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6.5.11
Doença de Alzheimer (Sintomas)
27.5.10
Doença de Alzheimer , sintomas e evolução
Vários estudos enfocando esse assunto foram realizados e existem várias propostas de estadiamento, porém os estudos clínicos de Sjoren que faz a divisão entre demência inicial, intermediária, final e terminal serão aqui utilizados.
Em média, de acordo com as estatísticas, 95% dos pacientes falecem nos primeiros 5 anos, no entanto conhecem-se casos com 10, 15 e até com mais de 20 anos de evolução.
FASE INICIAL
Sem dúvida, é a mais crítica das fases, uma vez que determinados sintomas iniciais são indulgentemente suportados e explicados pelos familiares como “parte do processo natural do envelhecimento” e dessa forma subvalorizados, protelando-se a investigação diagnóstica.
É consenso que, se bem que não haja tratamento curativo para a doença de Alzheimer, o diagnóstico precoce é fundamental no retardamento do aparecimento de complicações e na instituição imediata da terapêutica farmacológica disponível.
É, portanto, de vital importância que os sintomas iniciais sejam valorizados, na tentativa de se estabelecer um diagnóstico de probabilidade o mais precocemente possível, o que infelizmente não é o observado na prática diária.
Teoricamente essa fase dura de 2 a 4 anos.
O começo das alterações é lento e o paciente, especialmente os de bom nível intelectual e social, adaptam-se a determinadas deficiências com alguma facilidade fazendo com que não se perceba ou não se valorizem demais determinadas alterações. A intimidade do dia-a-dia, a vida atribulada das grandes cidades, entre outros fatores, especialmente as de origem sócio-cultural, colaboram com a aceitação pelos familiares de determinadas perdas e alterações comportamentais, especialmente quando se trata de pacientes idosos.
A primeira e mais característica marca do início da doença está relacionada com o comprometimento da memória recente ou de fixação. Essas alterações não são constantes e se apresentam como falhas esporádicas de memória que se repetem com freqüência variável, sem constância.
Nesta fase, também iniciam-se os episódios de desorientação espacial, especialmente em lugares desconhecidos podendo também ocorrer alterações na orientação temporal.
Todas essas alterações, no entanto, como não se repetem com freqüência preocupante, são entendidas como fato natural, em virtude do avanço da idade, nervosismo e outras desculpas relacionadas com o cotidiano.
As alterações comportamentais costumam acompanhar essa evolução e, lenta e gradualmente, vai havendo uma mudança no padrão habitual de comportamento.
Dois grupos de comportamento são bastante conhecidos, um pela apatia, passividade e desinteresse e outro onde a irritabilidade, egoísmo, intolerância e agressividade são características. Indivíduos gentis tornam-se rudes e agressivos, egoístas e obstinados, desagradáveis e inflexíveis.
Nos casos onde a apatia é predominante, é imprescindível que se faça um diagnóstico diferencial com depressão (pseudodemência) e com a doença de Pick.
Costuma-se dizer que a doença de Alzheimer enfatiza as características da personalidade prévia, especialmente as negativas.
A associação freqüente de sintomas depressivos com a doença de Alzheimer está comprovada.
As alterações da memória e da orientação espacial causam estados depressivos que se manifestam por apatia e desinteresse pelas tarefas e atividades até então normalmente desempenhadas e inseridas no cotidiano recente.
Essa alteração do estado de ânimo tem sido associada com a percepção que o indivíduo tem de suas dificuldades, que tendem a se agravar, nunca apresentando melhora.
O tratamento medicamentoso da depressão melhora substancialmente o quadro demencial. Os sintomas mais marcantes dos estados depressivos são a apatia ou agitação, alteração do sono com insônia e inapetência.
A hipocondria também se agrava. Passam a valorizar mais o seu próprio corpo e fazem uma verdadeira peregrinação pelos consultórios, com queixas vagas e inconsistentes.
As alterações de comportamento e conduta costumam ser desencadeadas por algum fato concreto. Esse fato pode estar ligado ao ambiente, mudanças bruscas de costumes e situações estressantes. Como resposta a esses estímulos, os pacientes reagem desproporcionadamente com relação ao fato em si, tornam-se irrequietos, xingam, chegando até à agressão física.
Essa fase é muito difícil para quem convive com o paciente pois, em virtude dos períodos de bom convívio, bom desempenho social e intelectual e aparente boa saúde física, as explosões de ânimo ou as mudanças bruscas e inexplicáveis de comportamento são altamente angustiantes.
A dificuldade de comunicação também pode estar presente, com dificuldades em encontrar as palavras adequadas. A duração das frases se altera e apresentam dificuldades com a gramática.
Os distúrbios do sono, com inversão de horários e as alterações com o pensamento abstrato podem se manifestar já na fase inicial, marcando uma fronteira na passagem para a fase intermediária.
FASE INTERMEDIÁRIA
Pode durar de 3 a 5 anos e caracteriza-se fundamentalmente pelo agravamento dos sintomas apresentados na fase inicial.
Esta fase está correlacionada com o comprometimento cortical do lobo parietal afetando as atividades instrumentais e operativas.
Instala-se nesta fase as afasias (perda do poder de expressão pela fala, pela escrita ou pela sinalização ou da capacidade de compreensão da palavra escrita ou falada e sem alteração dos órgãos vocais), as apraxias (incapacidade de executar os movimentos apropriados para um determinado fim, contanto que não haja paralisia) e as agnosias (perda do poder de reconhecimento perceptivo sensorial, auditivo, visual, táctil etc.)
Outra característica que marca a fase intermediária tardia é o início das dificuldades motoras.
A marcha pode estar prejudicada, com lentificação global dos movimentos, aumento do tônus muscular, diminuição da massa muscular e conseqüentes reflexos na aparência física pelo emagrecimento. As diminuições dos movimentos dos membros superiores ao andar e instabilidade postural são as alterações mais encontradas.
As queixas de roubo de objetos e de dinheiro, total desorientação têmporo-espacial, dificuldades para reconhecer cuidadores e familiares, suspeita de conspiração para ser enviado a um asilo e o desenvolvimento de atividades totalmente desprovidas de objetivos (abulia cognitiva) são características da fase intermediária.
É comum apresentarem-se quadros de agitação e alucinações, que acometem praticamente a metade dos pacientes demenciados.A agitação psicomotora, ilusões e as alucinações relacionam-se diretamente com o grau de severidade da demência.
Uma advertência necessária: apesar de que estas manifestações possam fazer parte da evolução da doença de Alzheimer, é imperativo fazer-se a distinção entre a evolução natural da instalação destas alterações com doenças subjacentes que possam estar intercorrendo.
A repetição de frases e palavras, sem interrupção e sem nexo também costuma estar presente.
As frases, via de regra, são curtas, incompreensíveis e mal construídas.
Perdem nessa fase a capacidade de ler e de entender o que lhes é dito ou pedido, especialmente se recebem ordens complexas ou perguntas com opção de respostas. O paciente pode responder afirmativamente a uma pergunta do tipo: “Você quer uma maçã?”, porém encontrará dificuldade de se decidir, se for perguntado se quer uma maçã ou uma laranja. Ao invés de responder ou tentar decifrar o enigma que se apresenta para ele, costuma ignorar e continuar da mesma maneira que se comportava imediatamente antes de ser questionado.
A iniciativa está abolida ou seriamente prejudicada. O paciente não costuma perguntar ou solicitar objetos e/ou ações. O vocabulário estará na maioria das vezes limitado a poucas palavras e à medida que evolui para a fase final fica ainda mais restrito, passando a utilizar apenas as palavras básicas.
Desenvolvem nessa fase grande sentimento de possessividade.
A dificuldade em aceitar novas idéias ou mudanças traduz-se por agitação psicomotora e agressividade.
Perdem nessa fase a capacidade de cálculo, pensamento abstrato e de julgamento. A apatia e inafetividade também se manifestam ou se agravam.
A memória anterógrada também estará prejudicada, a vagância geralmente associada à confabulação (falar só) se instala.
O fato de falar só é teorizado por alguns autores como uma tentativa de manter um elo com a realidade através de algumas recordações antigas.
Pode se perder, mesmo dentro de casa, uma vez que sua concentração e sua orientação no tempo e no espaço estão já a essa altura bastante prejudicadas.
As tarefas solicitadas verbalmente dificilmente são atendidas.
Os tremores e movimentos involuntários costumam ser observados, especialmente os tremores de extremidades e movimentos bucolinguais.
Nesta fase o paciente já se encontra em total estado de dependência, necessitando de supervisão e cuidados diuturnos.
Podem, em alguns casos, realizar determinadas tarefas extremamente simples, porém são incapazes de sobreviver sem ajuda.
FASE FINAL
A duração desta fase varia de acordo com alguns fatores.
Quanto mais cedo a doença se instala mais rápida costuma ser a evolução.
Outro fator determinante, não apenas nesta fase, como também na fase inicial e intermediária, diz respeito aos aspectos preventivos e aos cuidados recebidos pelos pacientes. Pacientes bem cuidados,que foram tratados com os medicamentos adequados e tiveram boa orientação familiar apresentam uma melhor qualidade de vida e o aparecimento de complicações é significativamente mais tardio.
Pacientes que apresentam, já na fase inicial distúrbio de linguagem, alucinações e manifestações como tremores e movimentos involuntários costumam evoluir pior e mais rapidamente.
Nesta fase a memória antiga estará bastante prejudicada e às vezes totalmente comprometida. A capacidade intelectual e a iniciativa estarão seriamente prejudicadas ou totalmente deterioradas. O estado de apatia e prostração, o confinamento ao leito ou à poltrona, a incapacidade de se expressar, quer por fala ou mímica e especialmente a incapacidade de sorrir são características desta fase.
As alterações neurológicas se agravam: a rigidez aumenta consideravelmente e os movimentos estarão lentificados e por vezes estereotipados.
As convulsões, assim como o aparecimento de tremores e de movimentos involuntários, também são mais freqüentes nesta fase.
A indiferença ao ambiente e a tudo que o cerca, alternadas com alto grau de agitação psicomotora e o aparecimento de incontinência urinária e fecal trazem, nesta fase, grande carga de cuidados. O paciente torna-se totalmente dependente, podendo chegar à manipulação de fezes e a coprofagia.
Quando os indivíduos ainda possuem alguma reserva motora, as quedas acidentais com fraturas ocorrem com maior freqüência.
Passam a não reconhecer as pessoas mais próximas e podem até mesmo não se reconhecerem quando colocados em frente ao espelho.
Podem apresentar hiperfagia, aparecem as úlceras por pressão, devido a permanências no leito ou poltrona, por longos períodos de tempo, mesmo adequadamente cuidados.
Invariavelmente, caminham para um estado de acamamento com suas previsíveis e temíveis complicações, marcando assim a transição para a fase terminal.
FASE TERMINAL
Esta fase caracteriza-se por restrição ao leito/poltrona, praticamente durante todo o tempo.
Acabam por adotar a posição fetal. As contraturas dos membros inferiores tornam-se inextensíveis e irrecuperáveis. Os membros superiores adotam posição fletida junto ao tórax e a cabeça pende em direção ao peito. A coluna também se flexiona e o paciente adota uma posição conhecida como paraplegia em flexão ou posição fetal.
Podem surgir lesões nas palmas das mãos, por compressão destas pelos dedos flexionados; grandes úlceras por pressão, preferencialmente localizadas nas regiões trocantéricas, maléolos externos, região sacra, cotovelos, calcanhares e até mesmo nos pavilhões auriculares; incontinência urinária e fecal, total indiferença ao meio externo (só respondendo a estímulos dolorosos); mutismo e estado vegetativo.
Alimentam-se por sucção, sendo muitas vezes necessário o uso alternativo de alimentação enteral.
Na metade dos casos a morte sobrevém em um ano, devido a processos infecciosos, cujos focos preferenciais são o pulmonar e o urinário.
É importante ressaltar que, mesmo com os cuidados adequados, alguns pacientes acabam por atingir essa triste condição, porém é certo também que se os cuidados forem adequados isso deverá ocorrer mais tardiamente.
SUBTIPOS
São conhecidos quatro subtipos de doenças de Alzheimer que se relacionam com a evolução.
a) Benigno, cuja característica principal é a evolução lenta
b) Mioclônico (movimentos involuntários), apresentam evolução rápida, com mutismo precoce
c) Extrapiramidal, onde o declínio das funções operativas e intelectuais associa-se com marcantes alterações psicóticas
d) Típico, evoluem com deterioração gradual sem outros sinais característicos
CONCLUSÃO
Esta divisão por fases tem efeito didático e é estabelecida através de escores e métodos de valoração da dependência.
Não há fronteiras bem definidas entre elas e alguns pacientes costumam evoluir de maneira bastante particular.
A duração das fases e a sobrevida destes pacientes são bastante variáveis. Acredita-se que a sobrevida em geral duraria em torno de 5 a 8 anos, porém conhecem-se casos com mais de 20 anos de evolução.
Para se explicar essas diferenças com relação à gravidade da evolução, alguns aspectos devem ser levados em conta.
O primeiro estaria diretamente ligado à qualidade dos cuidados prestados ao paciente e a terapêutica adequada introduzida precocemente retardando o aparecimento das complicações previsíveis e aumentando significativamente não apenas a quantidade de vida como também a sua qualidade.
O segundo estaria ligado a características da própria doença, de acordo com os subtipos da doença de Alzheimer.
Síntese dos Sintomas – Fases
Na fase inicial os sintomas mais importantes são:
- perda de memória, confusão e desorientação.
- ansiedade, agitação, ilusão, desconfiança.
- alteração da personalidade e do senso crítico.
- dificuldades com as atividades da vida diária como alimentar-se e banhar-se.
- alguma dificuldade com ações mais complexas como cozinhar, fazer compras, dirigir, telefonar.
Na fase intermediária os sintomas da fase inicial se agravam e também pode ocorrer:
- dificuldade em reconhecer familiares e amigos.
- perder-se em ambientes conhecidos.
- alucinações, inapetência, perda de peso, incontinência urinária.
- dificuldades com a fala e a comunicação.
- movimentos e fala repetitiva.
- distúrbios do sono.
- problemas com ações rotineiras.
- dependência progressiva.
- vagância.
- início de dificuldades motoras.
Na fase final:
- Dependência total.
- Imobilidade crescente.
- Incontinência urinária e fecal.
- Tendência em assumir a posição fetal.
- Mutismo.
- Restrito a poltrona ou ao leito.
- Presença de úlceras por pressão (escaras).
- Perda progressiva de peso.
- Infecções urinárias e respiratórias freqüentes.
- Término da comunicação.
Na fase Terminal
- Agravamento dos sintomas da fase final
- Incontinência dupla
- Restrito ao leito
- Posição fetal
- Mutismo
- Úlceras por pressão
- Alimentação enteral
- Infecções de repetição
- Morte
Fonte: Alzheimermed Informação e Solidariedade
21.2.10
Intervenção odontológica sob sedação medicamentosa em paciente idosa portadora de doença de Alzheimer – relato de caso clínico
Alexandre Franco Miranda*
Érica Negrini Lia**
Fernando Luiz Brunetti Montenegro***
Resumo: O cirurgião-dentista deve estar capacitado a planejar o tratamento dirigido a esse público sob a ótica multidisciplinar, utilizando recursos auxiliares e manejando as diferentes alternativas clínicas de intervenção. O objetivo é oferecer maior segurança ao atendimento, respeitando as individualidades do paciente, as condutas médicas e as decisões familiares.
Palavras-chave: Geriatria, Doença de Alzheimer, Odontogeriatria
Key-words: Geriatrics, Alzheimer’s disease, Geriatric Dentistry
Introdução
A demência é conceituada como uma desordem neurodegenerativa que atinge o Sistema Nervoso Central de forma progressiva e persistente, sendo a doença de Alzheimer a mais prevalente entre idosos 1,2.
A etiologia dos quadros demenciais é complexa e pode estar associada a fatores como idade avançada, história familiar, doença cérebro-vascular, déficits imunológicos, alterações metabólicas, fatores genéticos, traumatismos encefálicos, tumores, infecções e fatores comprometedores da qualidade de vida (nutrição, drogas, tabagismo, hipertensão e etilismo) 1,5.
Clinicamente, a doença de Alzheimer é de caráter irreversível, caracterizada por gradual deterioração da memória, aprendizado, orientação, estabilidade emocional, capacidade de comunicação e das atividades motoras. Com isso, os cuidados pessoais diários ficam comprometidos afetando também, a higienização bucal e a manutenção de uma saúde bucal satisfatória 3,4.
O diagnóstico de tal enfermidade é baseado na evolução clínica do paciente, a partir da avaliação dos progressivos declínios de memória, cognição e do comprometimento das atividades de vida diárias, além da exclusão de outros tipos de demência 2.
Não existe a cura, porém o tratamento é baseado na estratégia terapêutica de melhorar a cognição, retardar a evolução e tratar os sintomas e as alterações comportamentais 6,7.
Promover saúde bucal a essa população envolve a capacidade de atuar em um contexto multidisciplinar, direcionando as condutas clínicas em promover o bem-estar do paciente 4,5.
A responsabilidade ética e profissional faz-se necessária por meio do Consentimento Livre e Esclarecido, bem como o conhecimento prévio das diversas fases da doença 8,9.
O presente trabalho, por meio de um relato de caso clínico, tem por finalidade relatar a atuação odontológica, sob sedação medicamentosa, em uma paciente portadora de Alzheimer, dentro de um contexto multidisciplinar.
Relato de Caso
Paciente C.P.L., gênero feminino, 86 anos de idade, leucoderma, portadora de Doença de Alzheimer, diagnosticada há 06 anos, foi encaminhada para atendimento odontológico pelo médico geriatra responsável.
Não apresentava alterações sistêmicas e não estava submetida a medicações, conforme orientações médicas.
A enferma encontrava-se em estágio de dependência completa para a realização das atividades de vida diárias como alimentação e cuidados pessoais, incluindo a higiene bucal.
De acordo com as informações fornecidas pelo médico, familiares e cuidadora (técnica de enfermagem responsável pela higienização da paciente, cuidados e promoção de saúde bucal), a paciente apresentava dificuldades em abrir a boca para alimentação e administração da medicação, e um “ gemer” sem causa bem definida.
Avaliação Odontológica Inicial
A anamnese foi realizada junto à família e a cuidadora para obtenção dos dados corretos a respeito da paciente, além das informações da saúde geral obtidas por informação médica e avaliação dos exames complementares existentes (hemograma completo). A ectoscopia e o exame físico intrabucal iniciais foram realizados com o uso de meios auxiliares como afastadores e abridores de boca.
Foram solicitadas tomadas radiográficas periapicais para melhor confirmação do diagnóstico clínico e posterior elaboração do plano de tratamento.
A avaliação clínica e radiográfica evidenciaram a presença de focos de inflamação e infecção localizados, acúmulo de biofilme dentário, restos radiculares e prótese fixa mal adaptada nos dentes 25 (segundo pré-molar superior esquerdo), 26 (primeiro molar superior esquerdo) e 27 (segundo molar superior esquerdo), com lesão extensa de cárie subjacente a coroa do dente 26 .
Plano de Tratamento Odontológico Multidisciplinar
O plano de tratamento foi direcionado à promoção de bem-estar, qualidade de vida e eliminação de focos de infecção, inflamação e provável sintomatologia dolorosa presentes 8. Optou-se pela adequação do meio bucal por meio de tratamento periodontal básico e, posteriormente, pelas exodontias dos dentes segundo pré-molar superior esquerdo , primeiro e segundos molares superiores esquerdos.
Os familiares foram orientados a respeito da condição bucal da paciente, bem como as possibilidades de tratamento e a necessidade da ação conjunta entre odontólogo, médico e a família.
A responsabilidade ética-profissional perante a paciente e seus familiares foi realizada a partir do Consentimento Livre e Esclarecido 9,10 em que os responsáveis legais autorizaram a execução do tratamento proposto e o registro do caso clínico (utilização de imagens).
O médico geriatra da paciente foi contactado e foram fornecidas as explicações a respeito do plano de tratamento elaborado em todas as etapas dos procedimentos clínicos (anestésico odontológico, medicação pré e pós operatória, orientações aos familiares e cuidadores) bem como a sugestão da possibilidade de realização de sedação medicamentosa leve.
O plano de tratamento proposto foi dividido em duas fases: inicial, realização de ações preventivas e adequação do meio bucal; e cirúrgica, em consultório sob sedação medicamentosa, para exodontias dos dentes 25, 26 e 27.
a) Fase inicial – Adequação do meio bucal
Foram realizadas ações que visaram o controle inflamatório gengival como raspagem supragengival, controle de biofilme dental, orientações aos familiares e cuidadora a respeito de técnicas e manejo direcionados a técnica mais adequada de higienização bucal.
Escovação supervisionada e orientada com o uso de dentifrício fluoretado, higienização bucal com o uso gluconato de clorexidina a 0,12% duas vezes ao dia (manhã e noite) durante sete dias e orientações aos responsáveis , auxiliaram no controle químico do biofilme, contribuindo para a futura intervenção cirúrgica.
b) Fase cirúrgica
Em conjunto com o médico geriatra da paciente, adotou-se o protocolo farmacológico de sedação medicamentosa pré-operatória associada à profilaxia antibiótica.
Conforme a orientação médica, o Maleato de midazolam (DormonidÒ) na dose de 15 mg, quarenta minutos antes da cirurgia foi o fármaco de escolha.
A profilaxia antibiótica odontológica foi proposta e realizada com o uso de 2 gramas de Amoxicilina, uma hora antes do procedimento cirúrgico.
Após adquirir condições favoráveis e cooperativas para a realização da cirurgia devido à ação medicamentosa sedativa, deu-se sequência aos procedimentos pré-operatórios como a antisepsias extra e intrabucal.
A técnica anestésica utilizada foi a infiltrativa na região superior posterior esquerda. Para tanto, utilizou-se 02 tubetes de Articaína HCl 4% com epinefrina 1:100.000 para a extração dos dentes (segundo pré-molar, primeiro e segundo molares superiores esquerdos). As suturas foram simples com o uso de fio seda 4-0.
A cirurgia odontológica proposta foi realizada em uma única sessão (Fig.4). As orientações pós-operatórias foram fornecidas aos familiares e à cuidadora, direcionadas também a higienização bucal mecânica com complementação por método químico, por meio do uso do Gluconato de clorexidina à 0,12% duas vezes ao dia, por uma semana. Foi mantida a antibioticoterapia com Amoxicilina (08/08 horas) durante uma semana e o analgésico de escolha foi o Paracetamol 750mg (03 vezes ao dia durante 04 dias).
c) Reavaliação clínica
Após 12 dias da intervenção cirúrgica, foi realizada a avaliação da condição bucal e remoção das suturas na paciente que apresentava em boas condições de cicatrização.
De acordo com os familiares, a paciente não apresentou mais “gemências” e estabeleceu-se uma maior facilidade na execução das ações de higiene bucal após orientações supervisionadas realizadas.
Discussão
A doença de Alzheimer é caracterizada pela perda da capacidade cognitiva, motora e de cuidados pessoais, dentre eles a manutenção da higiene bucal enfatizam alguns autores 11-13.
Com a evolução de tal enfermidade, em estágios avançados de dependência, a paciente perde sua autonomia, controle de resposta aos estímulos e as ações de promoção de saúde bucal passam a ser de responsabilidade dos familiares e cuidadores, ressaltam Frenkel 3 (2004) e Zuluaga 8 (2002).
Segundo Miranda et al 10 (2008) e Gitto et al 13 (2001), existe a real necessidade de um planejamento odontológico que vise o bem-estar dessa população por meio de ações preventivas e de eliminação de possíveis focos de inflamação, infecção e sintomatologia dolorosa decorrentes de problemas bucais.
Nos casos de falta de cooperação do paciente para a realização da intervenção odontológica (fase avançada da demência), Andrade14 (2000) e Cogo et al 15 (2006) orientam o uso de meios sedativos, facilitando desta forma a execução dos procedimentos.
O uso da sedação medicamentosa com o Maleato de midazolam, sempre sob orientação médica, permite a execução da intervenção odontológica proposta de maneira segura e eficaz. O midazolam apresenta rápida absorção, atingindo pico plasmático em 30 minutos e com efeito de duração de 2 a 4 horas 14. Além disso, promove amnésia retrógrada.
Os benzodiazepínicos apresentam baixa incidência de efeitos adversos e toxicidade, particularmente em tratamentos de curta duração, como é o caso do uso em Odontologia e do caso apresentado 16.
É importante ressaltar a possibilidade de aparecimento de efeitos colaterais relacionados ao uso de benzodiazepínicos em idosos,como efeitos paradoxais e depressão respiratória 15. Por isso a realização de uma minuciosa anamnese, diálogo com o médico responsável e preparo do cirurgião-dentista são de extrema importância.
Cogo et al 15 (2006) e Soares et al 16 (2006) enfatizam que a opção por uma solução anestésica de alta lipossolubilidade, portanto alta potência e difusibilidade tecidual como a articaína, permite maior conforto, já que existe a preocupação de dor pós-operatória.
A articaína, também, é considerada uma solução anestésica que gera um metabólito inativo, com toxicidade cardíaca e neurológica irrelevante. Por esta razão é uma droga apropriada para ser empregada em pacientes idosos 16.
A prescrição antibiótica profilática e pós-cirúrgica por um período de 01 semana deve ser utilizada como protocolo, a partir da individualidade do caso, principalmente nos casos de infecções dentárias agudas 10,14.
Outro fator de grande importância, a partir da análise de Kocaelli et al 2 (2002), Varjão 4 (2006) e Adam 11 (2006), é a necessidade de participação efetiva familiar e dos cuidadores em todas as etapas do tratamento, pois normalmente são despreparados em realizar a higiene bucal de forma correta, principalmente após intervenções odontológicas mais complexas.
Conforme Chalmers 12 (2005), o cirurgião-dentista capacitado tem um fundamental papel nas orientações, manejo e adaptação das ações de higiene bucal a serem realizadas por essas pessoas, que muitas vezes, desconhecem ainda o importante papel da Odontologia como parte integrante na promoção da saúde do indivíduo.
Dentro desse contexto, faz-se necessária a efetiva participação do odontólogo junto a equipe multidisciplinar, direcionado ao idoso dependente. Além disso, ressalta-se a importância da orientação familiar e treinamento dos cuidadores, pois serão estes os multiplicadores dos conhecimentos e das práticas de higiene bucal 8,10.
Conclusões
O cirurgião-dentista deve estar capacitado a planejar o tratamento ao público idoso dependente dentro do enfoque multidisciplinar, respeitando as individualidades do paciente, as condutas médicas e sempre avaliando o contexto familiar.
As ações odontológicas devem focalizar a eliminação de possíveis fatores de risco (inflamação, infecção e dor) a partir de ações consideradas de mínima intervenção e seguras.
Deve ressaltar que, logo após o diagnóstico de demência feito, o paciente deve ser encaminhado ao cirurgião-dentista para avaliação, pois com o passar do tempo e evolução da doença, as intervenções odontológicas se tornarão mais difíceis de serem executadas e pode aparecer mudanças comportamentais devido à odontalgias não diagnosticadas, levando a uma possível confusão do médico e instituição medicamentosa desnecessária.
A Odontologia tem muito a acrescentar junto à equipe multidisciplinar em saúde para a avaliação, planejamento e execução do atendimento voltado à população idosa com demência.
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5. Goiato MC, Santos DM, Barão VAR, Pesqueira AA, Gennari Filho H. Odontogeriatria e a Doença de Alzheimer. Pesq Bras Odontoped Clin Integr 2006;6(2):207-212.
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9. Odom JG, Odom SS, Jolly DE. Informed consent and the geriatric dental patient. Spec Care Dent 1992;12(5):202-206.
10. Miranda AF, Montenegro FLB, Lia EN, Miranda MPAF. Demência senil(Alzheimer): intervenção odontológica multidisciplinar em nível de consultório e domiciliar – Relato de caso clínico. Rev Eap/Apcd Sjc 2008; 10(1):11-13.
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14. Andrade ED. Terapêutica medicamentosa em Odontologia.São Paulo:Ed Artes Médicas,2000,188p.
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*Alexandre Franco Miranda - Mestrando em Ciências da Saúde- UnB; Centro de Medicina Idoso (CMI) – HUB, UnB; Prof. Colaborador Pacientes Especiais – UCB
**Érica Negrini Lia - Doutora em Ciências da Saúde – UnB; Profa. Adjunta - UnB; Coordenadora Programa Extensão em Odontologia no CMI - HUB, UnB
***Fernando Luiz Brunetti Montenegro - Mestre e Doutor pela FOUSP; Prof. Adjunto na Universidade de Guarulhos; Coordenador de Saúde Bucal no CEDPES e CV Ondina Lobo
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24.1.10
Alzheimer, links específicos
http://www.alzheimer.med.br
http://www.alzheimermed.com.br
http://www.saudevidaonline.com.br/artigo97.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mal_de_Alzheimer
http://www.bbc.co.uk
Convivendo com Alzheimer - www.members.tripod.com/~marcioborges/Alzheimer/ - site da ABRAZ-MG de Juiz de Fora - Excelentes orientações para o cuidador;
www.alzheimer-europe.org/portuguese/ - Alzheimer Europe - Associação européia que oferece em lingua portuguesa a descrição, o diagnóstico, métodos de imagem cerebral, características principais e estágios da doença, medicamentos e pesquisa;
www.psiqweb.med.br/geriat/alzh.html Psiq Web - Psiquiatria Geral - Dr. Geraldo J. Ballone descreve a doença Alzheimer, diagnóstico, transformações no cérebro, alterações do comportamento, organizando a vida do paciente, medicamentos e tipos de assistência;
http://nic.dataweb.com.mx/Alzheimer/ - AMAES – Asociacion Mexicana de Alzheimer y Enfermedades Similares A.C. - Site oficial da Associação de Alzheimer do México;
www.alma-argentina.org.ar - ALMA – Asociacion de Lucha contra el Mal de Alzheimer - Site oficial da Associação de Alzheimer da Argentina;
Alzheimer's Association - site em lingua inglesa da Associação Americana de Alzheimer. Excelente para pesquisas e com informações extremamente úteis;
Alzheimer's Disease International - site em lingua inglesa da ADI entidade internacional que congrega cerca de 45 Associações de Alzheimer de todo o mundo;
Alzwell - http://www.alzwell.com/ site em lingua inglesa desenvolvido por cuidador para cuidadores, com valiosas "dicas" no cuidar;
www.alzheimers.org – Site em lingua inglesa da Alzheimer’s Disease Education and Referral Center;
http://www.mayoclinic.org/ - Site em lingua inglesa da Mayo Clinic – USA onde se pode fazer pesquisa sobre Alzheimer e outras doenças;
http://www.clevelandclinic.org/ - Site em lingua inglesa da The Cleveland Clinic – USA onde se pode fazer pesquisa sobre Alzheimer e outras doenças;
http://cpmcnet.columbia.edu/ - Site em lingua inglesa da The Columbia University Health Sciences – USA onde se pode fazer pesquisa sobre Alzheimer e outras doenças;
http://www.intelihealth.com/IH/ihtIH/ - Site em lingua inglesa da The Harvard Medical School’s – USA onde se pode fazer pesquisa sobre Alzheimer e outras doenças;
www.nejm.org - Site em lingua inglesa do The New England Journal of Medicina onde se pode fazer pesquisa sobre Alzheimer e outras doenças;
www.thelancet.com – Site The Lancet em lingua inglesa onde se pode fazer pesquisa sobre Alzheimer e outras doenças.
24.11.09
O Que é a Doença de Alzheimer:
Distúrbios da Memória no Idoso e Doença de Alzheimer
O Que é a Doença de Alzheimer:
| | É uma doença degenerativa que destrói células do cérebro lenta e progressivamente acarretando a perda gradual das funções intelectuais do indivíduo. A doença de Alzheimer é a principal causa de demência. Sua evolução é bastante longa, durando em média de 8 a 12 anos.
Dr. Alois Alzheimer |
Estima-se que nos EUA existam cerca de quatro milhões de portadores da doença, e no Brasil, aproximadamente um milhão de pacientes.
Foi descrita pela primeira vez pelo médico Alois Alzheimer em 1907. Essa doença, erroneamente conhecida pela população como “esclerose” ou “caduquice” é uma forma de demência cuja causa não se relaciona com a circulação ou com o processo de arteriosclerose. É devida à morte das células cerebrais que levam a uma atrofia do cérebro.
Apesar da doença de Alzheimer ser a forma mais comum de demência, há outros tipos de demência não relacionadas a esta doença. Estima-se que entre 50 a 70 por cento de todas as pessoas com demência têm a doença de Alzheimer. O início da doença pode ocorrer entre 40 e 90 anos de idade, sendo mais comum a partir dos 65 anos.
Sintomas:
As principais queixas são em relação à perda da memória recente e da linguagem, que levam ao abandono de passatempos tais como leitura, jogo de cartas, etc. evoluindo até o afastamento social do indivíduo. Com o progredir da doença ocorre dificuldade no vestir-se e no uso de talheres. Em paralelo pode ocorrer alteração do comportamento, agitação e alteração do sono. Em estágio mais tardio pode haver delírios, geralmente persecutórios de roubo e alucinações.
Os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, passam a apresentar alterações de personalidade, com distúrbios de conduta e terminam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmo quando colocados frente a um espelho.
À medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação se inviabiliza e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as atividades elementares do cotidiano, tais como: alimentação, higiene pessoal, vestir, etc...
Qual a Causa:
A causa da doença ainda é desconhecida pela ciência médica e o tratamento é direcionado aos sintomas, ao seu ambiente e ao sistema de apoio familiar.
Existem várias teorias, porém de concreto aceita-se que existe uma combinação de fatores de risco que diferem de uma pessoa para outra. Dentre esses fatores de risco podemos citar:
· Idade: maior incidência acima de 65 anos de idade. No entanto, importa notar que apesar das pessoas tenderem a ficar esquecidas com o passar do tempo, a maioria dos indivíduos com mais de 80 anos permanecem mentalmente lúcidas. Isto significa que apesar de, com a idade, a probabilidade de se ter a doença de Alzheimer aumentar, não é a idade avançada por si que provoca a doença;
· Fatores genéticos/hereditariedade: A doença de Alzheimer não é considerada hereditária. Não é portanto determinada por genes transmitidos pelos pais. Mesmo que no passado vários membros da família tenham sido acometidos pela doença de Alzheimer, isso não significa que um outro membro da família venha necessariamente a desenvolvê-la, uma vez que a doença de Alzheimer não é considerada genética. No entanto, uma vez que a doença é tão comum nos mais velhos, não é invulgar que dois ou mais membros da família acima dos 65 anos a tenham. Mesmo que haja outros membros da família com a doença de Alzheimer, qualquer indivíduo apresenta risco de vir a ter a doença numa determinada época da sua existência. Atualmente sabe-se que existe um gene que pode contribuir para aumentar este risco. Tal gene encontra-se no cromossoma 19 e é responsável pela produção de uma proteína denominada apolipoproteína E (ApoE4);
· Traumatismos cranianos: Tem sido referido que uma pessoa que tenha sofrido um traumatismo craniano severo corre maior risco de desenvolver doença de Alzheimer. O risco torna-se maior se na época da lesão o indivíduo tiver mais de 50 anos e for portador do gene específico (ApoE);
· Outros factores: há dados que sugerem que pessoas com elevado nível intelectual têm menor risco de contrair essa doença do que as que possuem um baixo nível de atividade intelectiva.
Vale ressaltar que a doença de Alzheimer não é infecciosa nem contagiosa. É sim uma doença que determina uma deterioração da saúde do paciente, com perda de peso afetando o sistema imunológico o que acarreta um maior risco de infeção dos pulmões (pneumonias) que geralmente levam ao óbito.
Diagnóstico:
| Não existe um teste específico que determine se alguém é portador da doença de Alzheimer. A doença é diagnosticada através de um processo de eliminação das outras causas de demência feita através de uma avaliação neuropsicológica minuciosa incluindo o estado físico e mental do indivíduo. Desta maneira o diagnóstico é essencialmente clínico, devendo-se excluir todas as outras causas de demência: depressão, hipotiroidismo ou deficiência de vitamina B12, que são as causas mais comuns de quadros demenciais reversíveis. Excluidas essas causas de demência o diagnóstico provável da doença de Alzheimer é feito pela presença de demência, isto é, perda de memória e pelo menos mais de uma outra função cognitiva (por exemplo: linguagem, atenção, funções executivas). A doença na fase avançada é frequentemente marcada pela tríade: |
· Afasia: dificuldade ou perda de capacidade para falar, ou compreender a linguagem falada, escrita ou gestual;
· Apraxia: incapacidade para efetuar movimentos voluntários, e
· Agnosia: perda da capacidade para reconhecer os objetos, e para que servem.
Alterações psíquicas e do comportamento são observadas ao longo da progressão da doença, incluindo-se os quadros de depressão, as manifestações psicóticas (alucinações e delírios), as síndromes apáticas e os distúrbios do sono.
O diagnóstico definitivo ou de certeza da doença de Alzheimer só é possivel de ser estabelecido post-mortem, mediante comprovação feita por exame histopatológico do tecido cerebral.
Como vimos o diagnóstico em vida é eminentemente clínico e de exclusão, permitindo apenas uma aproximação probabilística. A investigação com exames complementares é, portanto, necessária para se afastarem outras causas de doença cerebral, particularmente o delírium e as demências reversíveis, em que a intervenção médica deve ser rápida e dirigida aos fatores causais.
Tratamento:
O tratamento das síndromes demenciais envolve um amplo espectro de abordagens, incluindo estratégias farmacológicas e intervenções psicossociais para o paciente e seus familiares.
Quanto ao tratamento da doença, há dois aspectos :
O primeiro, que trata de alterações de comportamento como agitação e agressividade, do humor como a depressão, que não devem ser feitos apenas com medicação, mas também com orientação e acompanhamento de médico psiquiatra;
O segundo, é o tratamento específico com drogas que podem corrigir o desequilíbrio bioquímico do cérebro, tais como: Tacrina, Donezepil, Rivastigmina, Galantamina, etc...
Estas drogas funcionam melhor na fase inicial do quadro clínico e têm por objetivo retardar a sua evolução, pois a doença de Alzheimer continua progredindo paulatinamente.
Outras drogas têm se mostrado promissoras como possíveis neuroprotetores, tais como a vitamina E em doses bastantes altas (2000 UI/dia) que mostrou efeito estabilizador em pacientes com quadros de demência moderada. Também tem sido descritos efeitos neuroprotetores dos antiinflamatórios não-hormonais, como do extrato vegetal de Ginkgo biloba e do estrogênio.
O que pode ajudar:
A grande arma no enfrentamento dessa doença é a informação associada à solidariedade.
À medida que os familiares conhecem melhor a doença e sua provável evolução, vários recursos e estratégias podem ser utilizadas com sucesso.
É fundamental que os familiares saibam que sempre há algo a fazer e porisso é possível melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares. Existem doenças incuráveis, porém não há “pacientes intratáveis”.
Como afeta a família:
A doença de Alzheimer afeta os familiares de modo devastador. As dúvidas e incertezas com o futuro, a grande responsabilidade, a inversão de papéis onde os filhos passam a se encarregar dos cuidados de seus pais, além da enorme carga de trabalho e sobrecarga emocional, acabam por gerar intenso conflito e angústia no meio familiar.
A sensação de estar só, isolado, desamparado e a inevitável pergunta : “por que isso está acontecendo comigo”? submete os cuidadores à enorme pressão psicológica que vem acompanhada de depressão, queda da resistência física, problemas de ordem conjugal, etc...
Associação Brasileira de Alzheimer:
A ABRAz - Associação Brasileira de Alzheimer, é uma entidade sem fins lucrativos, que objetiva a melhoria das condições de vida do paciente e de seus familiares.
Fundada em Agosto de 1991, reúne em sua diretoria familiares e profissionais especializados para, em conjunto, desenvolverem ações concretas em favor dos pacientes.
Os familiares recebem informações atualizadas sobre os avanços das pesquisas, frequentam grupos de suporte familiar, assistem palestras e cursos, aprendem sobre a doença e suas características com o objetivo de aliviar parte da carga a que estão submetidos.
A ABRAz está organizada em quase todo o território nacional.
Correspondência: Caixa Postal 3913 – São Paulo – SP – 01060-970
TEL/FAX : (011) 3207-8791 Tel : 0800-551906
O associado recebe o Boletim Informativo Mensal com informações atualizadas sobre o tratamento da doença de Alzheimer, bem como sobre cursos, seminários, congressos, etc.