios anticoagulantes.

* O suco da toranja (Citrus x paradisi), também chamada de grapefruit, contém uma substância que inibe o metabolismo de remédios contra a hipertensão. Quem tem o costume de tomar esse suco frequentemente (o que é comum nos Estados Unidos) corre o risco de sofrer uma crise de hipertensão. E, provavelmente, vai culpar os remédios pela falha.

Esses são exemplos de algumas interações comprovadas pela ciência. Pode ser que existam muitas outras. O desconhecimento é geral. Carvalho acredita que a situação pode se agravar nos próximos meses. Em 2010, o Ministério da Saúde pretende lançar a Relação Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (Renafito). A ideia é estimular o uso desses produtos no SUS.

“Se a população e os médicos não forem muito bem orientados sobre o uso desses recursos naturais, é possível que muita gente venha a enfrentar problemas”, afirma Carvalho.

O Ministério da Saúde divulgou uma lista de 71 plantas que considera útil no tratamento de doenças. Agora está na fase de recolher evidências científicas da segurança e da eficácia dessas plantas. A divulgação da lista definitiva está prevista para julho.

“Vamos oferecer um curso aos médicos do SUS para que eles saibam quando e como adotar plantas e fitoterápicos”, diz Katia Torres, consultora do departamento de assistência farmacêutica e insumos estratégicos do Ministério da Saúde.

Os brasileiros - médicos e pacientes - precisam passar por uma mudança cultural, aprender a encarar as ervas de uma outra forma. Não devemos negar o valor dos recursos naturais nem desprezar o conhecimento tradicional dos indígenas e de outros grupos que nos ensinaram a combater tantos males. Precisamos, porém, reconhecer que o que é natural também pode fazer mal.

Até a Segunda Guerra Mundial, a maioria dos remédios era derivada de substâncias encontradas na natureza. Com o surgimento da síntese química, a forma como lidamos com os remédios mudou. É mais fácil observar e comprovar os efeitos colaterais dos medicamentos criados em laboratório. “Foi daí que surgiu a ideia de que os remédios sintéticos são uma coisa perigosa, cheia de efeitos indesejados”, diz Carvalho.

Esses efeitos colaterais existem e são muitos. Mas as plantas não são necessariamente inocentes ou inócuas. Elas também podem produzir graves efeitos indesejados. A diferença é que eles são desconhecidos ou desprezados. Posso dar um conselho? Se você é adepto do chazinho ou das cápsulas naturais não esconda esse fato de seu médico. Ele é muito relevante.


CRISTIANE SEGATTO
cristianes@edglobo.com.br
Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 14 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo

3.8.10

Os mitos sobre o cérebro

O cérebro é um dos mais incríveis órgãos do corpo humano. Ele controla nosso sistema nervoso central, mantendo-nos andando, falando, respirando e pensando. O cérebro é também incrivelmente complexo, sendo composto de cerca de 100 bilhões de neurônios. Há tanta coisa acontecendo no cérebro que existem vários campos diferentes da medicina e da ciência devotados a tratá-lo e a estudá-lo, incluindo a neurologia, que trata distúrbios físicos do cérebro; a psicologia, que inclui o estudo dos processos comportamentais e mentais; e a psiquiatria, que trata doenças mentais e distúrbios. Alguns aspectos de cada um tendem a se sobrepor, e outros campos se cruzam dentro do estudo do cérebro também.


Essas disciplinas estão aí de alguma forma desde os tempos antigos, por isso você poderia pensar que até o momento já deveríamos saber tudo o que há para saber sobre o cérebro. Nada poderia ir além da verdade. Depois de milhares de anos de estudo e tratamento de cada aspecto dele, ainda há muitas facetas do cérebro que permanecem um mistério. E porque o cérebro é tão complexo, tendemos a simplificar a informação sobre como ele funciona para torná-lo mais compreensível.


Essas coisas colocadas juntas resultaram em muitos mitos sobre o cérebro. A maioria não está totalmente fora - nós apenas não ouvimos a história toda. Vamos dar uma olhada nos 10 mitos que têm circulado sobre o cérebro, começando com sua cor.

Veja o artigo na íntegra aqui












23.7.10

Especialidades Médicas

Estas são as especialidades médicas reconhecidas pelo
 Conselho Federal de Medicina e 
Associação Médica Brasileira:
1.  ACUPUNTURA
2.  ALERGIA E IMUNOLOGIA
3.  ANESTESIOLOGIA
4.  ANGIOLOGIA
5.  CANCEROLOGIA
6.  CARDIOLOGIA
7.  CIRURGIA CARDIOVASCULAR
8.  CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO
9.   CIRURGIA DO APARELHO DIGESTIVO
10.  CIRURGIA GERAL
11.  CIRURGIA PEDIÁTRICA
12.  CIRURGIA PLÁSTICA
13.  CIRURGIA TORÁCICA
14.  CIRURGIA VASCULAR
15.  CLÍNICA MÉDICA
16.  COLOPROCTOLOGIA
17.  DERMATOLOGIA
18.  ENDOCRINOLOGIA
19.  ENDOSCOPIA
20.  GASTROENTEROLOGIA
21.  GENÉTICA MÉDICA
22.  GERIATRIA
23.  GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
24.  HEMATOLOGIA E HEMOTERAPIA
25.  HOMEOPATIA
26.  INFECTOLOGIA
27.  MASTOLOGIA
28.  MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE
29.  MEDICINA DO TRABALHO
30.  MEDICINA DO TRÁFEGO
31.  MEDICINA ESPORTIVA
32.  MEDICINA FÍSICA E REABILITAÇÃO
33.  MEDICINA INTENSIVA
34.  MEDICINA LEGAL
35.  MEDICINA NUCLEAR
36.  MEDICINA PREVENTIVA E SOCIAL
37.  NEFROLOGIA
38.  NEUROCIRURGIA
39.  NEUROLOGIA
40.  NUTROLOGIA
41.  OFTALMOLOGIA
42.  ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA
43.  OTORRINOLARINGOLOGIA
44.  PATOLOGIA
45.  PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL
46.  PEDIATRIA
47.  PNEUMOLOGIA
48.  PSIQUIATRIA
49.  RADIOLOGIA E DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
50.  RADIOTERAPIA
51.  REUMATOLOGIA
52.  UROLOGIA

RELAÇÃO DAS ÁREAS DE ATUAÇÃO RECONHECIDAS 
(PODEM SER COMUNS A MAIS DE UMA ESPECIALIDADE LISTADA ANTERIORMENTE)

1. ADMINISTRAÇÃO EM SAÚDE
2. ALERGIA E IMUNOLOGIA PEDIÁTRICA
3. ANGIORRADIOLOGIA E CIRURGIA ENDOVASCULAR
4. ATENDIMENTO AO QUEIMADO
5. CARDIOLOGIA PEDIÁTRICA
6. CIRURGIA CRÂNIO-MAXILO-FACIAL
7. CIRURGIA DA COLUNA
8. CIRURGIA DA MÃO
9. CIRURGIA DERMATOLÓGICA
10. CIRURGIA DO TRAUMA
11. CIRURGIA VIDEOLAPAROSCÓPICA
12. CITOPATOLOGIA
13. COSMIATRIA
14. DOR
15. ECOCARDIOGRAFIA
16. ECOGRAFIA VASCULAR COM DOPPLER
17.  ELETROFISIOLOGIA CLÍNICA INVASIVA
18. ENDOCRINOLOGIA PEDIÁTRICA
19. ENDOSCOPIA DIGESTIVA
20. ENDOSCOPIA GINECOLÓGICA
21. ENDOSCOPIA RESPIRATÓRIA
22. ERGOMETRIA
23. FONIATRIA
24. GASTROENTEROLOGIA PEDIÁTRICA
25. HANSENOLOGIA
26. HEMATOLOGIA E HEMOTERAPIA PEDIÁTRICA
27. HEMODINÂMICA E CARDIOLOGIA INTERVENCIONISTA
28. HEPATOLOGIA
29. INFECTOLOGIA HOSPITALAR
30. INFECTOLOGIA PEDIÁTRICA
31. MEDICINA DE URGÊNCIA
32. MEDICINA DO ADOLESCENTE
33. MEDICINA FETAL
34. MEDICINA INTENSIVA NEONATAL
35. MEDICINA INTENSIVA PEDIÁTRICA
36. NEFROLOGIA PEDIÁTRICA
37. NEONATOLOGIA
38. NEUROFISIOLOGIA CLÍNICA
39. NEUROLOGIA PEDIÁTRICA
40. NEURORRADIOLOGIA
41. NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL
42. NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL PEDIÁTRICA
43. NUTROLOGIA PEDIÁTRICA
44. PNEUMOLOGIA PEDIÁTRICA
45. PSICOGERIATRIA
46. PSICOTERAPIA
47. PSIQUIATRIA DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
48. PSIQUIATRIA FORENSE
49. RADIOLOGIA INTERVENCIONISTA E ANGIORRADIOLOGIA
50.  REPRODUÇÃO HUMANA
51. REUMATOLOGIA PEDIÁTRICA
52.  SEXOLOGIA
53. ULTRA-SONOGRAFIA EM GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA

6.6.10

O que são enxaquecas? por Dr. Paulo Monzillo

ENXAQUECAS SÃO CRISES DE DOR DE CABEÇA DE INTENSIDADE MODERADA / GRAVE , GERALMENTE UNILATERAIS , LATEJANTES E HABITUALMENTE ACOMPANHADAS DE NÁUSEAS, VÔMITOS, INTOLERÂNCIA À CLARIDADE , BARULHO E CHEIRO. APRESENTAM UMA PREVALÊNCIA DE 16% NAS MULHERES E DE 6 % DOS HOMENS . SÃO MAIS FREQÜENTES NAS MULHERES, TENDO SEU INÍCIO NA PUBERDADE E SE ESTENDEM HABITUALMENTE POR TODA VIDA FÉRTIL. PODEM APRESENTAR GRANDE MELHORA DURANTE AS GESTAÇÕES E APÓS A MENOPAUSA. AS CRISES TEM FREQÜÊNCIA VARIÁVEL, DURAM POR HORAS OU ATÉ DIAS, PODENDO ALCANÇAR NUM PERCENTUAL RAZOÁVEL DE PACIENTES UMA FREQÜÊNCIA DIÁRIA OU QUASE QUE DIÁRIA

ALGUNS PACIENTES ANTES DAS CRISES APRESENTAM ALTERAÇÕES VISUAIS ( VISÃO EMBAÇADA, LUZES COLORIDAS OU ATÉ PERDA PARCIAL DA VISÃO ). ESTAS ALTERAÇÕES GERALMENTE PRECEDEM AS CRISES E DURAM POR CERCA DE 30 MINUTOS . AS CRISES PODEM OU NÃO TER FATORES DESENCADEANTES TAIS COMO : DORMIR MUITO, DORMIR POUCO , DORMIR FORA DE HORA , DETERMINADOS ALIMENTOS , CHEIROS FORTES , CICLO MENSTRUAL, EXPOSIÇÃO AO SOL, ESFORÇO FÍSICO E BEBIDA ALCOÓLICA E STRESS EMOCIONAL , DENTRE OUTROS. ESTES FATORES DEVEM SER PARTICULARIZADO PARA CADA PACIENTE .

PORQUE AS ENXAQUECAS OCORREM ?



ACREDITA-SE HOJE QUE AS CRISES TENHAM SEU INÍCIO EM ÁREAS ESPECÍFICAS DO ENCÉFALO (TRONCO CEREBRAL) . INICIADO ESTE PROCESSO (ESPONTANEAMENTE OU POR FATORES EXTERNOS) HÁ ENVOLVIMENTO DE VIAS NERVOSAS E DE ALGUMAS SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS (NEUROTRANSMISSORES) QUE QUANDO LIBERADAS PROVOCAM DOR, CONFIGURANDO ENTÃO UMA CRISE COM TODO SEU CORTEJO DE SINTOMAS. MUITO PROVAVELMENTE AS ENXAQUECAS TENHAM COMPONENTES GENÉTICOS DE TRANSMISSÃO, POIS NÃO É RARO ENCONTRARMOS FAMÍLIAS COM VÁRIAS PESSOAS AFETADAS. A ENXAQUECA NÃO É UMA DOENÇA ESTRUTURAL DO ENCÉFALO (POR ESTA RAZÃO TODA A INVESTIGAÇÃO LABORATORIAL E DE NEURO-IMAGEM É NORMAL ), MAS SIM UMA DOENÇA DISFUNCIONAL .

COMO AS ENXAQUECAS SÃO DIAGNOSTICADAS ?

A PARTIR DE 1988 A INTERNATIONAL HEADACHE SOCIETY ( IHS) PUBLICOU CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA A ENXAQUECA . ESTE FATO É DE SUMA IMPORTÂNCIA, UMA VEZ QUE SERÁ IMPORTANTE SE DIFERENCIAR UMA ENXAQUECA (CEFALÉIA DOENÇA) DE OUTRAS FORMAS DE DOR DE CABEÇA QUE SEJAM SINTOMAS DE OUTRAS DOENÇAS, COMO AQUELAS DORES DE CABEÇA QUE ACOMPANHAM AS MENINGITES, OS SANGRAMENTOS CEREBRAIS, OS TUMORES CEREBRAIS OU ATÉ MESMO SINUSITES AGUDAS (CEFALÉIA SINTOMA). A PESSOA MAIS INDICADA PARA REALIZAÇÃO DO DIAGNÓSTICO CORRETO É O MÉDICO.

POR SER ELA UMA DOENÇA FUNCIONAL, A HISTÓRIA CLÍNICA É A PARTE MAIS IMPORTANTE DA CONSULTA CLÍNICA PARA O DIAGNÓSTICO CORRETO.



COMO SE TRATA ENXAQUECA ?
 


EXISTEM DUAS FORMAS DE TRATAMENTO DA ENXAQUECA .

O TRATAMENTO DA CRISE E O TRATAMENTO PREVENTIVO.

NO TRATAMENTO AGUDO SÃO UTILIZADOS DESDE ANALGÉSICOS COMUNS, ATÉ DROGAS MAIS POTENTES COMO OS ANTI-INFLAMATÓRIOS E A UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS MAIS ESPECÍFICOS COMO AS ERGOTAMINAS E MAIS RECENTEMENTE UM GRUPO DE DROGAS CHAMADAS TRIPTANOS . O TRATAMENTO DEVERÁ SER SEMPRE INDIVIDUALIZADO DE ACORDO COM A INTENSIDADE DA DOR , SUA DURAÇÃO E A INVALIDEZ QUE ELA PROVOCA NESTAS PESSOAS. DEVE-SE SEMPRE RESPEITAR AS CONTRA- INDICAÇÕES DESTES MEDICAMENTOS .

O TRATAMENTO PREVENTIVO CONSISTE NA UTILIZAÇÃO DE DROGAS QUE IMPEDEM QUE O PACIENTE TENHA CRISES .

SÃO MEDICAMENTOS DE USO DIÁRIO, PRESCRITOS POR UM DETERMINADO PERÍODO DE TEMPO. É IMPORTANTE SALIENTAR QUE CERCA DE 60% DOS PACIENTES QUE SE SUBMETEM A TRATAMENTO PROFILÁTICO APRESENTAM MELHORA CLÍNICA. OCORRE DIMINUIÇÃO DA FREQÜÊNCIA, DA INTENSIDADE E DA DURAÇÃO DAS CRISES. ALÉM DO FATO QUE OS EPISÓDIOS DOLOROSOS QUE OCORREM NA VIGÊNCIA DO TRATAMENTO SEREM GERALMENTE DE MENOR INTENSIDADE E MAIS RAPIDAMENTE RESOLVIDAS .

TODA ESTA EXPLICAÇÃO SE PRENDE AO FATO QUE UMA PARCELA NÃO DESPREZÍVEL DE PACIENTES, EM VIRTUDE DE SUAS CRISES FREQÜENTES, ACABAM FAZENDO USO ABUSIVO DE MEDICAÇÃO ANALGÉSICA, PERPETUANDO SUAS CRISES E IMPEDINDO QUE ELAS DESAPAREÇAM POR COMPLETO. ESTES MEDICAMENTOS TOMADOS EM DEMASIA TAMBÉM PODEM SER RESPONSÁVEIS A MÉDIO PRAZO POR EFEITOS COLATERAIS GRAVES NOS SISTEMAS RENAL E HEPÁTICO.



QUALIDADE DE VIDA PARA OS PORTADORES DE CEFALÉIAS OU ENXAQUECAS

AS ENXAQUECAS SÃO UMA DAS CAUSAS MAIS IMPORTANTES NA DIMINUIÇÃO DA QUALIDADE DE VIDAS DAS PESSOAS . ELAS AFASTAM AS PESSOAS DO CONVÍVIO SOCIAL, PROFISSIONAL E ATÉ FAMILIAR. SABE-SE HOJE QUE OS PORTADORES DE ENXAQUECA FALTAM CERCA DE 12 DIAS A MAIS POR ANO QUE OS NÃO PORTADORES DESTA DOENÇA, COM IMPLICAÇÕES DE CUSTO SOCIAL PARA AS FONTES PAGADORAS.