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6.5.11

Doença de Alzheimer (Sintomas)

Os 25 sintomas da doença de Alzheimer

Doença de Alzheimer
De todas as pessoas que sofrem de demência, estima-se que 50 a 70% dos indivíduos afetados tenham a doença de Alzheimer. Conheça os 25 sintomas que determinam o aparecimento da doença de Alzheimer e faça o melhor diagnóstico possível para aumentar a qualidade de vida de um doente.
A doença de Alzheimer é um tipo de demência que provoca uma deterioração global, lenta, progressiva e irreversível de diversas funções do conhecimento e revela-se na perda de memória, atenção, concentração, linguagem, pensamento, entre outras. No entanto, um único sintoma não indica necessariamente que uma pessoa sofra de Alzheimer ou de demência. Por exemplo, existem várias causas para a perda de memória e a falta dela não é sinónimo de doença. Contudo, se à perda de memória, existirem alterações significativas no comportamento e na capacidade funcional da pessoa, isso podem ser sinais claros do surgimento da doença de Alzheimer.
Dos aspetos principais que constituem a doença de Alzheimer, destacam-se os sintomas seguintes:

1. A perda de memória

A maior parte dos doentes com Alzheimer não se consegue lembrar das mais pequenas coisas do dia-a-dia, como por exemplo: o que fizeram no dia anterior, os nomes das pessoas que os rodeiam, o que comeram ao almoço, os animais de estimação que têm, números de telefone e conversas recentes, entre outros. Em todo o caso, a perda de memória pode não ser consistente e o facto de não se lembrar hoje não quer dizer que não o faça amanhã.

2. O estado agitado e o humor alterado

É comum para alguém que sofre de Alzheimer parecer ansioso ou agitado. A agitação resulta geralmente do medo, confusão, pressão ou fadiga que um doente possa estar a sentir. Por outro lado, as mudanças radicais também contribuem para uma enorme agitação e mudança repentina de humor. Independentemente do motivo ou situação, um doente de Alzheimer pode passar de um estado calmo para um estado de raiva sem qualquer motivo aparente.

3. O julgamento debilitado

Uma pessoa que tem a doença de Alzheimer tem tendência a tomar as decisões mais disparatadas e/ou inadequadas perante uma determinada situação. Um exemplo dessa irresponsabilidade está na forma imperfeita de se vestir ou na incapacidade de avaliar por si próprio aquilo que é mais seguro. Por norma, as primeiras mudanças que ocorrem no julgamento de uma pessoa estão relacionadas com a gestão das suas finanças e é quando o dinheiro começa a ser gasto de forma inusitada e incorreta.

4. Dificuldade em lidar com o dinheiro

A dificuldade em lidar com o dinheiro é um obstáculo muito difícil de ser ultrapassado para quem sofre de Alzheimer. A incapacidade de pagar contas, de fazer as compras essenciais e administrar um orçamento é um sinal claro de demência psíquica e indica se um indivíduo está ou não na posse de todas as suas faculdades.

5. Dificuldade em realizar tarefas familiares

Uma pessoa que sofre de demência leva mais tempo a concluir as tarefas mais básicas do dia-a-dia que, por hábito, já realizou milhares de vezes. Por exemplo, um cozinheiro experiente pode ter sérias dificuldades em fritar um ovo ou qualquer outro tipo de cozinhado de fácil realização.

6. O problema do planeamento e resolução de problemas

À medida que a demência progride, podem existir maiores dificuldades de concentração. De uma forma mais particular, uma pessoa que sofre de Alzheimer não consegue seguir um plano, tomar a medicação correta ou gerir um orçamento. Por outro lado, a sua capacidade de decisão e resolução de problemas é nula.

7. Trocar o lugar das coisas

Um dos sintomas mais frequentes da doença de Alzheimer está relacionado com a troca sistemática do lugar das coisas. Por exemplo, é muito frequente encontrar as chaves de casa no congelador ou o comando da televisão na gaveta das meias, entre outras situações insólitas. Existe uma tendência para o esquecimento, mas também para deixar as coisas nos locais mais incomuns. É também de registar que é frequente acusarem outra pessoa de esconder ou roubar os seus pertences.

8. A desorientação no tempo e no espaço

A perceção do tempo e do espaço é um dos problemas mais graves que afeta um doente de Alzheimer. É muito fácil ficar perdido na rua, uma vez que não se recorda do local onde vive, não tem a noção das datas, estações do ano e/ou passagem do tempo, entre outras situações temporais e espaciais.

9. A dificuldade em comunicar

As capacidades linguísticas e comunicacionais de uma pessoa com Alzheimer vão diminuindo com o passar do tempo. Uma pessoa pode ter imensas dificuldades em encontrar a palavra certa, chamar as coisas pelos nomes errados, inventar novas palavras, entre outras situações. Esta condição carece de atenção, pois pode conduzir ao isolamento e depressão.

10. Vaguear sem rumo

Infelizmente, cerca de 60% das pessoas com demência têm uma tendência para vaguear sem qualquer tipo de destino. Isso deve-se à inquietação, medo, confusão em relação ao tempo e incapacidade em reconhecer pessoas, familiares, lugares e objetos. Em alguns casos, a pessoa pode sair de casa a meio da noite para satisfazer uma necessidade física, como encontrar uma casa de banho/banheiro ou comida, ou até pode querer ir para casa quando já está efetivamente em casa.

11. O discurso repetitivo

A repetição frequente de palavras, frases, perguntas ou atividades é uma característica da demência e da doença de Alzheimer. Esse comportamento repetitivo é provocado, por vezes, pela ansiedade, stress, ou para alcançar o conforto, segurança ou familiaridade.

12. As dificuldades visuais e espaciais

As pessoas que sofrem da doença de Alzheimer tendem a ter dificuldades de leitura, em julgar distâncias ou a determinar a cor e/ou contraste de um determinado tipo de material. Em termos de perceção, é comum que uma pessoa se olhe ao espelho e pense que está na companhia de outra pessoa sem se ter apercebido que está diante do seu próprio reflexo.

13. A realização de atividades sem qualquer tipo de propósito

Se detetar que um familiar que está ao seu cuidado realiza todo o tipo de esforços para a realização de uma atividade sem qualquer tipo de objetivo, como por exemplo abrir e fechar uma gaveta várias vezes, isso poderá significar que essa pessoa sofrerá de demência e, consequentemente, de Alzheimer. Apesar de não terem uma finalidade última, esse tipo de comportamentos revela a necessidade que uma pessoa tem em se sentir produtivo ou ocupado.

14. A necessidade de se afastar de todo o tipo de atividades

A doença de Alzheimer pode ser uma doença muito solitária e pode originar uma falta de interesse geral nas mais variadas atividades sociais ou pessoais. É comum que uma pessoa que sofra desta doença deixe de fazer os seus passatempos preferidos, pois não se recorda como os faz nem sequer sente o mesmo prazer.

15. A perda de iniciativa e motivação

A apatia, perda de interesse e de motivação em atividades sociais ou pessoais podem levar uma pessoa à depressão e, consequentemente, ao isolamento. A depressão dificulta muito a tarefa de um doente pois impede-o de articular corretamente os seus sentimentos e faz com que ele não tenha qualquer vontade ou iniciativa própria.

16. O não reconhecimento da família e dos amigos

De uma forma geral, as pessoas que têm Alzheimer esquecem o que aprenderam e quem conheceram e isso faz com que não reconheçam os seus amigos e familiares mais próximos. Num estado avançado e final da doença, as pessoas podem apenas recordar-se dos seus pais e de apenas algumas passagens com eles.

17. A perda das habilidades motoras e do sentido do tato

A demência afeta as capacidades motoras e interfere com o manuseamento de roupas ou todo o tipo de utensílios, como as tesouras ou os garfos. Contudo, a perda das habilidades motoras e do sentido do tato podem estar relacionados com uma doença muito diferente, como a doença de Parkinson. Deve observar esses sintomas e comunicá-los imediatamente ao seu médico de família para um diagnóstico mais detalhado.

18. A dificuldade em se vestir

A forma como um indivíduo se veste diz muito sobre a condição psicológica de uma pessoa. No caso de um doente de Alzheimer é comum ele utilizar a mesma roupa durante vários dias, pois esquece-se que a mesma já foi usada. Por outro lado, as dificuldades em apertar ou desabotoar os botões de uma camisa ou de um casaco, assim como realizar o nó de uma gravata são também um enorme handicap devido à perda das habilidades motoras.

19. O desleixo com a aparência e higiene pessoal

Os doentes de Alzheimer têm tendência para serem desleixados com a sua aparência e higiene pessoal, e esquecem-se, na maioria das vezes, de escovar os dentes, cortar as unhas, tomar banho e até utilizar a casa de banho/banheiro para a realização das suas necessidades.

20. Esquecer as refeições principais

A diminuição do apetite e a perda de interesse e prazer pela alimentação faz com que um doente de Alzheimer se esqueça de realizar as refeições principais ao longo do dia. Existe também a hipótese de um indivíduo perder a capacidade de dizer se um alimento ou bebida está quente ou frio demais para comer ou beber. Por vezes, face ao facto de não se lembrarem de como utilizar os talheres, alguns indivíduos chegam a levar a comida à mão até à sua própria boca.

21. O comportamento inadequado

Na fase terminal da doença de Alzheimer, um indivíduo pode revelar um comportamento inadequado e agir de forma atípica em várias situações distintas. Por exemplo, é comum esquecerem-se que são indivíduos casados e começam a fazer avanços sexuais inapropriados com outros parceiros, ou podem tirar a roupa em horários impróprios e em locais invulgares.

22. A capacidade de delirar

Os delírios e a paranoia são comuns nos doentes que sofrem de Alzheimer e alguns chegam a ter a forte convicção ou ilusão de que alguém o está a tentar ferir ou matar. A perda da memória e a confusão são os responsáveis principais pela má interpretação do que um doente vê e ouve.

23. A agressão física e verbal

A demência vai piorando com o tempo e com ela vão-se alterando os comportamentos e é normal que alguém se torne física ou verbalmente mais agressivo. As explosões verbais, gritos, ameaças e empurrões podem ser uma constante e podem surgir do nada. No entanto, é de realçar que a agressão verbal ou física pode estar relacionada com algum desconforto físico, incapacidade de comunicação ou frustração perante uma determinada situação.

24. As dificuldades em dormir

Alguns sintomas como a agitação, ansiedade, desorientação e confusão tendem a piorar à medida que o dia passa e podem continuar durante a noite, fazendo com que existam muitas dificuldades em adormecer e dormir. Essa perturbação do sono pode estar relacionada com as alterações do relógio biológico de uma pessoa e é uma razão comum que leva muitas vezes os familiares a colocar os seus entes queridos num lar de idosos.

25. A imitação ou o comportamento infantil

Os especialistas afirmam que quem sofre da doença de Alzheimer fica completamente dependente de um determinado indivíduo e imita-o de forma infantil, chegando até a segui-lo como uma espécie de “sombra”. Este comportamento surge, muitas vezes, pelo receio em encarar a forma confusa como o mundo é percecionado e pela necessidade de ter por perto uma pessoa em quem se confia totalmente.

27.5.10

Doença de Alzheimer , sintomas e evolução

Uma grande preocupação que temos observado nos cuidadores diz respeito ao estadiamento da doença. A pergunta: em que fase está à doença? É freqüentemente feita.

Vários estudos enfocando esse assunto foram realizados e existem várias propostas de estadiamento, porém os estudos clínicos de Sjoren que faz a divisão entre demência inicial, intermediária, final e terminal serão aqui utilizados.

Em média, de acordo com as estatísticas, 95% dos pacientes falecem nos primeiros 5 anos, no entanto conhecem-se casos com 10, 15 e até com mais de 20 anos de evolução.


FASE INICIAL

Sem dúvida, é a mais crítica das fases, uma vez que determinados sintomas iniciais são indulgentemente suportados e explicados pelos familiares como “parte  do processo natural do envelhecimento” e dessa forma subvalorizados, protelando-se a investigação diagnóstica.

É consenso que, se bem que não haja tratamento curativo para a doença de Alzheimer, o diagnóstico precoce é fundamental no  retardamento do aparecimento de complicações e na instituição imediata da terapêutica farmacológica disponível.

É, portanto, de vital importância que os sintomas iniciais sejam valorizados, na tentativa de se estabelecer um diagnóstico de probabilidade o mais precocemente possível, o que infelizmente não é o observado na prática diária.

Teoricamente essa fase dura de 2 a 4 anos.

O começo das alterações é lento e o paciente, especialmente os de bom nível intelectual e social, adaptam-se a determinadas deficiências com alguma facilidade fazendo com que não se perceba ou não se valorizem demais determinadas alterações. A intimidade do dia-a-dia, a vida atribulada das grandes cidades, entre outros fatores, especialmente as de origem sócio-cultural, colaboram com a aceitação pelos familiares de determinadas perdas e alterações comportamentais, especialmente quando se trata de pacientes idosos.

A primeira e mais característica marca do início da doença está relacionada com o comprometimento da memória recente ou de fixação.  Essas alterações não são constantes e se apresentam como falhas esporádicas de memória que se repetem com freqüência variável, sem constância.

Nesta fase, também iniciam-se os episódios de desorientação espacial, especialmente em lugares desconhecidos podendo também ocorrer alterações na orientação temporal.

Todas essas alterações, no entanto, como não se repetem com freqüência preocupante, são entendidas como fato natural, em virtude do avanço da idade, nervosismo e outras desculpas relacionadas com o cotidiano.

As alterações comportamentais costumam acompanhar essa evolução e, lenta e gradualmente, vai havendo uma mudança no padrão habitual de comportamento.

Dois grupos de comportamento são bastante conhecidos, um pela apatia, passividade e desinteresse e outro onde a irritabilidade, egoísmo, intolerância e agressividade são características. Indivíduos gentis tornam-se rudes e agressivos, egoístas e obstinados, desagradáveis e inflexíveis.

Nos casos onde a apatia é predominante, é imprescindível que se faça um diagnóstico diferencial com depressão (pseudodemência) e com a doença de Pick.

Costuma-se dizer que a doença de Alzheimer enfatiza as características da personalidade prévia, especialmente as negativas.

A associação freqüente de sintomas depressivos com a doença de Alzheimer está comprovada.

As alterações da memória e da orientação espacial causam estados depressivos que se manifestam por apatia e desinteresse pelas tarefas e atividades até então normalmente desempenhadas e inseridas no cotidiano recente.

Essa alteração do estado de ânimo tem sido associada com a percepção que o indivíduo tem de suas dificuldades, que tendem a se agravar, nunca apresentando melhora.

O tratamento medicamentoso da depressão melhora substancialmente o quadro demencial. Os sintomas mais marcantes dos estados depressivos são a apatia ou agitação, alteração do sono com insônia e inapetência.

A hipocondria também se agrava. Passam a valorizar mais o seu próprio corpo e fazem uma verdadeira peregrinação pelos consultórios, com queixas vagas e inconsistentes.

As alterações de comportamento e conduta costumam ser desencadeadas por algum fato concreto. Esse fato pode estar ligado ao ambiente, mudanças bruscas de costumes e situações estressantes. Como resposta a esses estímulos, os pacientes reagem desproporcionadamente com relação ao fato em si, tornam-se irrequietos, xingam, chegando até à agressão física.

Essa fase é muito difícil para quem convive com o paciente pois, em virtude dos períodos de bom convívio, bom desempenho social e intelectual e aparente boa saúde física, as explosões de ânimo ou as mudanças bruscas e inexplicáveis de comportamento são altamente angustiantes.

A dificuldade de comunicação também pode estar presente, com dificuldades em encontrar as palavras adequadas. A duração das frases se altera e apresentam dificuldades com a gramática.

Os distúrbios do sono, com inversão de horários e as alterações com o pensamento abstrato podem se manifestar já na fase inicial, marcando uma fronteira na passagem para a fase intermediária.


FASE INTERMEDIÁRIA

Pode durar de 3 a 5 anos e caracteriza-se fundamentalmente pelo agravamento dos sintomas apresentados na fase inicial.

Esta fase está correlacionada com o comprometimento cortical do lobo parietal afetando as atividades instrumentais e operativas.

Instala-se nesta fase as afasias (perda do poder de expressão pela fala, pela escrita ou pela sinalização ou da capacidade de compreensão da palavra escrita ou falada e sem alteração dos órgãos vocais), as apraxias (incapacidade de executar os movimentos apropriados para um determinado fim, contanto que não haja paralisia) e as agnosias (perda do poder de reconhecimento perceptivo sensorial, auditivo, visual, táctil etc.)

Outra característica que marca a fase intermediária tardia  é o início das dificuldades motoras.

A marcha pode estar prejudicada, com lentificação global dos movimentos, aumento do tônus muscular, diminuição da massa muscular e conseqüentes reflexos na aparência física pelo emagrecimento. As diminuições dos movimentos dos membros superiores ao andar e instabilidade postural são as  alterações mais encontradas.

As queixas de roubo de objetos e de dinheiro, total desorientação têmporo-espacial, dificuldades para reconhecer cuidadores e familiares, suspeita de conspiração para ser enviado a um asilo e o desenvolvimento de atividades totalmente desprovidas de objetivos (abulia cognitiva) são características da fase intermediária.

É comum apresentarem-se quadros de agitação e alucinações, que acometem praticamente a metade dos pacientes demenciados.A agitação psicomotora, ilusões e as alucinações relacionam-se  diretamente com o grau de severidade da demência.

Uma advertência necessária: apesar de que estas manifestações possam fazer parte da evolução da doença de Alzheimer, é imperativo fazer-se a distinção entre a evolução natural da instalação destas alterações com doenças subjacentes que possam estar intercorrendo.

A repetição de frases e palavras, sem interrupção e sem nexo também costuma estar presente.

As frases, via de regra, são curtas, incompreensíveis e mal construídas.

Perdem nessa fase a capacidade de ler e de entender o que lhes é dito ou pedido, especialmente se recebem ordens complexas ou perguntas com opção de respostas. O paciente pode responder afirmativamente a uma pergunta do tipo: “Você quer uma maçã?”, porém encontrará dificuldade de se decidir, se for perguntado se quer uma maçã ou uma laranja. Ao invés de responder ou tentar decifrar o enigma que se apresenta para ele, costuma ignorar e continuar da mesma maneira que se comportava imediatamente antes de ser questionado.

A iniciativa está abolida ou seriamente prejudicada. O paciente não costuma perguntar ou solicitar objetos e/ou ações. O vocabulário estará na maioria das vezes limitado a poucas palavras e à medida que evolui para a fase final fica ainda mais restrito, passando a utilizar apenas as palavras básicas.

Desenvolvem nessa fase grande sentimento de possessividade.

A dificuldade em aceitar novas idéias ou mudanças traduz-se por agitação psicomotora e agressividade.

Perdem nessa fase a capacidade de cálculo, pensamento abstrato e de julgamento. A apatia e inafetividade também se manifestam ou se agravam.

A memória anterógrada também estará prejudicada, a vagância geralmente associada à confabulação (falar só) se instala.

O fato de falar só é teorizado por alguns autores como uma tentativa de manter um elo com a realidade através de algumas recordações antigas.

Pode se perder, mesmo dentro de casa, uma vez que sua concentração e sua orientação no tempo e no espaço estão já a essa altura bastante prejudicadas.

As tarefas solicitadas verbalmente dificilmente são atendidas.

Os tremores e movimentos involuntários costumam ser observados, especialmente os tremores de extremidades e movimentos bucolinguais.

Nesta fase o paciente já se encontra em total estado de dependência, necessitando de  supervisão e cuidados diuturnos.

Podem, em alguns casos, realizar determinadas tarefas extremamente simples, porém são incapazes de sobreviver sem ajuda.


FASE FINAL

A duração desta fase varia de acordo com alguns fatores.

Quanto mais cedo a doença se instala mais rápida costuma ser a evolução.

Outro fator determinante, não apenas nesta fase, como também na fase inicial e intermediária, diz respeito aos aspectos preventivos e aos cuidados recebidos pelos pacientes. Pacientes bem cuidados,que foram tratados com os medicamentos adequados e tiveram boa orientação familiar apresentam uma melhor qualidade de vida e o aparecimento de complicações é significativamente mais tardio.

Pacientes que apresentam, já na fase inicial distúrbio de linguagem, alucinações e manifestações como tremores e movimentos involuntários costumam evoluir pior e mais rapidamente.

Nesta fase a memória antiga estará bastante prejudicada e às vezes totalmente comprometida. A capacidade intelectual e a iniciativa estarão seriamente prejudicadas ou totalmente deterioradas. O estado de apatia e prostração, o confinamento ao leito ou à poltrona, a incapacidade de se expressar, quer por fala ou mímica e especialmente a incapacidade de sorrir são características desta fase.

As alterações neurológicas se agravam: a rigidez aumenta consideravelmente e os movimentos estarão lentificados e por vezes estereotipados.

As convulsões, assim como o aparecimento de tremores e de movimentos involuntários, também são mais freqüentes nesta fase.

A indiferença ao ambiente e a tudo que o cerca, alternadas com alto grau de agitação psicomotora e o aparecimento de incontinência urinária e fecal trazem, nesta fase, grande carga de cuidados. O paciente torna-se totalmente dependente, podendo chegar à manipulação de fezes e a coprofagia.

Quando os indivíduos ainda possuem alguma reserva motora, as quedas acidentais com fraturas ocorrem com maior freqüência.

Passam a não reconhecer as pessoas mais próximas e podem até mesmo não se reconhecerem quando colocados em frente ao espelho.

Podem apresentar hiperfagia, aparecem as úlceras por pressão, devido a permanências no leito ou poltrona, por longos períodos de tempo, mesmo adequadamente cuidados.

Invariavelmente, caminham para um estado de acamamento com suas previsíveis e temíveis complicações, marcando assim a transição para a fase terminal.


FASE TERMINAL

Esta fase caracteriza-se por restrição ao leito/poltrona, praticamente durante todo o tempo.

Acabam por adotar a posição fetal. As contraturas dos membros inferiores tornam-se inextensíveis e irrecuperáveis. Os membros superiores adotam posição fletida junto ao tórax e a cabeça pende em direção ao peito. A coluna também se flexiona e o paciente adota uma posição conhecida como paraplegia em flexão ou posição fetal.

Podem surgir lesões nas palmas das mãos, por compressão destas pelos dedos flexionados; grandes úlceras por pressão, preferencialmente localizadas nas regiões trocantéricas, maléolos externos, região sacra, cotovelos, calcanhares e até mesmo nos pavilhões auriculares; incontinência urinária e fecal, total indiferença ao meio externo (só respondendo a estímulos dolorosos); mutismo e estado vegetativo.

Alimentam-se por sucção, sendo muitas vezes necessário o uso alternativo de alimentação enteral.

Na metade dos casos a morte sobrevém em um ano, devido a processos infecciosos, cujos focos preferenciais são o pulmonar e o urinário.

É importante ressaltar que, mesmo com os cuidados adequados, alguns pacientes acabam por atingir essa triste condição, porém é certo também que se os cuidados forem adequados isso deverá ocorrer mais tardiamente.

SUBTIPOS

São conhecidos quatro subtipos de doenças de Alzheimer que se relacionam com a evolução.

a) Benigno, cuja característica principal é a evolução lenta

b) Mioclônico (movimentos involuntários), apresentam evolução rápida, com mutismo precoce

c) Extrapiramidal, onde o declínio das funções operativas e intelectuais associa-se com marcantes alterações psicóticas

d) Típico, evoluem com deterioração gradual sem outros sinais característicos


CONCLUSÃO

Esta divisão por fases tem efeito didático e é estabelecida através de escores e métodos de valoração da dependência.

Não há fronteiras bem definidas entre elas e alguns pacientes costumam evoluir de maneira bastante particular.

A duração das fases e a sobrevida destes pacientes são bastante variáveis. Acredita-se que a sobrevida em geral duraria em torno de 5 a 8 anos, porém conhecem-se casos com mais de 20 anos de evolução.

Para se explicar essas diferenças com relação à gravidade da evolução, alguns aspectos devem ser levados em conta.

O primeiro estaria diretamente ligado à qualidade dos cuidados prestados ao paciente e a terapêutica adequada introduzida precocemente retardando o aparecimento das complicações previsíveis e aumentando significativamente não apenas a quantidade de vida como também a sua qualidade.

O segundo estaria ligado a características da própria doença, de acordo com os subtipos da doença de Alzheimer.


Síntese dos Sintomas – Fases

Na fase inicial os sintomas mais importantes são:

- perda de memória, confusão e desorientação.
- ansiedade, agitação, ilusão, desconfiança.
- alteração da personalidade e do senso crítico.
- dificuldades com as atividades da vida diária como alimentar-se e banhar-se.
- alguma dificuldade com ações mais complexas como cozinhar, fazer compras, dirigir, telefonar.


Na fase intermediária os sintomas da fase inicial se agravam e também pode ocorrer:

- dificuldade em reconhecer familiares e amigos.
- perder-se em ambientes conhecidos.
- alucinações, inapetência, perda de peso, incontinência urinária.
- dificuldades com a fala e a comunicação.
- movimentos e fala repetitiva.
- distúrbios do  sono.
- problemas com ações rotineiras.
- dependência progressiva.
- vagância.
- início de dificuldades motoras.


Na fase final:

- Dependência total.
- Imobilidade crescente.
- Incontinência urinária e fecal.
- Tendência em assumir a posição fetal.
- Mutismo.
- Restrito a poltrona ou ao leito.
- Presença de úlceras por pressão (escaras).
- Perda progressiva de peso.
- Infecções urinárias e respiratórias freqüentes.
- Término da comunicação.

Na fase Terminal

- Agravamento dos sintomas da fase final
- Incontinência dupla
- Restrito ao leito
- Posição fetal
- Mutismo
- Úlceras por pressão
- Alimentação enteral
- Infecções de repetição
- Morte

Fonte: Alzheimermed Informação e Solidariedade

21.2.10

Intervenção odontológica sob sedação medicamentosa em paciente idosa portadora de doença de Alzheimer – relato de caso clínico

Alexandre Franco Miranda*

Érica Negrini Lia**

Fernando Luiz Brunetti Montenegro***

Resumo: O cirurgião-dentista deve estar capacitado a planejar o tratamento dirigido a esse público sob a ótica multidisciplinar, utilizando recursos auxiliares e manejando as diferentes alternativas clínicas de intervenção. O objetivo é oferecer maior segurança ao atendimento, respeitando as individualidades do paciente, as condutas médicas e as decisões familiares.

Palavras-chave: Geriatria, Doença de Alzheimer, Odontogeriatria

Key-words: Geriatrics, Alzheimer’s disease, Geriatric Dentistry

Introdução

A demência é conceituada como uma desordem neurodegenerativa que atinge o Sistema Nervoso Central de forma progressiva e persistente, sendo a doença de Alzheimer a mais prevalente entre idosos 1,2.

A etiologia dos quadros demenciais é complexa e pode estar associada a fatores como idade avançada, história familiar, doença cérebro-vascular, déficits imunológicos, alterações metabólicas, fatores genéticos, traumatismos encefálicos, tumores, infecções e fatores comprometedores da qualidade de vida (nutrição, drogas, tabagismo, hipertensão e etilismo) 1,5.

Clinicamente, a doença de Alzheimer é de caráter irreversível, caracterizada por gradual deterioração da memória, aprendizado, orientação, estabilidade emocional, capacidade de comunicação e das atividades motoras. Com isso, os cuidados pessoais diários ficam comprometidos afetando também, a higienização bucal e a manutenção de uma saúde bucal satisfatória 3,4.

O diagnóstico de tal enfermidade é baseado na evolução clínica do paciente, a partir da avaliação dos progressivos declínios de memória, cognição e do comprometimento das atividades de vida diárias, além da exclusão de outros tipos de demência 2.

Não existe a cura, porém o tratamento é baseado na estratégia terapêutica de melhorar a cognição, retardar a evolução e tratar os sintomas e as alterações comportamentais 6,7.

Promover saúde bucal a essa população envolve a capacidade de atuar em um contexto multidisciplinar, direcionando as condutas clínicas em promover o bem-estar do paciente 4,5.

A responsabilidade ética e profissional faz-se necessária por meio do Consentimento Livre e Esclarecido, bem como o conhecimento prévio das diversas fases da doença 8,9.

O presente trabalho, por meio de um relato de caso clínico, tem por finalidade relatar a atuação odontológica, sob sedação medicamentosa, em uma paciente portadora de Alzheimer, dentro de um contexto multidisciplinar.

Relato de Caso

Paciente C.P.L., gênero feminino, 86 anos de idade, leucoderma, portadora de Doença de Alzheimer, diagnosticada há 06 anos, foi encaminhada para atendimento odontológico pelo médico geriatra responsável.

Não apresentava alterações sistêmicas e não estava submetida a medicações, conforme orientações médicas.

A enferma encontrava-se em estágio de dependência completa para a realização das atividades de vida diárias como alimentação e cuidados pessoais, incluindo a higiene bucal.

De acordo com as informações fornecidas pelo médico, familiares e cuidadora (técnica de enfermagem responsável pela higienização da paciente, cuidados e promoção de saúde bucal), a paciente apresentava dificuldades em abrir a boca para alimentação e administração da medicação, e um “ gemer” sem causa bem definida.

Avaliação Odontológica Inicial

A anamnese foi realizada junto à família e a cuidadora para obtenção dos dados corretos a respeito da paciente, além das informações da saúde geral obtidas por informação médica e avaliação dos exames complementares existentes (hemograma completo). A ectoscopia e o exame físico intrabucal iniciais foram realizados com o uso de meios auxiliares como afastadores e abridores de boca.

Foram solicitadas tomadas radiográficas periapicais para melhor confirmação do diagnóstico clínico e posterior elaboração do plano de tratamento.

A avaliação clínica e radiográfica evidenciaram a presença de focos de inflamação e infecção localizados, acúmulo de biofilme dentário, restos radiculares e prótese fixa mal adaptada nos dentes 25 (segundo pré-molar superior esquerdo), 26 (primeiro molar superior esquerdo) e 27 (segundo molar superior esquerdo), com lesão extensa de cárie subjacente a coroa do dente 26 .

Plano de Tratamento Odontológico Multidisciplinar

O plano de tratamento foi direcionado à promoção de bem-estar, qualidade de vida e eliminação de focos de infecção, inflamação e provável sintomatologia dolorosa presentes 8. Optou-se pela adequação do meio bucal por meio de tratamento periodontal básico e, posteriormente, pelas exodontias dos dentes segundo pré-molar superior esquerdo , primeiro e segundos molares superiores esquerdos.

Os familiares foram orientados a respeito da condição bucal da paciente, bem como as possibilidades de tratamento e a necessidade da ação conjunta entre odontólogo, médico e a família.

A responsabilidade ética-profissional perante a paciente e seus familiares foi realizada a partir do Consentimento Livre e Esclarecido 9,10 em que os responsáveis legais autorizaram a execução do tratamento proposto e o registro do caso clínico (utilização de imagens).

O médico geriatra da paciente foi contactado e foram fornecidas as explicações a respeito do plano de tratamento elaborado em todas as etapas dos procedimentos clínicos (anestésico odontológico, medicação pré e pós operatória, orientações aos familiares e cuidadores) bem como a sugestão da possibilidade de realização de sedação medicamentosa leve.

O plano de tratamento proposto foi dividido em duas fases: inicial, realização de ações preventivas e adequação do meio bucal; e cirúrgica, em consultório sob sedação medicamentosa, para exodontias dos dentes 25, 26 e 27.

a) Fase inicial – Adequação do meio bucal

Foram realizadas ações que visaram o controle inflamatório gengival como raspagem supragengival, controle de biofilme dental, orientações aos familiares e cuidadora a respeito de técnicas e manejo direcionados a técnica mais adequada de higienização bucal.

Escovação supervisionada e orientada com o uso de dentifrício fluoretado, higienização bucal com o uso gluconato de clorexidina a 0,12% duas vezes ao dia (manhã e noite) durante sete dias e orientações aos responsáveis , auxiliaram no controle químico do biofilme, contribuindo para a futura intervenção cirúrgica.

b) Fase cirúrgica

Em conjunto com o médico geriatra da paciente, adotou-se o protocolo farmacológico de sedação medicamentosa pré-operatória associada à profilaxia antibiótica.

Conforme a orientação médica, o Maleato de midazolam (DormonidÒ) na dose de 15 mg, quarenta minutos antes da cirurgia foi o fármaco de escolha.

A profilaxia antibiótica odontológica foi proposta e realizada com o uso de 2 gramas de Amoxicilina, uma hora antes do procedimento cirúrgico.

Após adquirir condições favoráveis e cooperativas para a realização da cirurgia devido à ação medicamentosa sedativa, deu-se sequência aos procedimentos pré-operatórios como a antisepsias extra e intrabucal.

A técnica anestésica utilizada foi a infiltrativa na região superior posterior esquerda. Para tanto, utilizou-se 02 tubetes de Articaína HCl 4% com epinefrina 1:100.000 para a extração dos dentes (segundo pré-molar, primeiro e segundo molares superiores esquerdos). As suturas foram simples com o uso de fio seda 4-0.

A cirurgia odontológica proposta foi realizada em uma única sessão (Fig.4). As orientações pós-operatórias foram fornecidas aos familiares e à cuidadora, direcionadas também a higienização bucal mecânica com complementação por método químico, por meio do uso do Gluconato de clorexidina à 0,12% duas vezes ao dia, por uma semana. Foi mantida a antibioticoterapia com Amoxicilina (08/08 horas) durante uma semana e o analgésico de escolha foi o Paracetamol 750mg (03 vezes ao dia durante 04 dias).

c) Reavaliação clínica

Após 12 dias da intervenção cirúrgica, foi realizada a avaliação da condição bucal e remoção das suturas na paciente que apresentava em boas condições de cicatrização.

De acordo com os familiares, a paciente não apresentou mais “gemências” e estabeleceu-se uma maior facilidade na execução das ações de higiene bucal após orientações supervisionadas realizadas.

Discussão

A doença de Alzheimer é caracterizada pela perda da capacidade cognitiva, motora e de cuidados pessoais, dentre eles a manutenção da higiene bucal enfatizam alguns autores 11-13.

Com a evolução de tal enfermidade, em estágios avançados de dependência, a paciente perde sua autonomia, controle de resposta aos estímulos e as ações de promoção de saúde bucal passam a ser de responsabilidade dos familiares e cuidadores, ressaltam Frenkel 3 (2004) e Zuluaga 8 (2002).

Segundo Miranda et al 10 (2008) e Gitto et al 13 (2001), existe a real necessidade de um planejamento odontológico que vise o bem-estar dessa população por meio de ações preventivas e de eliminação de possíveis focos de inflamação, infecção e sintomatologia dolorosa decorrentes de problemas bucais.

Nos casos de falta de cooperação do paciente para a realização da intervenção odontológica (fase avançada da demência), Andrade14 (2000) e Cogo et al 15 (2006) orientam o uso de meios sedativos, facilitando desta forma a execução dos procedimentos.

O uso da sedação medicamentosa com o Maleato de midazolam, sempre sob orientação médica, permite a execução da intervenção odontológica proposta de maneira segura e eficaz. O midazolam apresenta rápida absorção, atingindo pico plasmático em 30 minutos e com efeito de duração de 2 a 4 horas 14. Além disso, promove amnésia retrógrada.

Os benzodiazepínicos apresentam baixa incidência de efeitos adversos e toxicidade, particularmente em tratamentos de curta duração, como é o caso do uso em Odontologia e do caso apresentado 16.

É importante ressaltar a possibilidade de aparecimento de efeitos colaterais relacionados ao uso de benzodiazepínicos em idosos,como efeitos paradoxais e depressão respiratória 15. Por isso a realização de uma minuciosa anamnese, diálogo com o médico responsável e preparo do cirurgião-dentista são de extrema importância.

Cogo et al 15 (2006) e Soares et al 16 (2006) enfatizam que a opção por uma solução anestésica de alta lipossolubilidade, portanto alta potência e difusibilidade tecidual como a articaína, permite maior conforto, já que existe a preocupação de dor pós-operatória.

A articaína, também, é considerada uma solução anestésica que gera um metabólito inativo, com toxicidade cardíaca e neurológica irrelevante. Por esta razão é uma droga apropriada para ser empregada em pacientes idosos 16.

A prescrição antibiótica profilática e pós-cirúrgica por um período de 01 semana deve ser utilizada como protocolo, a partir da individualidade do caso, principalmente nos casos de infecções dentárias agudas 10,14.

Outro fator de grande importância, a partir da análise de Kocaelli et al 2 (2002), Varjão 4 (2006) e Adam 11 (2006), é a necessidade de participação efetiva familiar e dos cuidadores em todas as etapas do tratamento, pois normalmente são despreparados em realizar a higiene bucal de forma correta, principalmente após intervenções odontológicas mais complexas.

Conforme Chalmers 12 (2005), o cirurgião-dentista capacitado tem um fundamental papel nas orientações, manejo e adaptação das ações de higiene bucal a serem realizadas por essas pessoas, que muitas vezes, desconhecem ainda o importante papel da Odontologia como parte integrante na promoção da saúde do indivíduo.

Dentro desse contexto, faz-se necessária a efetiva participação do odontólogo junto a equipe multidisciplinar, direcionado ao idoso dependente. Além disso, ressalta-se a importância da orientação familiar e treinamento dos cuidadores, pois serão estes os multiplicadores dos conhecimentos e das práticas de higiene bucal 8,10.

Conclusões

O cirurgião-dentista deve estar capacitado a planejar o tratamento ao público idoso dependente dentro do enfoque multidisciplinar, respeitando as individualidades do paciente, as condutas médicas e sempre avaliando o contexto familiar.

As ações odontológicas devem focalizar a eliminação de possíveis fatores de risco (inflamação, infecção e dor) a partir de ações consideradas de mínima intervenção e seguras.

Deve ressaltar que, logo após o diagnóstico de demência feito, o paciente deve ser encaminhado ao cirurgião-dentista para avaliação, pois com o passar do tempo e evolução da doença, as intervenções odontológicas se tornarão mais difíceis de serem executadas e pode aparecer mudanças comportamentais devido à odontalgias não diagnosticadas, levando a uma possível confusão do médico e instituição medicamentosa desnecessária.

A Odontologia tem muito a acrescentar junto à equipe multidisciplinar em saúde para a avaliação, planejamento e execução do atendimento voltado à população idosa com demência.

Referências

1. Friedlander AH, Norman DC, Mahler ME, Norman KM, Yagiela JA. Alzheimer's disease: psychopathology, medical management and dental implications. J Amer Dental Assoc 2007;17(3):17-30.

2. Kocaelli H, Yaltirik M, Yargic LI, Ozbas H. Alzheimer's disease and dental management. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 2002;93(5):521-524.

3. Frenkel H. Alzheimer's disease and oral care. Spec Care Dent 2004;31(5):273-278.

4. Varjão FM. Assistência odontológica para o paciente portador da doença de Alzheimer. Rev Odonto Ciência 2006;21(53): 284-288.

5. Goiato MC, Santos DM, Barão VAR, Pesqueira AA, Gennari Filho H. Odontogeriatria e a Doença de Alzheimer. Pesq Bras Odontoped Clin Integr 2006;6(2):207-212.

6. Nederfors T. Xerostomia and hyposalivation. Adv Dent Res 2000;14:48-56.

7. Ettinger RL. Dental management of patients with Alzheimer's disease and other dementias. Gerodontology 2000;17(1):8-16.

8. Zuluaga M, Javier D. Manejo odontológico de pacientes com demencias. Rev Fed Dent Colomb 2002;203:28-39.

9. Odom JG, Odom SS, Jolly DE. Informed consent and the geriatric dental patient. Spec Care Dent 1992;12(5):202-206.

10. Miranda AF, Montenegro FLB, Lia EN, Miranda MPAF. Demência senil(Alzheimer): intervenção odontológica multidisciplinar em nível de consultório e domiciliar – Relato de caso clínico. Rev Eap/Apcd Sjc 2008; 10(1):11-13.

11. Adam H, Preston AJ. The oral health of individuals with dementia in nursing homes. Gerodontology 2006;23:99-105.

12. Chalmers JM, Pearson A. Oral hygiene care for residents with dementia: a literature review. J Adv Nurs 2005;52(4):410-419.

13. Gitto CA, Moroni MJ, Terezhalmy GT, Sandu S. The patient with Alzheimer's disease. Quintessence Int 2001; 32(3):221-31.

14. Andrade ED. Terapêutica medicamentosa em Odontologia.São Paulo:Ed Artes Médicas,2000,188p.

15. Cogo K, Bergamaschi CC, Yatsuda R, Volpato MC, Andrade ED. Sedação consciente com benzodiazepínicos em odontologia. Rev Odonto USP, 2006;18(2):181-188.

16. Soares RG, Irala LED, Limongi O. Como escolher um adequado anestésico local para as diferentes situações na clínica odontológica diária? Rev Sul Bras Odonto, 2006;3(1): 35-40.

*Alexandre Franco Miranda - Mestrando em Ciências da Saúde- UnB; Centro de Medicina Idoso (CMI) – HUB, UnB; Prof. Colaborador Pacientes Especiais – UCB

**Érica Negrini Lia - Doutora em Ciências da Saúde – UnB; Profa. Adjunta - UnB; Coordenadora Programa Extensão em Odontologia no CMI - HUB, UnB

***Fernando Luiz Brunetti Montenegro - Mestre e Doutor pela FOUSP; Prof. Adjunto na Universidade de Guarulhos; Coordenador de Saúde Bucal no CEDPES e CV Ondina Lobo

Como Publicado na Revista da SBGG 2009 3(3):146-9,ISSN 1981-8289.


Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

24.1.10

Alzheimer, links específicos


http://www.abraz.com.br Assoc. Brasileira de Alzheimer

http://www.alzheimer.med.br
http://www.alzheimermed.com.br
http://www.saudevidaonline.com.br/artigo97.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mal_de_Alzheimer
http://www.bbc.co.uk

Convivendo com Alzheimer - www.members.tripod.com/~marcioborges/Alzheimer/ - site da ABRAZ-MG de Juiz de Fora - Excelentes orientações para o cuidador;

www.alzheimer-europe.org/portuguese/ - Alzheimer Europe - Associação européia que oferece em lingua portuguesa a descrição, o diagnóstico, métodos de imagem cerebral, características principais e estágios da doença, medicamentos e pesquisa;

www.psiqweb.med.br/geriat/alzh.html Psiq Web - Psiquiatria Geral - Dr. Geraldo J. Ballone descreve a doença Alzheimer, diagnóstico, transformações no cérebro, alterações do comportamento, organizando a vida do paciente, medicamentos e tipos de assistência;

Associación Alzheimer de Monterrey - site oficial da Associação Mexicana que merece ser visitado;

http://nic.dataweb.com.mx/Alzheimer/ - AMAES – Asociacion Mexicana de Alzheimer y Enfermedades Similares A.C. - Site oficial da Associação de Alzheimer do México;

www.alma-argentina.org.ar - ALMA – Asociacion de Lucha contra el Mal de Alzheimer - Site oficial da Associação de Alzheimer da Argentina;

Alzheimer's Association - site em lingua inglesa da Associação Americana de Alzheimer. Excelente para pesquisas e com informações extremamente úteis;

Alzheimer's Disease International - site em lingua inglesa da ADI entidade internacional que congrega cerca de 45 Associações de Alzheimer de todo o mundo;

Alzwell - http://www.alzwell.com/ site em lingua inglesa desenvolvido por cuidador para cuidadores, com valiosas "dicas" no cuidar;

www.alzheimers.org – Site em lingua inglesa da Alzheimer’s Disease Education and Referral Center;

http://www.mayoclinic.org/ - Site em lingua inglesa da Mayo Clinic – USA onde se pode fazer pesquisa sobre Alzheimer e outras doenças;

http://www.clevelandclinic.org/ - Site em lingua inglesa da The Cleveland Clinic – USA onde se pode fazer pesquisa sobre Alzheimer e outras doenças;

http://cpmcnet.columbia.edu/ - Site em lingua inglesa da The Columbia University Health Sciences – USA onde se pode fazer pesquisa sobre Alzheimer e outras doenças;

http://www.intelihealth.com/IH/ihtIH/ - Site em lingua inglesa da The Harvard Medical School’s – USA onde se pode fazer pesquisa sobre Alzheimer e outras doenças;

www.nejm.org - Site em lingua inglesa do The New England Journal of Medicina onde se pode fazer pesquisa sobre Alzheimer e outras doenças;

www.thelancet.com – Site The Lancet em lingua inglesa onde se pode fazer pesquisa sobre Alzheimer e outras doenças.

Colaboração: Dr. José Joel Dantas

24.11.09

O Que é a Doença de Alzheimer:

Distúrbios da Memória no Idoso e Doença de Alzheimer

O Que é a Doença de Alzheimer:

É uma doença degenerativa que destrói células do cérebro lenta e progressivamente acarretando a perda gradual das funções intelectuais do indivíduo. A doença de Alzheimer é a principal causa de demência. Sua evolução é bastante longa, durando em média de 8 a 12 anos.

Dr. Alois Alzheimer

Estima-se que nos EUA existam cerca de quatro milhões de portadores da doença, e no Brasil, aproximadamente um milhão de pacientes.

Foi descrita pela primeira vez pelo médico Alois Alzheimer em 1907. Essa doença, erroneamente conhecida pela população como “esclerose” ou “caduquice” é uma forma de demência cuja causa não se relaciona com a circulação ou com o processo de arteriosclerose. É devida à morte das células cerebrais que levam a uma atrofia do cérebro.

Apesar da doença de Alzheimer ser a forma mais comum de demência, há outros tipos de demência não relacionadas a esta doença. Estima-se que entre 50 a 70 por cento de todas as pessoas com demência têm a doença de Alzheimer. O início da doença pode ocorrer entre 40 e 90 anos de idade, sendo mais comum a partir dos 65 anos.

Sintomas:

As principais queixas são em relação à perda da memória recente e da linguagem, que levam ao abandono de passatempos tais como leitura, jogo de cartas, etc. evoluindo até o afastamento social do indivíduo. Com o progredir da doença ocorre dificuldade no vestir-se e no uso de talheres. Em paralelo pode ocorrer alteração do comportamento, agitação e alteração do sono. Em estágio mais tardio pode haver delírios, geralmente persecutórios de roubo e alucinações.

Os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, passam a apresentar alterações de personalidade, com distúrbios de conduta e terminam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmo quando colocados frente a um espelho.

À medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação se inviabiliza e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as atividades elementares do cotidiano, tais como: alimentação, higiene pessoal, vestir, etc...

Qual a Causa:

A causa da doença ainda é desconhecida pela ciência médica e o tratamento é direcionado aos sintomas, ao seu ambiente e ao sistema de apoio familiar.

Existem várias teorias, porém de concreto aceita-se que existe uma combinação de fatores de risco que diferem de uma pessoa para outra. Dentre esses fatores de risco podemos citar:

· Idade: maior incidência acima de 65 anos de idade. No entanto, importa notar que apesar das pessoas tenderem a ficar esquecidas com o passar do tempo, a maioria dos indivíduos com mais de 80 anos permanecem mentalmente lúcidas. Isto significa que apesar de, com a idade, a probabilidade de se ter a doença de Alzheimer aumentar, não é a idade avançada por si que provoca a doença;

· Fatores genéticos/hereditariedade: A doença de Alzheimer não é considerada hereditária. Não é portanto determinada por genes transmitidos pelos pais. Mesmo que no passado vários membros da família tenham sido acometidos pela doença de Alzheimer, isso não significa que um outro membro da família venha necessariamente a desenvolvê-la, uma vez que a doença de Alzheimer não é considerada genética. No entanto, uma vez que a doença é tão comum nos mais velhos, não é invulgar que dois ou mais membros da família acima dos 65 anos a tenham. Mesmo que haja outros membros da família com a doença de Alzheimer, qualquer indivíduo apresenta risco de vir a ter a doença numa determinada época da sua existência. Atualmente sabe-se que existe um gene que pode contribuir para aumentar este risco. Tal gene encontra-se no cromossoma 19 e é responsável pela produção de uma proteína denominada apolipoproteína E (ApoE4);

· Traumatismos cranianos: Tem sido referido que uma pessoa que tenha sofrido um traumatismo craniano severo corre maior risco de desenvolver doença de Alzheimer. O risco torna-se maior se na época da lesão o indivíduo tiver mais de 50 anos e for portador do gene específico (ApoE);

· Outros factores: há dados que sugerem que pessoas com elevado nível intelectual têm menor risco de contrair essa doença do que as que possuem um baixo nível de atividade intelectiva.

Vale ressaltar que a doença de Alzheimer não é infecciosa nem contagiosa. É sim uma doença que determina uma deterioração da saúde do paciente, com perda de peso afetando o sistema imunológico o que acarreta um maior risco de infeção dos pulmões (pneumonias) que geralmente levam ao óbito.

Diagnóstico:

Não existe um teste específico que determine se alguém é portador da doença de Alzheimer. A doença é diagnosticada através de um processo de eliminação das outras causas de demência feita através de uma avaliação neuropsicológica minuciosa incluindo o estado físico e mental do indivíduo. Desta maneira o diagnóstico é essencialmente clínico, devendo-se excluir todas as outras causas de demência: depressão, hipotiroidismo ou deficiência de vitamina B12, que são as causas mais comuns de quadros demenciais reversíveis. Excluidas essas causas de demência o diagnóstico provável da doença de Alzheimer é feito pela presença de demência, isto é, perda de memória e pelo menos mais de uma outra função cognitiva (por exemplo: linguagem, atenção, funções executivas). A doença na fase avançada é frequentemente marcada pela tríade:

· Afasia: dificuldade ou perda de capacidade para falar, ou compreender a linguagem falada, escrita ou gestual;

· Apraxia: incapacidade para efetuar movimentos voluntários, e

· Agnosia: perda da capacidade para reconhecer os objetos, e para que servem.

Alterações psíquicas e do comportamento são observadas ao longo da progressão da doença, incluindo-se os quadros de depressão, as manifestações psicóticas (alucinações e delírios), as síndromes apáticas e os distúrbios do sono.

O diagnóstico definitivo ou de certeza da doença de Alzheimer só é possivel de ser estabelecido post-mortem, mediante comprovação feita por exame histopatológico do tecido cerebral.

Como vimos o diagnóstico em vida é eminentemente clínico e de exclusão, permitindo apenas uma aproximação probabilística. A investigação com exames complementares é, portanto, necessária para se afastarem outras causas de doença cerebral, particularmente o delírium e as demências reversíveis, em que a intervenção médica deve ser rápida e dirigida aos fatores causais.

Tratamento:

O tratamento das síndromes demenciais envolve um amplo espectro de abordagens, incluindo estratégias farmacológicas e intervenções psicossociais para o paciente e seus familiares.

Quanto ao tratamento da doença, há dois aspectos :

O primeiro, que trata de alterações de comportamento como agitação e agressividade, do humor como a depressão, que não devem ser feitos apenas com medicação, mas também com orientação e acompanhamento de médico psiquiatra;

O segundo, é o tratamento específico com drogas que podem corrigir o desequilíbrio bioquímico do cérebro, tais como: Tacrina, Donezepil, Rivastigmina, Galantamina, etc...

Estas drogas funcionam melhor na fase inicial do quadro clínico e têm por objetivo retardar a sua evolução, pois a doença de Alzheimer continua progredindo paulatinamente.

Outras drogas têm se mostrado promissoras como possíveis neuroprotetores, tais como a vitamina E em doses bastantes altas (2000 UI/dia) que mostrou efeito estabilizador em pacientes com quadros de demência moderada. Também tem sido descritos efeitos neuroprotetores dos antiinflamatórios não-hormonais, como do extrato vegetal de Ginkgo biloba e do estrogênio.

O que pode ajudar:

A grande arma no enfrentamento dessa doença é a informação associada à solidariedade.

À medida que os familiares conhecem melhor a doença e sua provável evolução, vários recursos e estratégias podem ser utilizadas com sucesso.

É fundamental que os familiares saibam que sempre há algo a fazer e porisso é possível melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares. Existem doenças incuráveis, porém não há “pacientes intratáveis”.

Como afeta a família:

A doença de Alzheimer afeta os familiares de modo devastador. As dúvidas e incertezas com o futuro, a grande responsabilidade, a inversão de papéis onde os filhos passam a se encarregar dos cuidados de seus pais, além da enorme carga de trabalho e sobrecarga emocional, acabam por gerar intenso conflito e angústia no meio familiar.

A sensação de estar só, isolado, desamparado e a inevitável pergunta : “por que isso está acontecendo comigo”? submete os cuidadores à enorme pressão psicológica que vem acompanhada de depressão, queda da resistência física, problemas de ordem conjugal, etc...

Associação Brasileira de Alzheimer:

A ABRAz - Associação Brasileira de Alzheimer, é uma entidade sem fins lucrativos, que objetiva a melhoria das condições de vida do paciente e de seus familiares.

Fundada em Agosto de 1991, reúne em sua diretoria familiares e profissionais especializados para, em conjunto, desenvolverem ações concretas em favor dos pacientes.

Os familiares recebem informações atualizadas sobre os avanços das pesquisas, frequentam grupos de suporte familiar, assistem palestras e cursos, aprendem sobre a doença e suas características com o objetivo de aliviar parte da carga a que estão submetidos.

A ABRAz está organizada em quase todo o território nacional.

Correspondência: Caixa Postal 3913 – São Paulo – SP – 01060-970

TEL/FAX : (011) 3207-8791 Tel : 0800-551906

http://www.abraz.com.br

O associado recebe o Boletim Informativo Mensal com informações atualizadas sobre o tratamento da doença de Alzheimer, bem como sobre cursos, seminários, congressos, etc.

Dr. Joel Dantas.