19.4.12

Principais problemas que acometem a próstata

Pela proximidade, problemas na próstata acabam afetando a bexiga e a uretra
Dr. Miguel Srougi é médico, professor de Urologia na Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, Universidade Federal de São Paulo. É autor do livro “Próstata: Isso É Com Você”, lançado pela Publifolha e dirigido ao público leigo.

A próstata é uma glândula que tem o tamanho aproximado de uma castanha e produz o líquido espermático ou esperma, substância que contém nutrientes e serve de veículo para os espermatozoides chegarem até o óvulo. Ela se localiza muito perto da bexiga, um órgão muscular que se distende à medida que a urina se acumula em seu interior. Da bexiga sai a uretra, um canal longo que atravessa a próstata e o pênis até ganhar o meio exterior. A proximidade entre esses órgãos faz com que qualquer problema que afete a próstata acabe repercutindo na bexiga e na uretra.

Hiperplasia e câncer de próstata são patologias frequentes na vida adulta do homem. A hiperplasia caracteriza-se pela multiplicação benigna das células prostáticas. Quando isso acontece, o aumento da próstata comprime bexiga e uretra e provoca dois sintomas. O primeiro é a dificuldade para urinar. A pessoa é obrigada a fazer esforço para vencer a passagem comprometida pela compressão da glândula, o jato urinário fica mais fino e perde a potência. O segundo é a redução da capacidade de a bexiga reter urina. Quem tem hiperplasia de próstata urina com maior freqüência, especialmente à noite o que pode comprometer a qualidade do sono.

A hiperplasia é uma lesão benigna. Já no câncer de próstata, as células prostáticas perdem a inibição, crescem e invadem os tecidos vizinhos. O câncer é um processo maligno que traz consigo uma série de outros problemas.

Drauzio – Como funciona a próstata no decorrer da vida do homem?

Miguel Srougi – A próstata é uma glândula que se situa na saída da bexiga e produz esperma, o líquido que transporta os espermatozoides até o meio exterior. Por isso, ela tem uma função biológica relevante na fase reprodutora do homem, naquela em que quer ter filhos. A partir dos 40 anos de idade, seu papel se transforma. Ela passa a ser um órgão indesejável por causa do crescimento benigno que ocorre em 80%, 90% dos homens adultos. Esse crescimento não provoca complicações mais sérias, mas prejudica a qualidade de vida em razão do aparecimento de transtornos para urinar.

Drauzio – Não é um contrassenso um órgão que vai perdendo a função, em vez de atrofiar, ir aumentando de tamanho? Por que a próstata hipertrofia com a idade?

Miguel Srougi – São coisas que a natureza criou e que talvez nem a teoria evolucionista explique. É possível que nossos irmãos do futuro até percam a próstata após a fase reprodutora, mas por enquanto ela causa transtornos aos homens. Infelizmente, além do crescimento benigno, é sede de um câncer muito comum. Um terço dos tumores que se originam no organismo do homem partem da próstata. Essa alta prevalência torna a glândula bastante inconveniente e gera problemas que preocupam os médicos e a respeito dos quais a população masculina está começando a tomar consciência.

Drauzio – Em que fase da vida começa a ocorrer a hiperplasia, ou seja, o aumento benigno do volume da próstata?

Miguel Srougi – Ela se inicia por volta dos 40 anos. Por isso, a partir dos 50 começam a surgir problemas urinários em 80%, 90% dos homens, como a dificuldade para expelir a urina e a necessidade de levantar várias vezes numa noite para ir ao banheiro. Embora esse quadro não tenha nenhuma implicação futura para o doente, prejudica sua qualidade de vida naquele momento.

Drauzio – Quais são os principais sintomas da hiperplasia?

Miguel Srougi – O sintoma prevalente é a perda da força do jato. Isso os homens toleram bem. O que mais os incomoda, no entanto, é o aumento da frequência urinária porque compromete sua rotina de vida. O indivíduo é obrigado a sair mais de uma vez de uma reunião importante para ir ao banheiro, ou começa a acordar muito durante a noite para urinar e levanta cansado no outro dia.

Drauzio – Como fica o volume urinário com o aumento do número de micções?

Miguel Srougi – O volume urinário fica menor porque a bexiga perde um pouco a complacência.

Drauzio – Quem corre maior risco de apresentar hiperplasia de próstata?

Miguel Srougi – Existem três fatores de risco que levam ao crescimento benigno da próstata: história familiar, pele negra e ingestão de gorduras. Quem tem pai ou irmão com hiperplasia, apresenta três vezes mais possibilidade de desenvolver o problema do quem não tem.

Drauzio – A próstata não provoca problemas exclusivamente na velhice. Adolescentes podem ter problemas de próstata, as prostatites. O que são prostatites e quais as causas mais freqüentes?

Miguel Srougi – Em termos de saúde pública, trata-se de um problema menos relevante. Prostatite é uma infecção da próstata provocada por bactérias do intestino que a contaminam. É um problema que atinge adultos jovens e causa desconforto local, dor na região genital e dificuldade para urinar. Felizmente, a prostatite responde bem ao tratamento com medicações especificas, em especial, os antibióticos. Alguns homens podem até ficar com manifestações crônicas, mas que não têm maiores implicações.

Drauzio – Prostatites podem comprometer a capacidade de ereção?

Miguel Srougi – A próstata está ligada a certas fantasias negativas que surgem na cabeça do homem, principalmente, ao risco de ver perturbada a função sexual. É uma suposição falsa. A próstata nada tem a ver com a função sexual. Tem a ver com a função reprodutora, com a capacidade de o homem ter filhos. O nervo da ereção que passa do lado da próstata raramente é afetado, mesmo quando existe uma doença nessa glândula. Nos casos de câncer, tratamento que demande intervenção cirúrgica no local e radioterapia podem provocar lesões nesse nervo e isso, sim, irá comprometer a atividade sexual. Quero enfatizar, entretanto, que nem as prostatites, nem o câncer, quer benigno quer maligno, interferem com o mecanismo da ereção.

Drauzio – A prevenção do câncer de próstata envolve o toque retal, mas os homens costumam resistir a esse procedimento. Qual é sua experiência a respeito do assunto?

Miguel Srougi – O diagnóstico do câncer de próstata é feito de duas formas: pelo toque retal e pelo exame de sangue chamado PSA (antígeno prostático específico), uma proteína que só a próstata produz e que se eleva muito nos casos de câncer.

Na cabeça dos homens existe a fantasia de que o exame de PSA é suficiente para o controle preventivo do câncer. Na realidade, não é. Ele falha em 20% dos casos. Embora o de toque falhe em 35%, fazendo os dois juntos a probabilidade de deixar escapar um problema cai para 8%. Portanto, um exame não exclui o outro. Ao contrário, um complementa o outro na realização do diagnóstico.

Os homens relutam em fazer o toque retal por dois motivos: primeiro, por preconceito cultural típico do machismo latino. Segundo, por medo de sentir dor. Eles são muito mais medrosos do que a mulher, que enfrenta melhor qualquer situação dolorosa. O tempo me ensinou, porém, que o preconceito já não é tão forte como antes. Eles resistem, fazem piadas, acham ruim, mas acabam se submetendo ao exame de toque e no ano seguinte vêm tranquilos repetir o exame porque perceberam que não dói.

Drauzio – Vamos aproveitar a imagem 2 para explicar como é feito o exame de toque. Introduzindo um dedo médio no reto do paciente, o médico palpa a próstata. O que ele examina quando toca a próstata?

Miguel Srougi – O câncer de próstata quase sempre aparece na face posterior da próstata. É aí que ele cresce. Com o toque retal, o médico sente se há áreas endurecidas na próstata que é um órgão de consistência mole. Quando surge o câncer, ela adquire a consistência do osso dos dedos dobrados da mão. Dessa forma, é possível perceber nitidamente quando se trata de hiperplasia, ou crescimento benigno da próstata, ou de áreas duras que sugerem a presença de câncer. Nesse caso, o passo seguinte é fazer uma biópsia para verificar se o tumor é realmente maligno.

Drauzio – Como é feita a biópsia?

Miguel Srougi – A biópsia é feita com um agulha que entra pelo reto. É um exame que cria um certo desconforto, mas os médicos, cientes desse problema, o fazem sob pequena sedação do paciente. Ele dorme três minutos, tempo suficiente para colher o material para análise. Depois, o homem volta para casa ou vai trabalhar normalmente.

Drauzio – A biópsia só é feita quando há alguma suspeita de tumor?

Miguel Srougi – A biópsia é feita quando o exame de toque retal dá alterado e/ou o nível de PSA está muito alto. É importante ressaltar que o fato de o PSA estar elevado não indica necessariamente um câncer. Alguns doentes com crescimento benigno da próstata e outros com pequenos focos de infecção nesse órgão produzem mais PSA do que deveriam. No entanto, é fundamental que um homem com níveis elevados de PSA procure um médico para diagnóstico preciso.

Drauzio – Há uma recomendação de que todos os homens acima dos 50 anos façam exame de próstata. Por que acima dessa idade especificamente?

Miguel Srougi – A preocupação dos médicos é basicamente o câncer de próstata, uma vez que, em cada seis homens, um vai apresentar a doença. Câncer de próstata não produz sintomas na fase inicial, exatamente a fase em que o interesse no diagnóstico é maior, porque a doença é curável. Disso advém a importância do exame preventivo.

Como não produz sintomas, o tumor pode crescer de forma silenciosa e, quando é descoberto, em geral, já atingiu os tecidos vizinhos e a possibilidade de cura cai muito. Só para dar uma idéia, se o tumor ainda estiver contido pela glândula, é curável em 90%, 95% dos casos. Se escapar dali, mesmo antes de se espalhar, só por atingir os tecidos vizinhos, a chance de cura cai para 35%.

Sobre isso, existem dados interessantes nos Estados Unidos. Na década de 1960, 60% dos casos de câncer de próstata eram identificados já em fase avançada, com tumores disseminados pelo organismo. Depois das campanhas de prevenção, apenas de 6% a 10% dos doentes procuram assistência inicial com o câncer espalhado, ou seja, com metástases. Isso mostra como a medicina, enfocando o problema seriamente, conseguiu ajudar os homens em termos de saúde pública.

Drauzio – O hormônio masculino tem algum peso nas patologias da próstata?

Miguel Srougi – Durante algum tempo, imaginou-se que a testosterona pudesse causar hiperplasia. Hoje, se sabe que não. O hormônio masculino não causa nem crescimento exagerado da próstata nem câncer, outro mito que existia.

Há homens que fazem reposição hormonal com testosterona com a idéia falaciosa de que ela melhora a atividade intelectual, a força física, a potência sexual e produz rejuvenescimento. Na verdade, a testosterona só melhora a massa muscular e aumenta um pouquinho a libido, isto é, o apetite sexual. O resto é pura fantasia.

O hormônio sexual masculino não causa câncer nem hiperplasia. No entanto, se o indivíduo tiver um pequeno foco de câncer na próstata e tomar testosterona, o crescimento do tumor será muito mais rápido. Por isso, ninguém deve tomar testosterona sem antes procurar um médico para ter certeza de que não é portador de doença maligna na próstata. Se isso ficar esclarecido e ele decidir tomar o hormônio, deve fazer exames preventivos periódicos e com regularidade.

Drauzio – Se em cada seis homens um vai ter câncer de próstata, dando testosterona para cem homens, a incidência da doença será alta, porque o tumor vai crescer mais depressa em 17% deles.

Miguel Srougi – Por isso, pessoalmente condeno o uso rotineiro e indiscriminado da testosterona. Só vale a pena indicá-la nos casos de grande deficiência desse hormônio.

A casuística que possibilitou chegar à porcentagem citada em sua pergunta é americana. No Brasil, os números que parecem ser um pouco mais favoráveis e animadores, a meu ver, não são consistentes. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), que é formado por pessoas de alto valor e grande empenho, em 2003, irão surgir 35.000 novos casos de câncer de próstata em nosso país. Nos Estados Unidos, estão esperando 220.000.

O que justificaria tamanha discrepância entre os dois índices? Na verdade, acho que a incidência de câncer de próstata no Brasil é igual à americana. Se fizermos uma biópsia em cem homens americanos com mais de 50 anos, descobriremos que 5% deles têm câncer de próstata. Se fizermos o mesmo exame em cem brasileiros, o resultado será idêntico, só que aqui a previsão é de 35.000 casos porque existe uma subnotificação. O INCA não consegue computar o número de casos porque os médicos não notificam. Para ter uma idéia, vejo 40, 50 casos por mês que não são registrados em lugar nenhum.

Mais perverso do que isso é a indigência de nosso sistema de saúde. Muitos homens brasileiros desenvolvem a doença e entram em padecimento porque não são diagnosticados nem têm acesso ao sistema de saúde pública para o diagnóstico precoce da doença.

Drauzio – Quais são os homens com maior risco de apresentar câncer de próstata?

Miguel Srougi – Exames de toque e de PSA são especialmente importantes para as pessoas com maior risco de câncer: homens com história familiar da doença, negros e indivíduos com dieta excessivamente gordurosa.

Nos Estados Unidos, pesquisas mostram que os negros têm três vezes mais câncer de próstata do que os brancos. No Brasil, um trabalho realizado pelo Dr. Edson Pasqualin, no pequeno município de Ipirá, na Bahia, com 470 homens submetidos à biópsia, demonstrou que a incidência de câncer de próstata foi 9 vezes maior nos negros do que nos brancos.

Outro grupo de risco é constituído pelos indivíduos com histórico familiar da doença. Se a pessoa tiver pai, irmão ou os dois com câncer de próstata, o risco de desenvolver a doença aumenta de duas a cinco vezes. Nesses casos familiares, entretanto, o câncer costuma ser um pouco menos agressivo.

Ao terceiro grupo de risco pertencem os indivíduos que comem muita gordura. No norte da Europa e nos Estados Unidos, lugares em que a ingestão de gordura é alta, o câncer de próstata é sete vezes mais comum do que no Japão ou na China, países em que a população se alimenta basicamente de peixes e cereais.

Trabalho interessante foi realizado nos Estados Unidos em ratinhos com câncer de próstata induzido experimentalmente. Um grupo recebeu dieta com 2% de gordura e o outro, com 40%. O tumor dos que receberam dieta mais gordurosa demonstrou ser quatro vezes mais volumoso do que o tumor dos que receberam pouca gordura e espalhou-se pelos outros tecidos do organismo.

24.3.12

Brasil e tuberculose.

O Brasil é um dos 22 países priorizados pela Organização Mundial de Saúde que concentra 80% da carga mundial da tuberculose. Em 2009, foram notificados 72 mil novos casos. Esses indicadores colocam o Brasil na 19° posição em relação ao número de casos e na 104° posição em relação ao coeficiente de incidência.

Doença - A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria (Mycobacterium tuberculosis) que afeta principalmente os pulmões, mas pode afetar também outros órgãos, como rins e meninges. Os sinais e sintomas mais freqüentemente descritos são tosse seca contínua no início, depois com presença de secreção por mais de quatro semanas, transformando-se, na maioria das vezes, em uma tosse com pus ou sangue; cansaço excessivo; febre baixa geralmente à tarde; suores noturno; falta de apetite; palidez; emagrecimento acentuado; rouquidão; fraqueza; e prostração. Os casos graves apresentam dificuldade na respiração; eliminação de grande quantidade de sangue, colapso do pulmão e acumulo de pus na pleura (membrana que reveste o pulmão) - se houver comprometimento dessa membrana, pode ocorrer dor torácica.

Transmissão - A transmissão é direta, de pessoa para pessoa. O doente expele, ao falar, espirrar ou tossir, pequenas gotas de saliva que contêm o agente infeccioso e podem ser aspiradas por outro indivíduo contaminando-o. Somente 5% a 10% dos infectados pelo bacilo de Koch adquirem a doença. Pessoas com Aids, diabetes, insuficiência renal crônica, desnutridas, idosos doentes, alcoólatras, viciados em drogas, pessoas privadas de liberdade, população indígena e fumantes são mais propensas a contrair a tuberculose.

Tratamento - A tuberculose é uma doença curável e tratável em todas as unidades de saúde da família. O tratamento é gratuito e deve ser feito por um período mínimo de seis meses, sem interrupção, diariamente. Quase todos os pacientes que seguem o tratamento corretamente são curados.

Prevenção - Para prevenir a doença é necessário imunizar as crianças de até 4 anos, obrigatoriamente as menores de 1 ano, com a vacina BCG. Crianças soropositivas ou recém-nascidas que apresentam sinais ou sintomas de Aids não devem receber a vacina. A prevenção inclui evitar aglomerações, especialmente em ambientes fechados, mal ventilados e sem iluminação solar. A tuberculose não se transmite pelo uso de objetos compartilhados.
O estrategista Célio Lopes contra o bacilo de Koch
Jornal A Cidade
"O bacilo é liberado pela tosse no meio ambiente, pode estar em todo lugar, principalmente nas aglomerações", comenta Célio Lopes Silva, professor de Farmacologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP. É dele a vacina gênica contra a ...

5.3.12

Idosos são mais sensíveis aos efeitos adversos dos remédios


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Estudo analisa os fatores associados à automedicação na população idosa de Campinas (SP).

O artigo “Automedicação em idosos residentes em Campinas, São Paulo, Brasil: prevalência e fatores associados” relata a prevalência e fatores ligados à automedicação em idosos. O estudo tem como autores Priscila Maria S. B. Francisco, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas, Karen Sarmento Costa, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, e colaboradores. A pesquisa foi publicada na edição de fevereiro deste ano nos Cadernos de Saúde Pública.

Os autores lembram que o envelhecimento populacional é um tema emergente em diversas áreas do conhecimento. E na área da saúde ele se caracteriza de forma peculiar, uma vez que há predominância de doenças crônicas e diversas de longa duração e isto exige um acompanhamento, cuidados permanentes e exames periódicos, afirmam. Segundo os especialistas, a prevalência de doenças crônicas com a idade, aumenta a demanda de consumo dos medicamentos – uns dos itens mais importantes da atenção à saúde do idoso.

Para os autores, os benefícios terapêuticos com o uso correto dos medicamentos são inegáveis, porém o elevado consumo entre os idosos pode causar riscos à saúde. “Os idosos utilizam de dois a cinco medicamentos diariamente e são mais sensíveis aos efeitos adversos, interações medicamentosas e toxicidade”, alertam. Além disso, os especialistas notaram que o consumo de medicamentos sem prescrição médica é um problema na população idosa.
De acordo com os especialistas, há fatores que contribuem para a automedicação como “familiaridade com o medicamento, experiências positivas anteriores, a função simbólica que os medicamentos exercem sobre a população, e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde”. Há estudos que investigam a prevalência e os fatores associados à automedicação e os seus resultados demostram que a prática varia entre os idosos residentes em diferentes localidades, informam. Os autores alertam para as desvantagens da automedicação, por exemplo, “os gastos desnecessários, atraso no diagnóstico e na terapêutica adequada, potenciais riscos de interações com os medicamentos prescritos, resistência bacteriana, reações adversas e intoxicação”.
Através dos resultados, os especialistas concluíram que a automedicação entre idosos em Campinas é de baixa prevalência e os medicamentos não prescritivos mais utilizados são de venda livre, o que sugere uma observação nos critérios técnicos no cuidado e na qualidade da assistência farmacêutica oferecida aos idosos pelo município. Entretanto, “diante da importância que se reveste o tema e da necessidade de sua melhor compreensão, estudos como este podem ser utilizados como ferramenta em diferentes localidades, para subsidiar a promoção do uso racional de medicamentos neste segmento populacional”, lembram os autores.